domingo, 29 de janeiro de 2012

Detenha a grande ameaça à liberdade da Internet


Assine a Petição

Para todos os Membros do Parlamento Europeu:

Anvisa constata uso de agrotóxicos não autorizados no plantio de diversos alimentos


Saiu no SEGALINUT

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) constatou que os produtores rurais têm usado agrotóxicos não autorizados no plantio de determinados alimentos. Em 2010, a Vigilâncias Sanitária avaliou 2.488 amostras de alimentos, sendo que 28% apresentaram resultado insatisfatório para a presença de resíduos dos produtos. Deste total, 605 (24,3%) amostras estavam contaminadas com agrotóxicos não autorizados.

Quando o uso de um agrotóxico é autorizado no país, os órgãos responsáveis por essa liberação, indicam para que tipo de plantação ele é adequado e em que quantidade pode ser aplicado.

Em 42 amostras (1,7%), o nível de agrotóxico estava acima do permitido. Em 37% dos lotes avaliados, não foram detectados resíduos de agrotóxicos. Na íntegra: SEGALINUT

sábado, 28 de janeiro de 2012

Pinheirinho e o alçapão de pobres

TELEANÁLISE

Sentinela - Malu Fontes*


No mês em que a cidade de São Paulo comemorou 458 anos, as cenas vistas na TV associadas à mais rica metrópole brasileira não foram de festa. As imagens vinculadas a São Paulo em janeiro, nos telejornais, foram as dos rotos e esfarrapados em confronto com a Polícia na Cracolândia, região Central da cidade, e as cenas de guerrilha urbana de milhares de famílias na favela de Pinheirinho, na Grande São Paulo, embora já em São José dos Campos. Sim, também houve imagens da chuva de ovos atirados contra o prefeito, Gilberto Kassab, na ida à missa de aniversário da cidade.

Pinheirinho abrigava cerca de 6.000 pessoas em um terreno de 1,3 milhão de metros quadrados, pertencente à massa falida de Naji Najas e invadida em 2004. Independemente das questões de justiça e injustiça que podem ser invocadas em relação à decisão judicial de reintegrar a posse do terreno, expulsando os moradores e destruindo absolutamente todas as moradias, três aspectos chamaram àtenção na cobertura telejornalística durante a semana. Uma delas é repetida à exaustação sempre que uma calamidade atinge contingentes populacionais pobres no Brasil, o que equivale a dizer que é algo rotineiro nas manchetes jornalísticas: o que acontece com o exército de gente pobre 24h após as hecatombes que acontecem em suas vidas?

CUSPIDOS - Onde estão, hoje, os desabrigados do Morro do Bumba, em Niterói (RJ), dos deslizamentos da região serrana, também no estado do Rio, das enchentes do ano passado em Alagoas, das dezenas de favelas coincidentemente incendiadas em São Paulo ao longo de 2010 e 2011? Do mesmo modo, onde estarão no futuro as seis mil pessoas expulsas de Pinheirinho, sem tempo de sequer pegar roupas e documentos? Levando-se em conta as multidões de pobres que praticamente todos os meses são notícia na condição de vítimas de contingências, a maioria delas vinculadas à sua condição sócio-econômica, associada ao crônico desmando político no país, tem-se a impressão que o Brasil dispõe de um alçapão para fazer desaparecer os pobres que são cuspidos ainda mais radicalmente da fronteira mínima da dignidade em que vivem quando são vítimas de uma tragédia.

No telejornalismo, o roteiro é o mesmo: o contingente de desamparados é mostrado, as lideranças políticas são entrevistadas e garantias do poder público são dadas, anunciando que toda a assistência será dada às vítimas. O telespectador já sabe que isso não é verdade. Pouquíssimos dias depois é como se essas pessoas desaparecessem por mágica, no tal alçapão de pobres, e são substituídas logo a seguir nas manchetes por outro grupo em situação ainda pior. No episódio de Pinheirinho, um segundo aspecto a chamar àtenção, e que também costuma se repetir em casos semelhantes de desocupação por ordem judicial e força policial, são as razões que levam o poder público a permitir ou fazer vista grossa à formação de um bairro durante oito anos e, quando milhares de pessoas estão com suas vidas aparentemente estruturadas, arranca-se do chão em menos de 24 horas tudo o que foi permitido em quase uma década.

