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quarta-feira, 12 de setembro de 2012
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Cibercultura
terça-feira, 31 de julho de 2012
Último dia da Campus Party Recife
9h30 – Oficina Introdução ao software livre:
conhecendo Linux Ubuntu – Centro Tecnológico de Cultura Digital Nascedouro de
Peixinhos
10h – Palestra Empresas de base tecnológica:
como funciona o sistema de incubação do ITEP – Geraldo Magela/INCUBATEP10h30 – Oficina Artes gráficas (edição de imagens com software livre – Gimp) – Centro Tecnológico de Cultura Digital Nascedouro de Peixinhos
11h30 – Oficina Artes gráficas (edição vetorial com software livre – Inkscape) – Centro Tecnológico de Cultura Digital Nascedouro de Peixinhos
12h00 – Oficina de robótica – Secretaria de Educação
15h – Oficina Multimídia (edição de vídeos usando Open Shot) – Centro Tecnológico de Cultura Digital Nascedouro de Peixinhos
16h30 – Oficina de robótica – Secretaria de Educação
17h – Oficina Multimídia (edição de áudio usando Audacity) – Centro Tecnológico de Cultura Digital Nascedouro de Peixinhos
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Cibercultura
'Preparados para a nova realidade?', pergunta vice-presidente do Facebook
Executivo da maior rede social do mundo esteve na Campus Party Recife. Alexandre Hohagen falou sobre a revolução do marketing de influência.
"Não temos muitos níveis hierárquicos, estimulamos a reflexão e a
capacidade das pessoas pensarem juntas. No meu time, por exemplo, todos
podem questionar. Temos uma cultura informal, despojada". Essa
afirmação traduz o espírito da maior rede social do mundo, que já
possui cerca de 955 milhões de usuários. O compartilhamento de ideias e
fotos, feito que tornou possível fazer do Facebook uma base de dados
diferente de todas as outras já existentes, esteve presente no espírito
da palestra.
'Fail harder'
Para o Facebook, alguns preceitos são fundamentais: "done is better than perfect" (feito é melhor do que perfeito, ou seja, é melhor sempre entregar mesmo que não esteja de acordo com as suas expectativas); "move fast and break things" (mova-se rápido e quebre coisas ou parâmetros), além do "fail harder" (erre feio). Há 15 anos, esses preceitos seriam inimagináveis no mundo corporativo.
Para o Facebook, alguns preceitos são fundamentais: "done is better than perfect" (feito é melhor do que perfeito, ou seja, é melhor sempre entregar mesmo que não esteja de acordo com as suas expectativas); "move fast and break things" (mova-se rápido e quebre coisas ou parâmetros), além do "fail harder" (erre feio). Há 15 anos, esses preceitos seriam inimagináveis no mundo corporativo.
Hohagen mostrou que existem três plataformas da empresa como
empreendimento: as páginas, os anúncios e as plataformas. O
publicitário-marketeiro-jornalista também falou da evolução do
marketing e da comunicação. "Há 15 anos, ele [o marketing] era feito em
180 graus. Depois, passou para 360 graus. Agora, ele tem de ser feito
durante 365 dias por ano. Este conceito de agências em 360 graus é o
menos importante. O que não pode faltar é iniciar e manter uma conversa
com as pessoas 365 dias ao ano".
O executivo também explicou o conceito de sociedade da informação
instantânea e que, nela, a tecnologia está mudando, mas o comportamento
humano, não. Ele destacou ainda a importância das redes sociais nas
estratégias de marketing e relações-públicas das empresas. Falou da
indústria de games e o seu desenvolvimento pelo conceito do "social by
design". "Há uma mudança na forma de se comunicar nesta geração, que
deixou de ser linear. Destaco ainda que hoje existe a capacidade e o
poder de armazenamento de dados, além da conectividade. Isso mudou
tudo", afirmou.
Atualmente, a rede social possui 955 milhões de usuários, dos quais
540 milhões acessam o Facebook via celulares, smartphones e tablets.
Além disso, 550 milhões dessas pessoas acessam o FB todos os dias.
Hohagen finalizou a palestra questionando: "o mundo está mudando e
mudando muito rapidamente, mas o comportamento humano, não. Vocês estão
preparados para esta nova realidade?".
'Acredito no Recife'
Em entrevista ao G1, o executivo comentou a realização de um evento como a Campus Party fora do eixo Rio-SP. "Eu acho sensacional a experiência dessa descentralização. Recife é um polo de tecnologia no País. A importância de vir aqui e compartilhar a minha experiência é profissional e há uma satisfação pessoal nisso também. Gostaria de influenciar as grandes empresas do eixo Rio-SP para vir aqui também. Acredito no Recife. Conheço o trabalho do C.E.S.A.R e acho que está na hora de dar espaço às pessoas daqui focadas em desenvolvimento".
Em entrevista ao G1, o executivo comentou a realização de um evento como a Campus Party fora do eixo Rio-SP. "Eu acho sensacional a experiência dessa descentralização. Recife é um polo de tecnologia no País. A importância de vir aqui e compartilhar a minha experiência é profissional e há uma satisfação pessoal nisso também. Gostaria de influenciar as grandes empresas do eixo Rio-SP para vir aqui também. Acredito no Recife. Conheço o trabalho do C.E.S.A.R e acho que está na hora de dar espaço às pessoas daqui focadas em desenvolvimento".
Perguntado sobre o que seria necessário para quem está começando e
deseja trabalhar com redes sociais, Hohagen ressaltou a importância de
saber o que se quer. "Pensar sobre isso é uma coisa que a gente faz
pouco. Nos EUA e na Europa, há uma cultura de orientar melhor os jovens
para saber quais são as suas reais habilidades. Além disso, o conceito
de empresa mudou. Não existem mais os níveis hierárquicos. Algumas
pesquisas apontam que o que as pessoas consideram essencial hoje em dia
é o ambiente de trabalho e a capacidade de inovar dentro das
companhias", finalizou.
Formado em Jornalismo e Publicidade, com mestrado em Recursos
Humanos, Alexandre Hohagen começou a carreira em 1987, na área de
comunicação e marketing da Dow Chemical Company, onde passou de
estagiário a gerente de relações públicas para a América Latina. Em
seguida, assumiu cargos de liderança em multinacionais como a
Boehringer Ingelheim e do ABN Anro Bank. Em 200, ingressou no UOL
(Universo Online), trabalhando em diversas funções, como chefe de
vendas globais nos EUA e vice-presidente de publicidade e e-commerce.
Depois, tornou-se gerente geral da HBO no Brasil, onde liderou as
operações de vendas de publicidade em canais premium. Em 2005, foi
convidado a implementar o Google no Brasil, como gerente geral da
companhia.
