Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Pernambuco! Meu São João com o poeta Jorge Filó

Meu São João

Logo bem sedo, à tardinha
Vai se montando a fogueira
Preparando a brincadeira
Que vai ter mais a noitinha
Vai do terreiro a cozinha
De forró, xote e baião
De bomba, traque e rojão
Onde o Santo é convidado
Eis meu brinquedo animado
Assim é meu São João.

No alpendre o sanfoneiro
Da o tom mais ritmado
E o povo fica ajuntado
Debaixo do umbuzeiro
Se espalha pelo terreiro
Na maior animação
Tem cachaça com limão
Pamonha, milho e canjica
Pense numa festa rica
Assim é meu São João.



Jorge Filó  - Jorge Renato de Menezes é o nome de pia do poeta Jorge Filó. Nascido em Recife, logo nos primeiros meses, foi levado para morar no sertão do Pajeú, terra do pai e da mãe, e dos grandes mestres do repente, a começar pelo pai, poeta Manoel Filó, de quem herdou a alcunha. Sua poesia é fruto da hereditariedade, e de algo como um germe da poesia, que infecta toda família dos Filó. É neto, filho, irmão, sobrinho, primo e amigo de poetas. Viveu a infância entre as cidades de Recife, Tuparetama, São Jose do Egito e Arcoverde. Nesta última, viveu da adolescência a fase adulta, quando mudou-se para o Recife, onde reside até hoje. É produtor cultural, membro da Unicordel-PE (União dos Cordelistas de Pernambuco), produz a banda Vates e Violas e mantém este blog sobre poesia e cultura popular em geral, No pé da parede.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Celebração

Por Ruy Espinheira Filho

Se não vieste,

como celebrar a tua vinda?

A manhã é luminosa,
grande e belo será o dia
e certamente
grande e bela será também
a noite.

E não vieste.
Como sempre, não vieste.

Assim,
vou pôr rosas na mesa
e abrir o vinho,
para, mais uma vez, celebrar a tua
permanência.


Ruy Epinheira Filho enviou com exclusividade o poema: Celebração, do novo livro: Viagem & outros Poemas, para o Sentinelas da Liberdade.

Confira também:
O desabafo de Ruy Espinheira na Bienal do Livro da Bahia

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Gregório de Matos, o Boca do Inferno (Bahia ,1682)

DEFINE O POETA OS MAUS MODOS DE OBRAR NA GOVERNANÇA DA BAHIA, PRINCIPALMENTE NAQUELA UNIVERSAL FOME QUE PADECIA A CIDADE.

Que falta nesta cidade? ... Verdade.
Que mais por sua desonra? ... Honra.
Falta mais que se lhe ponha? ... Vergonha.

O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade, onde faltaVerdade, honra, vergonha.


Quem a pôs neste socrócio? ... Negócio.
Quem causa tal perdição? ... Ambição.
E o maior desta loucura? ... Usura.

Notável desaventura
De um povo néscio e sandeu,
Que não sabe que o perdeu

Negócio, ambição, usura.

Quais são meus doces objetos? ... Pretos.
Tem outros bens mais maciços? ... Mestiços.
Quais destes lhe são mais gratos? ... Mulatos.

Dou ao Demo os insensatos,
Dou ao demo o povo asnal,
Que estima por cabedal
Pretos, mestiços, mulatos.

Quem faz os círios mesquinhos? ... Meirinhos.
Quem faz as farinhas tardas? ... Guardas.
Quem as tem nos aposentos? ... Sargentos.

Os círios lá vêm aos centos,
E a terra fica esfaimada,
porque os vão atravessando
Meirinhos, guardas, sargentos.

E que justiça a resguarda? ... Bastarda.
É grátis distribuída? ... Vendida.
Que tem, que a todos assusta? ... Injusta.

Valha-nos Deus, o que custa
O que El-Rei nos dá de graça,
Que anda a justiça na praça
Bastarda, vendida, injusta.

Que vai pela clerezia? ... Simonia.
E pelos membros da Igreja? ... Inveja.
Cuidei, que mais se lhe punha? ... Unha.

Sazonada caramunha!
Enfim, que na Santa Sé
O que se pratica, é
Simonia, inveja, unha.

E nos frades há manqueiras? ... Freiras.
Em que ocupam os serões? ... Sermões.
Não se ocupam em disputas? ... Putas.

Com palavras dissolutas
Me concluo na verdade,
Que as lidas todas de um frade
São freiras, sermões, e putas.