MULHERES RICAS - Por fim, tanto quanto a pancadaria entre moradores e policiais na favela e no entorno de Pinheirinho, sooaram mais que cínicas as declarações de representantes do poder público aos repórteres de TV diante das acusações dos moradores de que a Polícia derrubou as casas com todos os móveis dentro, não permitindo que os donos retirassem seus pertences. Os argumentos dados à imprensa para que isso possa ter acontecido fazem as Mulheres Ricas soarem como samaritanas humanitárias da Cruz Vermelha: foi oferecida a todos os moradores a possibilidade de lacrar e etiquetar todos os seus móveis e dar um endereço para onde se queria que eles fossem enviados por um serviço da Prefeitura de São José dos Campos. Se não pediram o serviço nem deram o endereço de entrega... Ah, tá! Certamente disponibilizariam um depósito privado e cuidadoso de móveis, talvez localizado nas cercanias de Alphaville, com garantias anti-cupim e anti-ferrugem.

Se fosse mesmo real a oferta desse serviço tão cuidadoso de etiquetagem e depósito oferecido pela Prefeitura para os pertences existentes dentro da casa dos expulsos, por que, então, a mesma Prefeitura deixaria milhares de pessoas, incluindo velhos, crianças e doentes amontoados em abrigos insalubres, improvisados em escolas públicas cheias de cocô de pombo e sem condições de higiene? E milhares de pessoas abrigadas por um padre numa igreja sem estrutura de banheiros, cozinha e vazos sanitários?

CACHORRO - Esse país ou esse mundo andam mesmo muito estranhos. Uma população fica revoltada e quer pena de morte para uma histérica que agride um cachorro, uma prefeitura oferece etiquetagem mentirosa de móveis para milhares de pessoas que têm suas casas destruídas pela Polícia e, ao mesmo tempo, ninguém parece se importar com gente apanhando e morrendo na rua de qualquer metrópole e muito menos com famílias que perdem tudo e são obrigadas a viver como formigas, esmagadas umas sobre as outras em depósitos improvisados de gente.


*Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA. maluzes@gmail.com

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O custo humano embutido num iPad

Saiu no Trezentos

via EstadãoInício do conteúdo

Somente em 2011, quatro pessoas morreram e 77 ficaram feridas em fábricas contratadas para produzir as últimas novidades da Apple

26 de janeiro de 2012 | 23h 00

Charles Duhigg e David Barboza, do The New York Times

NOVA YORK – A explosão arrasou o Edifício A5 numa tarde de maio do ano passado. Uma erupção de chamas torceu os tubos de metal como se fossem canudos jogados fora. Quando os operários na lanchonete correram para fora, viram uma fumaça negra saindo das janelas – era a área onde os empregados poliam milhares de estojos de iPads por dia.

Duas pessoas morreram na hora e mais dez se feriram. Quando os feridos eram levados às pressas para as ambulâncias, um em particular chamava atenção. O rosto lambuzado, atingido pelo calor e a violência da explosão, deu lugar a uma pasta preta e vermelha no lugar da boca e nariz.

“Você é o pai de Lai Xiaodong?”, alguém perguntou, quando o telefone tocou na casa de Lai. Seis meses antes, o jovem de 22 anos havia se mudado para Chengdu, sudoeste da China, para se tornar mais uma das milhões de peças humanas da engrenagem que move o maior, mais rápido e mais sofisticado sistema de manufatura no globo. “Ele está com problemas”, disse a pessoa do outro lado da linha ao pai de Lai, que não resistiu aos ferimentos.

Na última década, a Apple tornou-se uma das mais poderosas e bem sucedidas empresas do mundo. A Apple e suas congêneres do setor de alta tecnologia alcançaram um ritmo de inovação jamais observado na história moderna.