A trajetória em uma das gigantes da tecnologia decolou em 2008,
quando foi nomeado diretor geral para a América Latina, operação que
envolvia mais de 20 países e escritórios na Argentina, Brasil, Chile,
Colômia, Peru e México. Desde fevereiro de 2011, é o vice-presidente do
Facebook na América Latina e responsável pela implementação da empresa
na região.
via: g1pe
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Cibercultura
terça-feira, 24 de julho de 2012
Facebook tem que comprovar a rentabilidade de seus anúncios
Saiu no Nassif
Do O Globo
Rede Social terá que provar a Wall Street sua rentabilidade em anúncios
Na corrida por dólares de publicidade digital, o Google foi o grande vencedor, graças à sua capacidade de personalizar anúncios com base no que o internauta procura. Mas o Facebook, que personaliza os anúncios com base em quem são os usuários e seus amigos, espera ser um competidor. Um teste importante sobre sua performance acontecerá na quinta-feira, 26 de julho, quando a rede social divulgará seus primeiros ganhos em números.
Na corrida por dólares de publicidade digital, o Google foi o grande vencedor, graças à sua capacidade de personalizar anúncios com base no que o internauta procura. Mas o Facebook, que personaliza os anúncios com base em quem são os usuários e seus amigos, espera ser um competidor. Um teste importante sobre sua performance acontecerá na quinta-feira, 26 de julho, quando a rede social divulgará seus primeiros ganhos em números.
O Facebook fez sua oferta pública inicial em maio deste ano com uma
valorização de saltar aos olhos, mas desde então, o preço das ações só
despencou. A publicidade, em grande parte nos Estados Unidos, é
responsável pela maior parte da receita da empresa e por isso, está sob
intensa pressão para mostrar que está crescendo rápido o suficiente a
ponto de justificar seu alto valor.
Em suma, para agradar Wall Street, o Facebook deve primeiro obter
favores com a Madison Avenue, e está lutando para fazer exatamente isso.
"Os anunciantes precisam de mais uma prova de que a publicidade no
Facebook oferece um retorno sobre o investimento", disse Debra Aho
Williamson, analista da empresa de pesquisa de mercado eMarketer. "Não
há discordância sobre se o Facebook é a próxima grande empresa na
internet ou se ele vai falhar miseravelmente."
O recurso diferencial do Facebook é a pilha de dados pessoais que
recolhe de 900 milhões de usuários. Mas usar esses dados em publicidade
de modo rentável é uma tarefa assustadora. O Google tem sido o mais
antigo player nesse mercado e tem cerca de US$ 40 bilhões em receita
anual de publicidade — 10 vezes maior que o Facebook. Desde sua oferta
pública, Wall Street tem temperado suas expectativas para a receita de
publicidade do Facebook e as ações fecharam na última sexta-feira, 20
de julho, em US$ 28,76, uma queda no seu preço inicial de US$ 38.
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segunda-feira, 23 de julho de 2012
Mostra destaca nova produção do Nordeste
De Octaviano Moniz (Salvador, Bahia)
Saiu na Folha
23/07/2012
-
04h35
Mostra destaca nova produção do Nordeste
DE SÃO PAULO
Uma pensão no largo Dois de Julho, em Salvador, abriga os travestis que
fazem programa nas redondezas. Virgínia Medeiros mergulhou na história
deles e montou um estúdio fotográfico em que retratou esses personagens
em troca de suas histórias.
Seus relatos em vídeo e contos que a artista escreveu estão agora
numa exposição do Paço das Artes, "Metrô de Superfície", uma coletiva
de artistas do Nordeste que despontaram na última década.
Nesse recorte, a indefinição de gêneros surge como um denominador
comum. "São artistas que reinventam a sexualidade, que criam grandes
ficções", resume Clarissa Diniz, curadora da mostra. "Eles fazem
trabalhos emancipadores, de grande fôlego, obras que explodem."
Solange Tô Aberta, banda criada pelo artista Pedro Costa, também
exalta a ideia de gêneros híbridos em letras de funk hedonistas e shows
catárticos que faz pelo mundo.
"Funk é uma forma livre de trabalhar com a música, falar dessa
mulher que goza, não mais submissa", diz Costa num vídeo exibido no
Paço. "As pessoas sofrem quando não estão enquadradas como macho ou
como fêmea."
| Obra de Amanda Melo, que está em mostra coletiva do Paço das Artes |
| Obra de Amanda Melo, que está em mostra coletiva do Paço das Artes |
Essa inquietação com o corpo também informa outros trabalhos da
mostra. Rodrigo Braga simula uma cirurgia em que costura o focinho de
um cachorro morto ao próprio rosto, com uma sequência fotográfica da
operação.
Noutra peça desconcertante, Solon Ribeiro projeta fotogramas de
filmes clássicos sobre carcaças de bichos num matadouro e aparece
dançando com pedaços de carne, uma "cena dionisíaca, violenta, que
mistura sangue e morte", nas palavras de Diniz.
Dor é outro ponto de partida. Amanda Melo faz uma performance em que
cobre todo o corpo com fita isolante e caminha pelas ruas, arrancando
depois o plástico num strip-tease às avessas -a imagem de uma
sexualidade em construção. (Silas Martí)
METRÔ DE SUPERFÍCIE
QUANDO de ter. a sex., das 11h30 às 19h; sáb. e dom., das 12h30 às 17h30; até 13/9
ONDE Paço das Artes (av. da Universidade, 1, tel. 3814-4832)
QUANDO Grátis
QUANDO de ter. a sex., das 11h30 às 19h; sáb. e dom., das 12h30 às 17h30; até 13/9
ONDE Paço das Artes (av. da Universidade, 1, tel. 3814-4832)
QUANDO Grátis
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terça-feira, 17 de julho de 2012
Anonymous vaza senhas de e-mails de cinco gigantes da indústria petrolífera
Grupo hacker espera conseguir informações que liguem multinacionais com crimes ambientais no Ártico
"As companhias de energia que causaram o derretimento do Ártico estão conseguindo lucrar com o desaparecimento do gelo. Eles querem abrir uma nova fronteira para o óleo e gerar potenciais 90 bilhões de barris de petróleo", explica um porta-voz mascarado. "Documentos governamentais classificados mostram que lidar com vazamentos de petróleo no gelo é 'quase impossível', e os erros inevitáveis advindos disso podem prejudicar ainda mais o frágil ambiente do Ártico".
Com a publicação dos endereços, o grupo hacker espera conseguir invadir os e-mails de forma colaborativa, já que a grande maioria das contas está protegida por criptografia. A lista conta com 724 senhas criptografadas, 317 senhas ocultas com hash MD5 e mais 26 senhas que não estavam protegidas, de acordo com o site NovaInfosec.