O açúcar já se acabou? ... Baixou.
E o dinheiro se extinguiu? ... Subiu.
Logo já convalesceu? ... Morreu.

À Bahia aconteceu
O que a um doente acontece:
Cai na cama, e o mal lhe cresce,
Baixou, subiu, e morreu.

A Câmara não acode? ... Não pode.
Pois não tem todo o poder? ... Não quer.
É que o governo a convence? ... Não vence.

Quem haverá que tal pense,
Que uma Câmara tão nobre
Por ver-se mísera, e pobre
Não pode, não quer, não vence!

domingo, 23 de agosto de 2009

Amarelo de fome, Verde de medo

Sentinela - Luiz Humbert*

Embarquei
numa estrela
em ascensão

queimei
a mim mesmo
de ilusão

mas naveguei

pelo espaço enfim
astronauta de mim
naveguei

naveguei
vagando
naveguei

navegando
sem parar
eu ando

sem chegar a tempo.

Do livro: AMARELO DE FOME, VERDE DE MEDO – 500 E TANTOS ANOS DE COLÔNIA
*Luiz Eladio Humbert (Lalado) é poeta e letrista do: http://www.gramporock.blogspot.com/

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Amarelo de fome, Verde de medo



Sentinela – Luiz Eladio Humbert*

luiz.humbert.lalado@gmail.com

Hoje morreu um homem
na Praça da República

aposentado

nome
idade
endereço ignorado
tudo anotado
no formulário
da polícia.

cobriram o corpo
com jornal

hoje morreu um homem
na Praça da República
como morreria a pátria soberana
se fosse viva
e fosse povo
ou se não fosse
fantasia.


Do livro: AMARELO DE FOME, VERDE DE MEDO – 500 E TANTOS ANOS DE COLÔNIA
Autor: Luiz Humbert (lalado) é poeta e letrista do GRAMPO:
www.gramporock.blogspot.com

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Amarelo de fome, Verde de medo

(Mateus – 3, 10.)

Sentinela – Luiz Eladio Humbert*
luiz.humbert.lalado@gmail.com

Soldados
são homens
desarmados

homens fardados
matando pelo poder
para os senhores dos fardados

não são soldados

são ávores letais
transplantadas da terra
para torrões de lama

são lixo que flutua
rio abaixo

diante da lama e do lixo
o povo desunido
se cala
de fome e de medo

e engole lama e lixo

mas o silêncio
da fome e do medo
não haverá de estancar o tempo
que muda o homem
da água ao sal

como o suor ao vento

e o sal
é o sinal dos tempos

já o machado está posto
à raiz das ávores.

Do livro: AMARELO DE FOME, VERDE DE MEDO
Autor:
Luiz Eladio Humbert
(Lalado) é poeta, escritor e letrista do GRAMPO: http://www.gramporock.blogspot.com/

domingo, 12 de julho de 2009

CÂNTICO NEGRO (JOSÉ RÉGIO)



“Vem por aqui”, dizem-me alguns com olhos doces
Estendendo-me os braços e seguros
De que seria bom que os ouvisse,
Quando me dizem “Vem por aqui”

Eu olho-os com os olhos lassos
(Há nos meus olhos ironias e cansaços)
E cruzo os braços: nunca vou por ali.

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém
Que eu vivo com o mesmo sem vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí.
Só vou por onde me levam
Os meus próprios passos.
Se ao que busco saber, nenhum de vós responde,
Por que então me repetis: “Vem por aqui”?

Prefiro escorregar em becos lamacentos
Redemoinhar aos ventos
Como farrapos arrastar os pés sangrentos
A ir por aí.

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada.
O mais que faço não vale nada

Como pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?

Corre nas vossas veias o sangue velho dos avós
E vós amais o que é fácil
E eu amo o longe e a miragem
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tende estradas
Tendes jardins, tende canteiros
Tendes pátria e tendes teto
E tendes regras e tratados e filósofos e sábios
Eu tenho a minha loucura!
Levanto-a como um facho a arder na noite escura
E sinto espuma, e sangue, e cântico nos lábios



Deus e o diabo é quem me guiam, mais ninguém
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe,
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições,
Ninguém me diga “Vem por aqui”

A minha vida é um vendaval que se soltou
É uma onda que se alevantou
É um átomo a mais que se animou.

Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Sei que não vou por aí!
Os artigos assinados não representam necessáriamente a opinião do Sentinelas da Liberdade. São da inteira responsabilidade dos signatários. Sentinelas da Liberdade é uma tribuna livre, acessível a todos os interessados.