Contudo, os operários encarregados da montagem dos iPhones, iPads e outros aparelhos com frequência trabalham em condições terríveis, de acordo com empregados das fábricas, grupos de defesa dos trabalhadores e relatórios publicados pelas próprias companhias. Os problemas são tão variados quanto os ambientes de trabalho e os problemas de segurança – alguns mortais – são graves.

Os operários fazem horas extras excessivas, em alguns casos trabalham sete dias por semana e vivem em dormitórios superlotados. Alguns trabalham em pé por tanto tempo que suas pernas incham a ponto de quase não conseguirem andar. Empregados menores de idade ajudaram a fabricar produtos da Apple, fornecedores da companhia armazenaram inadequadamente lixo tóxico e falsificaram registros, segundo dados da empresa e grupos de defesa do trabalhador que, dentro da China, são considerados monitores independentes e confiáveis.

Mais preocupante ainda é o desprezo de alguns fornecedores pela saúde do trabalhador. Há dois anos, 137 funcionários de uma fornecedora da Apple a leste da China foram intoxicados depois de receber ordens para usar uma substância química venenosa para limpar as telas do iPhone. No ano passado, houve duas explosões em fábricas de iPad mataram quatro pessoas e deixaram 77 feridas. Antes mesmo destas explosões, a Apple havia sido alertada para as condições perigosas na fábrica de Chengdu. Íntegra: Trezentos.

WikiLeaks: Julian Assange produz entrevistas com ícones mundiais


Pública-Agência De Jornalismo Investigativo
Começam nos próximos dias as gravações para o novo projeto do WikiLeaks, uma série de entrevistas feitas por Julian Assange com personalidades que estão mudando o mundo – sejam revolucionários do Egito, pensadores, chefes de Estado. O título provisório da série é “O mundo amanhã”.

Serão no mínimo 10 capítulos de meia hora cada, transmitidos por canais a cabo nos EUA e na Europa, além da TV Russa RT, que já anunciou publicamente a parceria. Como não poderia deixar de ser, tratando-se do fundador do Wikileaks, as entrevistas serão disponibilizadas na internet e traduzidas para diversos idiomas – inclusive o português. Todas serão realizadas na Inglaterra, onde Assange permanece em prisão domiciliar há mais de um ano.

No dia 2 de fevereiro, aliás, acontece a batalha final com a justiça britânica: audiência na corte suprema sobre o pedido de extradição de Julian para a Suécia.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Prêmio Mulher Imprensa. Participe.


Saiu no Trezentos

Por Sérgio Amadeu*


A Pública (www.apublica.org) foi indicada a seu primeiro prêmio, o Troféu Mulher Imprensa. Marina Amaral concorre na categoria Reporter Web pelo trabalho publicado no site da agência este ano. É um reconhecimento importante para o jornalismo independente e um incentivo para todos que curtem nosso projeto. No grupo em que concorre, Marina é a única que não faz parte dos grandes portais da Internet. A conselheira da Pública, Eliane Brum, também concorre ao prêmio pela categoria mídias sociais, e a repórter Ana Aranha, recém-contratada pela Pública,na categoria Repórter de Revista. Para votar o link é: http://www.trofeumulherimprensa.com.br/8edicao/votacao_webjornalismo.asp; precisa confirmar pelo email. Veja algumas das matérias da Marina no último ano aqui, aqui e aqui”. Ajude a Pública a conquistar seu primeiro prêmio: vote nas representantes da Pública e envie este e-mail pra todo mundo!".


*Sóciologo e doutor em Ciência Política. Professor na Cásper Líbero. Ativista da liberdade na rede e do software livre.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Entrevista exclusiva com Peu Lima, baterista da banda Mamelungos de Recife


“Percebemos nos shows que mais pessoas cantam nossas músicas. E isto talvez seja resultado do nosso ideal, que é dar as músicas para o mundo. Disponibilizamos o disco para download com o intuito de também alcançar esse objetivo”.