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Cibercultura
terça-feira, 3 de julho de 2012
Canto do Sanção: Uma bodega para fluir a imaginação e relaxar
Por Sanção Maia
É difícil manter uma reputação.
Duas então é complicadíssimo! Nesse momento, mantenho a carreira mais
lucrativa: assassina profissional. Engraçado pensar nisso enquanto termino de
catar os miolos de Gilseu Vasconcelos, também conhecido como Gil Catiça. Esse
cara – quando você mata e sente o cheiro das suas hemorróidas pútrefatas, você
entende o motivo de ser chamado de Catiça - roubou outro cliente meu, do meu
outro emprego: detetive particular. É estranho, mas é conveniente - afinal é
muito bom você receber dinheiro de dois caras, um deles morrer e não te cobrar
o término do seu serviço com ele. Esse meu outro cliente é um ricaço que
descobriu que o Catiça roubou uns milhões dele durante uma negociação com uns
norte americanos. Sei que é uma fachada para trazer drogas para o Brasil – o
documento oficial diz que eles vão trazer lençóis para hospitais-, mas tenho
que garantir o meu né? O cara me contratou tanto como detetive quanto como
matadora, só que não sabe que tenho os dois empregos. Ai que nojo essas
"tripas" cerebrais!
Confira na íntegra: Canto do Sanção
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
Começa em Salvador Simpósio Internacional A Vida Secreta dos Objetos
Saiu no André Lemos
O Simpósio Internacional A Vida Secreta dos Objetos: Novos Cenários
da Comunicação (Medialidades, Materialidades, Temporalidades) traz a
Salvador (BA), no dia 6 de agosto, a terceira etapa do seu ciclo de
debates, com pesquisadores de renome mundial como Bruno Latour, Graham
Harman, Richard Grusin e Siegfried Zielinski.
Em Salvador o evento é uma realização do Grupo de Pesquisa em Cibercidade (GPC) do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Facom/UFBa em parceria com o ICBA/Goethe-BA.
O simpósio é uma parceria entre oito programas de pós-graduação em Comunicação (UERJ, UFF, UFRJ, PUCRJ, UFBA, ESPM-SP, PUC-SP, UFC), um em Letras (UFF), dois grupos de pesquisa (GPC e Vilém Flusser Archiv) e duas instituições internacionais (Universität Wien e Universität der Künste Berlin). “A Vida Secreta dos Objetos” é uma iniciativa de caráter inédito no país, devido à sua perspectiva eminentemente interdisciplinar, unindo domínios como o da Comunicação Social, da Literatura e da Filosofia.
Dividido em quatro etapas (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Fortaleza), o Simpósio conta com seminários gratuitos, mobilizando cerca de 12 convidados internacionais e 8 nacionais entre os dias 30 de julho e 8 de agosto, promovendo a discussão de temas, teorias e perspectivas metodológicas da pesquisa mundial, com reflexões sobre novos paradigmas, epistemologias e cenários intelectuais relevantes para os campos envolvidos.
Em Salvador, as mesas e palestras reúnem pesquisadores como André Lemos, Vinicius Andrade Pereira, Erick Felinto, Adalberto Müller, Graham Harman, Siegfried Zielinski, Richard Grusin e Bruno Latour.
Programa, informações e pré-inscrições no site. A pré-inscrição não garante acesso. O acesso ao evento será por ordem de chegada e no limite da capacidade do auditório. O evento é gratuito com tradução simultânea.
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sexta-feira, 22 de junho de 2012
ENTREVISTA / GAVIN MACFADYEN “Julian Assange está bem, com bom humor”
![]() |
| Em entrevista à Pública, Gavin MacFadyen fala das manifestações de apoio que o fundador do Wikileaks tem recebido e do que viu e ouviu na embaixada do Equador em Londres |
Observatorio da Imprensa
Por Natalia Viana em 22/06/2012 na edição 699
Reproduzido da Agência Pública, 21/6/2012
“Eu fiquei chocado”, conta por telefone o jornalista americano Gavin MacFadyen, amigo de Julian Assange, diretor do Centro de Jornalismo Investigativo da City University, em Londres (CIJ) e conselheiro da Pública. “Julian não contou para ninguém que iria pedir asilo, para não nos colocar em dificuldades.” Segundo o jornalista, que dirigiu alguns dos mais famosos programas de jornalismo investigativo da televisão britânica, Assange recebeu uma carta de apoio à sua luta pela não extradição do cineasta Michael Moore e outras manifestações de nomes de peso, como os jornalistas Philip Knightley e John Pilger.
Uma delegação de movimentos sociais da Aliança Bolivariana das Américas (Alba) – da qual o brasileiro MST faz parte – entregou um documento na quinta-feira (20/6) pedindo que o presidente equatoriano Rafael Correa dê asilo a Assange. João Pedro Stedile, líder do MST, explicou durante o encontro: “Assange lidera a batalha contra os americanos e o monopólio da informação. Então, nós pedimos, em nome dos movimentos sociais, que o Equador possa recebê-lo”.
Para MacFadyen, porém, mesmo se o Equador conceder asilo
diplomático, “Julian vai ficar por lá [na embaixada] durante muito
tempo”. Leia a entrevista.
Você esteve ontem [20/6] na embaixada no Equador em Londres. Como está a situação? Tensa?
Gavin MacFadyen– A atmosfera é muito boa, até de maneira surpreendente. Julian está bem, com bom humor. E os funcionários da embaixada são muito solícitos, mais do que eu esperava. O quarto onde Julian está dormindo é um escritório muito pequeno. Ele dorme em um colchão inflável, desses de acampamento, no meio de algumas mesas. Mas durante o dia ele está com a sua equipe o tempo todo, trabalhando normalmente.
Por que o Equador?
G.MF. – Nada disso aconteceu de uma hora para outra, eu acredito que muitas coisas devem ter pesado na escolha. Mas Julian recebeu uma oferta de residência no Equador há dois anos, e o mensageiro disse que se ele estivesse em dificuldade poderia ir para a embaixada. Na entrevista que Correa deu a Julian para o programa O mundo amanhã, ficou claro que ambos compartilhavam críticas à política externa americana, eles até riram juntos ao falar disso.
Mas foi uma decisão que te surpreendeu? Foi repentina?
G.MF. – Olha, obviamente deve ter havido discussões anteriores, não é algo que se faz assim de uma hora para outra. Mas nós, os amigos mais próximos, não sabíamos de nada. Julian preferiu não contar a ninguém porque qualquer um que soubesse que ele planejava pedir asilo político seria obrigado por lei a entregá-lo às autoridades. Se alguém soubesse, poderia ser responsabilizado legalmente, então ele decidiu não avisar a ninguém – nem aos que deram dinheiro para a sua fiança – para protegê-los.