Peu Lima – Baterista, compositor, arranjador e cantor – Mamelungos de Recife.

Foto: Paloma Amorim

Desde criança, Peu Lima, 28 anos, apresentava sensibilidade para tirar sons das cadeiras, mesas, e objetos que transmitissem sonoridades "similares" à bateria. Na infância, seu pai o colocava na cacunda para assistir diversos gêneros e ritmos carnavalescos do Recife e Olinda, em Pernambuco. As consequências surtem na batera. Dos bairros Casa Forte, Rosarinho e Parnamirim - Thiago Hoover, Luccas Maia, Weré Lima, Igor Bruno e Peu Lima são os Mamelungos de Recife. Confira!

Antonio Nelson – O nome da banda me remete no tempo em que meus pais me levavam no Recife para assistir os Mamulengos. Qual a identificação de vocês?

Peu Lima – É mais uma questão da cultura de Pernambuco. Coisa de criança lúdica. Fazemos com alegria. Com o intuito de gerar o bem comum da sociedade. E quando pensamos no nome, fomos inspirados também na mistura de raças, o Mameluco. Além disso, o Malungo de Chico Science. A união disso tudo gerou um nome forte aqui. Criou-se um conceito, um modo de vida, que é fazer o bem. Surgiu uma família composta não só por nós, mas pelos amigos, fãs etc. Como a gente costuma falar: “nós vamos mudar o mundo”. Acreditamos que temos essa possibilidade. Produzimos as músicas e entregamos para o mundo, e esta atitude nos dão muitas coisas boas em troca. Estimula perseverança!

A.N – Todos vocês são cantores, compositores e arranjadores. Um ar de ineditismo! Como é o processo de criação?

Peu Lima – Essa é uma boa questão. Muitos nos questionam por não possuir uma identidade sonora como nos viram em outros trabalhos. Mas, acreditamos que nossa identidade é justamente a pluralidade do som, a diversidade. Tocávamos em outros trabalhos, e já tínhamos feito apresentações juntos. Foi quando surgiu a ideia de reunir cada componente com suas músicas e fazer a banda. Pois, a união poderia dar certo. O processo de composição foi basicamente individual. Juntamo-nos, e cada um foi mostrando sua música. Depois concebemos a ideia de como seria. Cada um acrescentou seu instrumento e suas influências na música do outro, gerando uma mistura que agradou a nós e a nossos amigos. Diga-se de passagem, temos muitos amigos. Eles foram extremamente importantes para chegarmos até aqui. Depois de três anos de banda o processo mudou um pouco. Já sabemos como o outro toca e fica mais fácil conceber resultado final. Em geral, um faz a música e mostra. Os outros ouvem e acrescentam. Mas somos livres para dar ideias um para o outro.

Agora, por exemplo, vamos dar atenção a uma música que foi composta em parceria entre Luccas (vocal) e Igor ( guitarra). Fizemos Produção Fonográfica na Associação de Ensino Superior de Olinda (AESO). Isso contribuiu para que pudéssemos trabalhar em conjunto e desenvolver nosso trabalho no dia a dia. Ainda bem que crescemos num ambiente rico em cultura, e cultura musical nem se fala!

Temos a felicidade Silvério Pessoa como amigo nosso. Thiago Hoover toca com ele também. Chamamos Silvério para fazer uma participação num show nosso. Ele aceitou de imediatamente. E foi muito bom! Silvério chamou Hoover para tocar na banda dele... E assim vem sendo. Eles fizeram uma temporada na França com La Talvera, uma banda da Occitania. Estev na Holanda e na Bélgica também.

Participamos do show do Ventilador Sonoro com Otto e Academia da Berlinda. Na ocasião também convidamos Lula Queiroga, que já tinha nos convidado para participar do lançamento do novo disco dele. Cantamos "Atirador", em 10 de dezembro de 2011.

Crescemos escutando muita música boa... Para nós (risos). As influências vieram de muitas partes, mas principalmente de nossas famílias. Mas enfim, escutamos de tudo por aqui. Alguns têm mais influências do Rock, outros do Samba, mas a MPB estava sempre misturada! Posso dizer que no começo da múscia Fanfarra, a bateria é de Bossa Nova. Mas falo de MPB em geral: Geraldo Azevedo, Chico Buarque, Caetano... Alceu Valença.

Foto: Bruna Coutinho.

A.N – Maculelê, Caboclinhos, Ciranda, Maracatu de Baque Solto, e Baque Virado; Vassourinhas, Frevo... Gêneros e ritmos musicais múltiplos em Pernambuco. É desafiante reunir tudo?

Peu Lima – Crescemos ouvindo e escutando muita música boa (risos). As influências vieram de muitas partes, mas principalmente de nossas famílias. Escutamos de tudo por aqui. Alguns têm mais influências do Rock, outros do Samba, mas a MPB estava sempre misturada! De maneira até inconsciente. Agregamos e absorvemos muito da música pernambucana. Terminamos por acrescentar ao nosso som essa multiplicidade, mas de uma maneira que não foi forçada, entende? Não dissemos: aqui é um maracatu ou uma ciranda. As coisas foram fluindo e convergiram para arranjos com toques das raízes de Pernambuco. E é muito bom ter a possibilidade de reunir tudo. Somos bastante ecléticos e abertos a novos sons. Isso nos ajuda muito.

A.N – Quais os ícones locais e nacionais que lhes inspiram?

Peu Lima – Di Melo é um cara que a gente curte. Gilberto Gil, os Novos Baianos são massa! Lenine e Lula Queiroga também locais e nacionais. Pô! Eu mesmo ouvi muito Chico Science e Mundo Livre S/A.

A.N – O que torna o Carnaval do Recife Multicultural?

Peu Lima – A prefeitura divide o carnaval em pólos descentralizados. Assim pode fazer com que estilos musicais diferentes sejam apresentados. O povo pode ir de acordo com o som que agrada mais e tem a opção de conhecer outros trabalhos. É uma coisa bem interessante, pois não fica com aquela coisa de: Carnaval é frevo! Carnaval também é frevo!

A.N – Vocês dispõem o download do CD no site da banda. Quais as cosequências?

Peu Lima – “Percebemos nos shows que mais pessoas cantam nossas músicas. E isto talvez seja resultado do nosso ideal, que é dar as músicas para o mundo. Disponibilizamos o disco para download com o intuito de alcançar esse objetivo”.

Foto: Bruna Coutinho

A.N – Como descobriu a percussão? O que representa pra você?

Peu Lima – Tenho flashes de memória de quando era pequeno, acho que uns 03 ou 04 anos de idade, do meu pai batucando em tudo... Televisão, mesa, cadeira...E eu via aquilo e ficava impressionado. Mas era só a curtição dele... Ele só sabia tocar piano, e há muito não tocava, pois era obrigado pelos meus avós. Eu já acordava nos finais de semana com música e via meu pai batucando nos objetos... Então meus brinquedos eram instrumentos musicais de criança. Ele fez uma tuba para mim com um bocal de verdade, um arame envolto por uma mangueira e um pinico na extremidade! (risos). Mas o que mais me interessava era o batuque. Pedro Enock Ferreira de Lima, para ser mais exato.

Meu pai era morador de Olinda também... Então, todo carnaval eu ia pra casa dos meus avós e brincava carnaval no ombro do meu pai. O lugar que eu mais gostava de ficar era ao lado dos músicos das Orquestras de Frevo vendo eles tocarem. Era o melhor do carnaval.

Com meus amigos de prédio montamos uma banda e eu tocava atabaque. Viajamos para o exterior. Somos amigos de longas datas. Resolvemos comprar instrumentos de verdade! Meu amigo e eu compramos uma guitarra, cada um. Outro um violão, e o terceiro um baixo... Nada de bateria. Meu instrumento era a bateria, e o guitarrista só tinha um violão... Então,então vendi a guitarra a ele para comprar minha bateria...Isso em 1997... E estou até hoje.