A imprensa tem noticiado que aqueles que pagaram sua fiança, como Michael Moore, o jornalista Philip Knightey e a socialite Jemima Khan, ficaram surpresos e decepcionados com o ato. Eles podem perder seu dinheiro.
G.MF. – Olha, eu falei com muitos deles. Todos ficaram surpresos, mas, no momento em que entrou na embaixada, Julian mandou uma carta a todos eles se explicando. Eu também fiquei chocado quando soube disso, como todo mundo. Mas se você pensa um pouco, percebe que houve uma reflexão séria que antecedeu esta decisão. Tanto que todos os apoiadores deles que pagaram a fiança, pelo menos os com que falei, mandaram cartas de apoio depois de receberem a carta de Julian. O jornalista Philip Knightley mandou um email, e o Michael Moore enviou uma carta de apoio.
Mas diversos jornais têm afirmado que os apoiadores estão se afastando de Julian.
G.MF. – Isso não é verdade. Michael Moore enviou
uma carta oferecendo seu apoio e dizendo que entendia por que Julian
tinha tomado esta decisão. Eu li essa a carta. A questão é: se há
perigo de Julian ser entregue aos EUA, então a decisão que ele tomou
foi correta.
Gavin, você é americano. Você acredita que existe este risco?
G.MF. – Eu acho que há um perigo potencial. E eu
vou te dizer por que. Há um júri secreto que está se reunindo no estado
da Virgínia há mais de um ano, e todas as decisões tomadas pelo júri
são secretas. O governo dos EUA admitem que ele existe, mas não fala o
que está sendo decidido ali. Basicamente eles estão testando uma
acusação formal que deve ser feita contra o Julian. Estão buscando um
tribunal que concorde em emitir um pedido de extradição. É esse o
propósito do júri secreto. Advogados costumam dizer que um júri deste
tipo, que existe nos EUA, consegue incriminar até um sanduíche de
presunto. E o pior é que há muito segredo sobre o que está acontecendo,
ninguém sabe o que se passa. É sinistro. Outra coisa: quatro membros do
Comitê Nacional Republicano pediram a morte de Assange, dizendo que ele
deveria ser caçado e assassinado. Eu nunca ouvi falar em algo assim em
toda minha vida. E o próprio [Barack] Obama, em um evento público,
disse que Assange violou as leis, que ele é culpado. Como alguém pode
ser considerado culpado antes de ter havido qualquer julgamento?
Mas daí a buscar de fato a extradição…
G.MF. – Veja, os Estados Unidos são a única
potência mundial que admite sequestrar pessoas. Eles têm uma política
de assassinar pessoas no exterior quando são consideradas inimigas.
Afinal, eles fazem sequestros, rendições extraordinárias quando é o
caso. E todos sabem que os EUA gostariam de vê-lo preso. Algumas das
acusações que estão cogitando fazer contra ele são a prisão perpétua ou
pena capital. Estão cogitando acusá-lo de espionagem, ou de assessorar
o inimigo – já se chegou a dizer que ele teria auxiliado a Al Qaeda,
por exemplo, com os vazamentos no Afeganistão, o que é uma loucura
completa.
A cobertura da batalha judicial de Assange mudou muito de tom desde o vazamento dos documentos diplomáticos. Hoje em dia grande parte da cobertura é bastante negativa. Qual a sua visão sobre isso?
G.MF. – Os veículos que decidiram ser hostis a
Assange continuam sendo. Hoje [21/6] de manhã, por exemplo, alguns
veículos reportavam que ele estavam com a barba por fazer. É terrível.
Há grandes e importantes exceções, mas grande parte da mídia tem sido
hostil à figura do Julian. Os jornais falam pouco dos documentos, não
analisam seriamente o papel do WikiLeaks, o jornalismo do WikiLeaks,
eles sugerem que Assange é um homem horrível, que tem maus hábitos, uma
bobajada.
Não há uma sensação de que ele deveria ir encarar a justiça sueca de uma vez?
G.MF. – Sim, há um sentimento de que ele deveria
ir à Suécia, mas muitas pessoas não se sentiram confortáveis com o fato
de que ele deter muitos documentos secretos. Muitos jornalistas acham
que ele é um anarquista, um homem louco, uma pessoa difícil de lidar.
Mas uma parte disso é porque ele fez a grande imprensa a fazer coisas
que ela não queria fazer.
Como por exemplo?
G.MF. – Como, por exemplo, sentarem todos na mesma mesa e colaborarem. O Guardian e o New York Times em particular, queriam exclusividade sobre os documentos, eles acharam que Julian era um nerd
que eles iam conseguir dobrar, mas mudaram quando perceberam que ele é
inteligente, e que manteve a mesma linha desde o começo. Eles não o
convenceram, e ficaram muito bravos, todo mundo começou a acusar todo
mundo... Em alguns casos, é uma questão de inveja mesmo. É um cara que
não é um jornalista conhecido e respeitado, e de repente dá mais furos
em alguns dias do que toda a imprensa ocidental em um ano. Eles odiaram
isso. Além disso, Julian não segue as regras e normas deles, ele tem
seu jeito de fazer as coisas.
Você considera Julian Assange um jornalista?
G.MF. – Claro, por qualquer critério que você
quiser medir. Há algumas semanas ele recebeu o maior prêmio de
jornalismo na Austrália, e é membro da associação australiana de
jornalistas há muitos anos. Não há a menor dúvida que alguém que recebe
documentos, que publica informações, que defende a liberdade de
informação, que escreve sobre elas e produz material jornalístico é um
jornalista. Mas essa é uma falsa discussão. Porque o problema é que
quem diz que ele não é jornalista está retirando a proteção que a
Constituição americana dá aos jornalistas. E isso é muito perigoso não
só para o Julian, mas para todos os jornalistas.
Se o Equador der asilo político a Julian, o que acontece?
G.MF. – Está claro que se ele colocar o pé para
fora da embaixada ele será preso, então vai ficar por lá durante muito
tempo. Eu acredito que casos assim levam algum tempo para ser
esquecidos, depois pode haver um acordo baseado em algum aspecto
técnico, mas no final os britânicos vão concordar em deixá-lo ir se
ganharem algo com isso. Depende de o Equador decidir se estão dispostos
a pagar um preço por isso.
Você acredita que Rafael Correa vai garantir asilo a Julian?
G.MF. – Eu não sei. Espero que sim. O que ficou
claro durante a minha visita à embaixada é que o pessoal lá tem sido
muito amigável, caloroso e generoso. Eles estão tratando o Julian muito
bem, então há uma postura obviamente amigável. Mas é claro que eles
terão que procurar todo o auxílio jurídico necessário. Alguns jornais
estão dizendo que deve sair uma resposta hoje [quinta, 21], mas eu acho
impossível. O governo do Equador já disse que terá que conversar com o
Reino Unido, a Suécia e os Estados Unidos – o que é uma prova de como
eles estão conscientes de que o governo americano tem interesse em
extraditá-lo.
O governo de Obama iria até o fim na busca da extradição? O próprio governo é acusado de vazar documentos para a imprensa...
G.MF. – Olha, o governo de Obama é ainda pior do que o governo Bush neste aspecto. Ele processou mais whistleblowers (informantes) do que qualquer presidente americano, e endureceu as regras internas do governo para quem vaza informações. Até o New York Times criticou duramente Obama por isso. E é claro, o caso de Bradley Manning é responsabilidade do governo Obama. É um caso terrível, se você pensar. Um jovem rapaz que já está sofrendo uma punição não usual e brutal, pela administração Obama. O que eles estão fazendo com Manning é tão sério que um membro do alto escalão do Departamento de Estado pediu demissão em protesto.
G.MF. – Olha, o governo de Obama é ainda pior do que o governo Bush neste aspecto. Ele processou mais whistleblowers (informantes) do que qualquer presidente americano, e endureceu as regras internas do governo para quem vaza informações. Até o New York Times criticou duramente Obama por isso. E é claro, o caso de Bradley Manning é responsabilidade do governo Obama. É um caso terrível, se você pensar. Um jovem rapaz que já está sofrendo uma punição não usual e brutal, pela administração Obama. O que eles estão fazendo com Manning é tão sério que um membro do alto escalão do Departamento de Estado pediu demissão em protesto.
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quinta-feira, 21 de junho de 2012
Por que Assange escolheu o Equador?
Duas partes vinham ensaiando aproximação havia algum tempo.
A decisão do fundador do WkiLeaks, Julian Assange,
de buscar asilo no Equador pode ter surpreendido muitos já que, este
ano, o país vem sendo acusado internacionalmente de reprimir a imprensa
privada.
Mas o governo equatoriano já vinha ensaiando uma aproximação com o jornalista australiano havia algum tempo.
Em novembro de 2010, o ex-vice-ministro das Relações Exteriores
equatoriano Kintto Lucas ofereceu a Assange residência no país, para
que pudesse 'divulgar livremente as informações que possui'.
A oferta foi rapidamente retificada pelo governo do presidente Rafael Correa
como sendo uma oferta feita por iniciativa própria de Lucas. À época, o
líder do país chegou a criticar o WikiLeaks por divulgar documentos
confidenciais.
Mas em abril de 2011, o Equador expulsou a embaixadora americana após revelações - feitas pelo WikiLeaks
- nas quais ela sugeria que Correa estaria ciente de acusações de
corrupção feitas contra um chefe de política promovido a comandante de
uma força nacional.
Desde então, Assange tem mantido contato próximo com a embaixada do Equador em Londres.
Entrevista
Muitos apontam como um divisor de águas nesta relação a entrevista conduzida em abril por Assange com Correa para o canal em inglês, financiado pelo governo russo, Russia Today.
Durante os 75 minutos de entrevista, Correa elogiou o trabalho da
WikiLeaks, defendeu a liberdade de expressão, criticou o papel negativo
de alguns órgãos de imprensa e encerrou o encontro com uma saudação
amigável para Assange:
'Bem-vindo ao clube dos perseguidos!', disse o mandatário sul-americano.
Na entrevista, Correa também disse que os documentos publicados
pela WikiLeaks fortaleceram seu governo 'porque as grandes acusações da
embaixada americana eram que o governo do Equador promove um
nacionalismo excessivo e defende sua soberania'.
'Sem dúvida somos nacionalistas e defendemos a soberania do país',
disse Correa, que foi o único presidente latinoamericano entrevistado
pelo programa, que já recebeu personalidades como o líder do Hezbollah,
Hassan Nasrallah e o presidente da Tunísia, Moncef Marzouki.
Estratégia
Atualmente, o Equador decide se dá asilo político a Assange, que está refugiado na embaixada do país em Londres. O australiano luta contra a extradição para a Suécia onde enfrenta acusações de crimes sexuais.
Ele diz que as acusações são motivadas politicamente.
Analistas consideram que a concessão de asilo para Assange pode ser
uma medida inteligente do governo Correa, que deve tentar a reeleição
no ano que vem. Ela pode ser uma oportunidade de mudar a percepção de
que persegue a imprensa.
Correa se diz vítima da imprensa privada equatoriana, que historicamente serviu os interesses das elites econômicas do país.
No começo do ano, ele ganhou dois processos milionários contra
jornalistas. O jornal 'El Universo' foi multado em US$ 40 milhões e
seus donos condenados a três anos de prisão.
Dois jornalistas investigativos foram multados em US$ 10 milhões
por terem difamado a reputação do presidente em um livro que trouxe
detalhes de contratos governamentais.
Após duras críticas internacionais, Correa perdoou os jornalistas.
O editor do jornal privado 'Hoy', Marlon Puertas, disse à BBC que
'se há algum mérito que devemos reconhecer neste governo é que nunca
toma uma decisão improvisada'.
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sexta-feira, 8 de junho de 2012
Angélica Criss chega mais perto dos pernambucanos
![]() |
| Foto: Nilton Leal |
Desde
criança, a cantora e compositora pernambucana Angélica Criss esteve em
contato com a MPB. Nascida na cidade do Recife e criada no bairro de
Rio Doce, em Olinda, teve seus domingos embalados por cantores como,
por exemplo, Nelson
Gonçalves, Cartola, Noel Rosa e Noite Ilustrada. “Todas essas
influências foram por causa de um vizinho que tínhamos. Ele sempre
realizava uma seresta na casa dele e era impossível não apreciar
aquelas músicas. Isso tudo foi associado ao gosto dos meus pais (Ricardo Souza e Lindinalva Souza), pois sempre foram fãs de Roberto Carlos, Gal Costa, Maria Betânia, entre outros”, explicou Criss.
Durante
a adolescência, Angélica participou de corais religiosos e também de
festas beneficentes. “Não tem coisa que me emocione mais do que um
coral. Sempre tive essa paixão pela música, mas, com o tempo, casei e
tive filho. Por esse motivo, os meus planos musicais ficaram um pouco
de lado.” A
decisão de seguir o caminho artístico profissionalmente veio aos 27
anos e se deu depois de ser convidada por uma prima para cantar no
aniversário de oitenta anos da sua avó como forma de homenageá-la. “Depois
do aniversário, o pessoal queria que eu continuasse a cantar. Isso foi
mais ou menos no ano de 2007.” A partir desse momento, a cantora foi
apresentada ao músico Ronnie Cruz e, posteriormente, a Dayvson Resgllar e não parou mais de cantar. “Formamos então a banda Andaros (nome formado pela soma de Angélica, Dayvison e Ronnie)”, pontuou.