Sempre tive o apoio da família. Penso que isso é um ponto crucial na carreira de um músico. meus pais vão aos shows. Mas meu pai vai menos. Ele viaja muito por causa do trabalho. Minha mãe vai sempre que o show é cedo! (risos). Ela sempre reclama dos horários! Mas ela é fanzona! Curte demais. Assim como os pais dos meninos.Link
A.N – Qual a relação de vocês com Olinda? Na música, Fanfarra, as tradições cLinkarnavalescas de Olinda são ilustradas.

Peu Lima – Olinda é uma terra diferenciada. A arte está no sangue dos que vivem lá. Em 2011, tocamos mais do que em qualquer outro lugar. O mercado Eufrásio Barbosa foi o local. Foram no mínimo cinco apresentações. Ganhamos vários amigos. O número de pessoas que curtem a banda aumentou bastante, e ainda está crescendo. Nossa música foi bem recepcionada por Olinda. Esperamos tocar muito por lá.

A.N – Em quais os lugares mais importantes vocês fizeram shows? Qual região o público impactou mais? Já tocaram em outros estados?

Peu Lima – O ano de 2011 foi muito bom para a banda. Já começamos na prévia do bloco Guaiamum Treloso. Abrimos os shows de Nando Reis e Otto. E em seguida rolou o Abril Pro Rock. A partir daí as pessoas passaram a olhar a banda com outros olhos. Estaremos em SP no mês de março. No You Tube temos vídeo da retrospectiva 2011. Fizemos um show incrível na Livraria Cultura. A livraria ficou cheia. As pessoas ficaram de fora... Emocionante foi tocarmos no carnaval na comunidade Alto José do Pinho, no Recife.



A.N – Na música, Ainda tô achando, vocês cantam: “e se a regra for mesmo correr feito um louco, quando eu ouvir o pipoco eu vou sentar no chão, no meio da multidão”. Vivemos num mundo caótico? Vocês são foras da lei como asseveram na composição?

Peu Lima – O mundo é caótico porque as pessoas não se respeitam. Somos fora da lei? Quem não é? Vivemos numa época em que as leis não condizem com a evolução dos hábitos e costumes da sociedade.



A.N – Nas composições de vocês é notável um tom infanto-juvenil. Lembro dos Saltimbancos. Alguma relação?

Peu Lima – A trilha sonora dos Saltimbancos é muito legal. Acho que pode ter alguma lembrança na música Colemim. Mas não foi nada pensado. Nossas músicas têm um estado de espírito jubiloso.

A.N – Luiz Gonzaga é homenageado pelo Galo da Madrugada em 2012. O que ele representa pra vocês?

Peu Lima – A canção "A Vida do Viajante" retrata uma vontade nossa de rodar o país.

Foto: Mamelungos

A.N – Quais são as expectativas para o Carnaval Multicultural do Recife 2012? E onde farão shows?

Peu Lima - Ficamos muito felizes quando soubemos que vamos tocar no carnaval. Participar de uma festa dessas é realmente muito bom. E vamos tocar na terça-feira (21/02), às 22h, fechando o carnaval, no pólo descentralizado do bairro de Casa Amarela, que é um dos maiores. Ano passado o show da Nação Zumbi foi muito bom por lá. Nas devidas proporções, não podemos deixar a peteca cair. Queremos fazer um show para manter esse nível!

Estamos fazendo um projeto de um show dos Mamelungos. Queremos fazer um bloco de carnaval: Bloco dos Mamela (risos). Provavelmente será em 2013. Estamos correndo com isso. Temos amigos e fãs. Uns vão pra Olinda, outros viajam, outros estão no Recife Antigo. Aí, queremos juntar todo mundo antes do carnaval pra se divertir. Estamos divulgando muito a música Fanfarra Frevo, que está na coletânea Pernambuco Frevando para o mundo, que será lançada neste sábado (28/01).



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