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| Foto: Nilton Leal |
Cantando
em barzinhos e em diversos eventos, Angélica Criss amadureceu e
aperfeiçoou a sua música. Como sempre gostou de escrever, demorou um
pouco, no entanto, ao passar do tempo, percebeu que os seus “escritos”
eram, de fato, letras de músicas e que já vinham acompanhadas de
melodia. “Nunca
fiz aula de canto e não toco nenhum tipo de instrumento. Eu componho em
qualquer lugar. Acho que é um dom, pois vem como um estalo, algo
automático, como alguém sussurrando em meu ouvido. Não sei explicar, só
escrevo e curto o resultado. É uma coisa imaginária, porque eu consigo
visualizar a cena na minha cabeça e também me inspiro nas paisagens do
cotidiano. Enfim, a mente do compositor é muito louca”, argumentou.
Com
o tempo, por causa das atribuições e dos compromissos pessoais dos
integrantes da banda Andaros, o grupo se dissolveu. Entretanto, o sonho
de Criss continuou vivo. Em janeiro deste ano, ao chegar a sua casa,
viu pela TV que as inscrições da Mostra São Paulo Exposamba estavam abertas para compositores de todo o Brasil. “Decidi inscrever o samba Seu tempero,
que é de minha autoria, e cheguei à final entre os 10 primeiros mais
votados da internet. Foram, ao todo, 1.600 inscritos, 200
pré-selecionados e apenas 40 estiveram na semifinal. Foi uma
experiência maravilhosa.”
Com músicas
inspiradas em ritmos como samba, reggae, blues, pop e baladas
românticas, Angélica busca na MPB um ritmo suave e doce, interpretando
novos e antigos nomes da música popular brasileira. Atualmente, a
cantora e compositora pernambucana continua sua caminhada profissional
e está trabalhando na divulgação de músicas autorais que farão parte do
seu primeiro CD. “Tudo já está pronto e estamos apenas finalizando a
capa.” O álbum, intitulado Angélica Criss mais de perto, contém
10 faixas e faz um passeio pelo samba de raiz e o batuque africano,
entre outros ritmos que adoçam os ouvidos dos apaixonados pela boa
música popular brasileira.
Contatos:
(81) 9927-3606www.palcomp3.com/criss
www.twitter.com/angelicacriss
www.criss30.blogspot.com
www.angelicacriss.tumblr.com
* Gianfrancesco Mello é jornalista e assessor da Agenda Cultural do Recife.
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sexta-feira, 27 de abril de 2012
domingo, 22 de abril de 2012
Lenine e a Esquizoanálise
O único Esquizoanalista do Recife (PE), Ciclotron Irajá, interpreta a música Envergo Mas Não Quebro
É um artista que sabe se movimentar. Tem corpo para isso e sabe que nem todo mundo está preparado para esse mar infinito das possibilidades quânticas. Mas dá o seu recado namastê! Um verdadeiro Samurai.
Se por acaso pareço
E agora já não padeço
Um mal pedaço na vida
E agora já não padeço
Um mal pedaço na vida
Saiba que minha alegria
Não é normal todavia
Com a dor é dividida
Não é normal todavia
Com a dor é dividida
Eu sofro igual todo mundo
Eu apenas não me afundo
Em sofrimento infindo
Eu apenas não me afundo
Em sofrimento infindo
Tem muita gente enlouquecendo
com esse capitalismo esquizofrênico. E pensam que seus problemas são
pessoais (Krisnamurti - A Rede do Pensamento - "Nossos problemas não são
individuais, são coletivos. São os mesmos para todos"). Estamos todos
implicados na maré quântica de possibilidades infinitas soterrados entra
produção e consumo.
Eu posso até ir ao fundo
De um poço de dor profundo
Mais volto depois sorrindo
De um poço de dor profundo
Mais volto depois sorrindo
Em tempos de tempestades
Diversas adversidades
Diversas adversidades
Eu me equilibrio e requebra
É que eu sou tal qual a vara
Bamba de bambú-taquara
Eu envergo mas não quebro
Bamba de bambú-taquara
Eu envergo mas não quebro
Aqui ele diz que sabe surfar a onda da tecnologia com seus fluxos loucos de produção e consumo.
E não pensem que por isso ele não sofre. Ele sofre sim, mas não quebra como todo (bom)
artista, mostrando para os outros que todos são capazes de surfar
também e com isso aliviarem a dor desse mar infinito.
Não é só felicidade
Que tem fim na realidade
A tristeza também tem
Tudo acaba, se inicia
Temporal e calmaria
Noite e dia, vai e vem
Quando é má a maré
E quando já não dá pé
Não me revolto ou me queixo
E tal qual um barco solto
Salto alto mar revolto
Volto firme pro meu eixo
Que tem fim na realidade
A tristeza também tem
Tudo acaba, se inicia
Temporal e calmaria
Noite e dia, vai e vem
Quando é má a maré
E quando já não dá pé
Não me revolto ou me queixo
E tal qual um barco solto
Salto alto mar revolto
Volto firme pro meu eixo
Galera vamos parar de achar que "tristeza não tem fim,
felicidade sim". A tristeza também tem fim! Fantástico, Lenine. Uma
crítica a "bossa 'n' roll
nova" ao meu ver. Porque determinadas músicas estão gravadas em nosso
subinconsciente e estão sendo repetidas inumeras vezes deixando-nos
depressivos. Segue falando dos cículos naturais e cósmicos da vida numa
alusão ao
símbolo oriental Yin/Yang. Esse símbolo significa equilibrio e
segurança no rumo que se toma na vida, daí soltar o barco sem medo de se
perder no mar da produção e consumo / capitalismo e esquizofrenia.
Em noite assim como esta
Eu cantando numa festa
Ergo o meu copo e celebro
Os bons momentos da vida
E nos maus tempos da lida
Eu envergo mas não quebro
Eu cantando numa festa
Ergo o meu copo e celebro
Os bons momentos da vida
E nos maus tempos da lida
Eu envergo mas não quebro
É um artista que sabe se movimentar. Tem corpo para isso e sabe que nem todo mundo está preparado para esse mar infinito das possibilidades quânticas. Mas dá o seu recado namastê! Um verdadeiro Samurai.
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quinta-feira, 1 de março de 2012
ENTREVISTA - O jornalista Juca Badaró fala sobre o "O FILHO DA ATRIZ", curta-metragem escrito e dirigido por ele.
Foto: Juca Badaró
Antonio Nelson - Como surgiu a idéia de fazer o filme?
Juca Badaró - Desde as primeiras reflexões, quando a ideia do roteiro para o curta-metragem surgiu, eu gostaria de falar dos artistas que não têm voz, daqueles que dedicam sua vida à arte e dificilmente serão valorizados por isso. Eu queria levar a mensagem dessas pessoas, que muitas vezes se encontram à margem. Meu desejo era dar voz e vez a esses personagens do submundo. E assim é Verena, a personagem principal o filme. Uma jovem atriz que sobrevive do teatro e que apesar do talento, do esforço, mal consegue pagar as contas do mês e sonha em um dia ser reconhecida com a única coisa que considera importante na vida: sua arte. Verena transita pela movimentada vida noturna do centro de Salvador e encontra em Marco, um travesti que ganha a vida dançando em boates, o seu companheiro inseparável. A princípio, gostaríamos de poder contar a história sofrida desses artistas que o mundo desconhece.
A.N - Quais as fontes de inspirações?
J.B - Quando decidi falar sobre a vida destes personagens marginais, várias referência vieram à minha cabeça, naturalmente. Pensei muito a respeito de Macabéa, personagem de Clarice Lispector em "A hora da estrela". Uma figura pobre, com pouca escolaridade e vítima do preconceito por ser nordestina numa grande cidade do Sudeste. Uma marginal, antes de tudo. Uma mulher vítima da discriminação. Verena, a nossa personagen, carrega um pouco disso. A jovem artista cheia de sonhos na cabeça, que no fundo é renegada porque sua arte não é respeitada e não vale nada para a sociedade de consumo, onde a arte acontece de um processo massificado. O seu amigo e companheiro Marco talvez sofra ainda mais preconceito, numa certa medida por ser artista e ainda mais por ser homossexual, um homem que ganha a vida se travestindo de mulher. São personagens puros, que querem apenas ser felizes, mas que sofrem as consequências da sinceridade, da inocência e da fantasia. Nesse ponto enxergamos algo de "O Idiota", de Fiodor Dostoiévski. Os de bom coração, amantes da arte, passam por idiotas, loucos, quiçá imbecis e doentes. É assim que a sociedade enxerga os artistas do submundo em:
A.N - Quais paradigmas estão em questão?
J.B - O nosso filme, humildemente, pretende despertar nas pessoas e fazer pensar em qual realmente é o valor da arte em nossa sociedade. Qual o papel do artista e em que medida ele é responsável por quebrar paradigmas e padrões pré-estabelecidos? A história de Verena e Marco trazem à tona questionamentos a cerca de sexualidade, homossexualidade, preconceito e até espritualidade.
A.N - Quais os maiores desafios quanto ao audiovisual?
J.B - O maior desafio foi fazer um filme sem recursos e com baixíssimo orçamento. O cinema é uma das artes mais caras e que envolvem mais pessoas na pré-produção, produção e finalização. Nós tínhamos que trabalhar na base da boa vontade mesmo e das parcerias: todos da equipe trabalharam sem cobrar nada: desde atores até os técnicos. Assumimos a falta de recursos e os riscos disso. Todos trabalharam pela simples vontade de fazer cinema. E na minha opinião o maior desafio está nisso: produzir uma coisa de qualidade com baixo ou sem qualquer aporte financeiro.
A.N - Como foi o processo de criação da trilha sonora original do filme?
J.B - Assim como todos os outros profissionais, os músicas que compuseram a trilha sonora também fizeram tudo por amor. Tive a felicidade em contar com o arrajandor e músico Marcello Alves, que conheci quando trabalhei em Angola. Ele se juntou com outro grande amigo, o engenheiro Neto Maia, que faz música nas horas vagas. Os dois me trouxeram um material muito interessante e muito ligado à proposta do nosso curta. O filme fala de sofrimento, de dor, de descontentamento, mas ao mesmo tempo é um filme dedicado aos artistas. O artista lida com a felicidade e a tristeza com muita facilidade e elas estão juntas a todo momento. A trilha precisava fazer diálogo também e acho que conseguimos esse resultado. Os dois músicos me emocionaram no processo criativo. A estreia será no mês de abril de 2012.
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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Entrevista com Fabrício Ramos e Camele Lyra Queiroz, realizadores do documentário “hera”
Por Antonio Nelson
Aprender a conhecer:
Primeiro tipo básico da educação registrado no livro Os quatro pilares da Educação, organizado por Jacques Delors. A obra explana conceitos de fundamentais da educação com base no Relatório para a UNESCO, da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. Talvez os pais de Fabrício Ramos (graduacão em Comunicação Audiovisual pela UESC, Universidade Estadual de Santa Cruz, Bahia) e Camele Queiroz (graduada em Comunicação com habilitação em Comunicação e Cultura na FACOM/UFBA) não conheçam o tomo, porém os estímulos para Aprender a conhecer a literatura tiveram bons frutos. Os jovens baianos Fabrício e Camele lançam sua produção poética/audiovisual “hera”, será exibido 09 de março, às 20h, no Goethe Institut (ICBA), onde poetas partcipantes marcam presença. O evento é gratuito. Confira a entrevista!
Antonio Nelson – Como foi sua infância literária, e a descoberta com a produção audiovisual?
Fabrício Ramos - Meus pais sempre estimularam a leitura em casa, desde pequeno, eu passeava muito pela estante de livros de meu pai. Durante a faculdade de comunicação, sob o estímulo de alguns amigos, acabei realizando um documentário sobre diversidade religiosa em Ilhéus, registrando a repercussão das mortes, em dias consecutivos, de um pai de santo e do bispo emérito de Ilhéus, ambos muito populares e queridos na cidade. O processo de fazer o doc, que pra mim era novo e totalmente experimental, me fez querer entender as coisas expressando-as através dos sujeitos dos quais eu me aproximava com a câmera e com a minha visão de mundo. O doc “hera” também reflete essa vontade de descoberta, aproximação e entendimento do outro, para fazer gerar em mim uma visão autoral.
Camele Lyra Queiroz - Minha infância literária foi bem divertida. Teve muita leitura dos Irmãos Grimm, Monteiro Lobato, a poesia era muito presente, era uma coisa bem comum no dia a dia. A descoberta do audiovisual aconteceu na faculdade de comunicação. Foi como perceber uma brecha no academicismo que me possibilitou utilizar alguns conhecimentos que acessei durante a faculdade, porém não para reafirmar a tese de um ou de outro teórico, mas apenas para tratar de coisas que tenho interesse e que julgo terem alguma importância ou valor cultural. Outro dado importante foi o contato com a história do cinema de Retomada, que me fez enxergar que temos um estilo próprio de contar nossas histórias, de representar as nossas realidades. Isso nos deixa mais a vontade para criarmos com aquilo que temos, sem precisar seguir modelos ou padrões ditados pelo que é mais difundido.
A.N – E o contato com a poesia! Tem algum poeta na família?
F.R – Não tenho familiares próximos que são poetas, mas sempre quis escrever poesia: nunca consegui! Escrevia versos íntimos na adolescência para jogá-los fora e durante a faculdade formávamos um grupo que se reunia eventualmente para ler e compor poemas. Decidi que lido muito melhor com a poesia lendo-a e apreciando-a do que criando, mas estou sempre próximo dela.
C.L.Q - Meu contato com a poesia e com a arte foi desde sempre. Meu pai é poeta e sempre conviveu muito com artistas plásticos e outros poetas. Isso criou um ambiente muito interessante pra mim porque a arte estava sempre muito presente e eu me divertia muito com isso tudo.
A.N – Por que produzir um documentário sobre poetas baianos? O que significa pra vocês este registro?
F.R – Desde que eu e Camele criamos o Bahiadoc – arte documento, há menos de um ano, é certo, decidimos ficar mais atentos e buscar dar alguma ressonância aos contextos culturais baianos, muitas vezes substanciais mas pouco mencionados e mesmo pouco conhecidos, sobretudo das novas gerações. Trata-se de um tema de relevância histórica a julgar pela reverberação que os poetas alcançaram na Bahia e mesmo no Brasil, e o doc alia uma oportunidade inestimável de resgatar um importante capítulo da cultura literária baiana com o nosso escopo de exercitar o que chamamos de arte documento, conceito que orienta o Bahiadoc, isto é, captar o aspecto documental da arte, através da própria arte, valorizando os cenários baianos e a produção audiovisual independente.
C.L.Q - A ideia surgiu a partir do convite de um dos poetas para que o Bahiadoc – arte documento (sítio do qual sou idealizadora e editora junto com Fabrício Ramos) registrasse o lançamento da edição fac-similar da Revista Hera, evento que aconteceu em dezembro de 2011. Depois de algumas conversas com o poeta, eu e Fabricio, já seduzidos pelos elementos que compunham a formação daquele grupo de poetas, chegamos à conclusão de que um evento de lançamento não daria conta de representar todo aquele universo criativo que possibilitou a convivência de pessoas tão diferentes e tão comprometidas com o fazer poético. O registro se deu não na tentativa de uma inovação da linguagem audiovisual, mas antes no reconhecimento da substância daqueles que são os personagens do documentário, que são os poetas e a suas vivências através da poesia.
A.N – Quais foram os maiores desafios na produção do documentário?
F.R – Um dos grandes desafios do documentário, conceitualmente, era o enfrentamento, no bom sentido, com os poetas. Lemos muito de suas produções na edição especial fac-similar da revista Hera, volume que reúne todos os números da revista publicados ao longo de 33 anos. Percebemos, do nosso lugar de leitores, uma rica substância poética na obra, e que também foi apontada por críticos importantes. Assim, o desafio maior foi, nessa aproximação com os poetas, conseguir extrair dos nossos encontros toda a dimensão poética que as suas criações e vivências revelam. Em termos práticos, o desafio foi viabilizar o doc sem patrocínios. Sempre salientamos a importância e a imprescindibilidade das políticas públicas de estímulo à produção audiovisual de relevância cultural, ao mesmo tempo que sempre ousaremos experimentar modelos alternativos de viabilização das produções. Se fizemos o doc “hera” sem patrocínio, sabíamos das limitações estruturais que poderiam refletir no resultado final (por ex, com maior estrutura, poderíamos ter mais tempo com os poetas, maior tranquilidade para pesquisa e filmagens etc). Mas também sabíamos que, considerando o propósito maior de cada produção audiovisual, seria possível realizar um registro simbólico coerente, embora não realizado em toda sua plenitude, em todo o seu potencial em vários aspectos. Decidimos fazer a exibição especial para os poetas e aberta ao público interessado porque julgamos, de nossa ótica de realizadores, que os próprios poetas (suas falas e presenças), como sujeitos do doc, constituem a qualidade de seu conteúdo. A nós, autores, couberam apenas a grata missão de construir uma mensagem, da forma que nos foi possível, a partir dos encontros com os poetas e que fosse o mais possível fiel à dimensão da experiência.
C.L.Q - A produção independente é sempre um grande desafio, principalmente quando se trata da produção audiovisual, por envolver alguns elementos técnicos estruturais que são condição sine qua non para uma realização satisfatória. No nosso caso, de agentes culturais independentes, que nos lançamos nessa ideia de realizar o doc sem aporte de patrocínio e sem nenhum tipo de financiamento, a vontade de realizar é que foi o motor. Lançamos mão do NAP (Núcleo de Apoio à Produção) da DIMAS, para conseguir os equipamentos. Fora isso, tínhamos que ir à Feira de Santana entrevistar os poetas, não tínhamos um carro disponível e foi preciso alugar um carro para suprir essa demanda, já que os equipamentos não podiam ser transportados de ônibus. É uma condição do termo de uso dos equipamentos, que são caros. Fora isso ainda tivemos alguns percalços na hora da edição – tivemos que empreender grandes esforços para conseguir editar o vídeo de forma adequada tanto à qualidade das imagens (FullHD) quanto a busca do resultado que queríamos enquanto realizadores. No final das contas o que se tem é um documentário de 1h25min com boa qualidade de imagem, e relevante conteúdo proporcionado pelos próprios poetas, não obstante as dificuldades estruturais para a sua realização.

Foto: Wagner Pyter
A.N – Quais são as expectativas para o dia do lançamento?
F.R - As expectativas são boas, já que estarão presentes os próprios poetas participantes do doc, o que é justo. Podermos ouvir deles as suas impressões boas e más, e sentir suas reações e as do público que queira comparecer, que se interesse por poesia e pela história literária baiana. Para nós é a culminação do processo: oferecer ao olhar do público o nosso trabalho. Como o doc “hera” é uma realização independente, entretanto, ainda não sabemos como vamos distribuí-lo. Mas certamente faremos esforços para disponibilizar formas de acesso aos interessados.
C.L.Q – Será uma experiência nova. Nunca tivemos um trabalho nosso exibido para aqueles que participaram enquanto personagens, nesse caso os poetas, e ainda aberto ao público, que poderá ter um olhar mais “desinteressado” e portanto mais isento. Esperamos ter dado uma colaboração singela no que diz respeito à memória da poesia baiana.
Agradecemos a todos que colaboraram de alguma forma para a realização do doc, e também aos poetas que participaram, confiando em nosso potencial e trabalho.
FICHA TÉCNICA:
hera (documentário)
Direção: Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz
Produção: Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz
Câmera: Ivanildo Santos Silva e Danilo Umbelino
Assistente de câmera: Danilo Umbelino
Edição, montagem e finalização: Fabricio Ramos e Camele Lyra Queiroz
Realização: Bahiadoc – arte documento
documentário - cor – 1h23min – 2012 – HD
*Antonio Nelson - www.sentinelasdaliberdade.blogspot.com
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