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quarta-feira, 25 de julho de 2012

"O jornalismo está defasado", afirma professor da PUC-SP


"O jornalismo está defasado", diz Eugênio Trivinho

Por Bruno de Pierro, no Brasilianas.org
Estamos vendo surgir uma nova modalidade de capitalismo com as redes sociais, segundo a qual as regras da comunicação não são mais ditadas pelo jornalismo. Além dos fatos que costuma abordar e perseguir, a prática jornalística está às voltas com o “sobrefato”, ou seja, a movimentação da sociedade dentro do espaço cibernético, da qual a produção simbólica do jornalismo é dependente. A avaliação é de Eugênio Trivinho, professor do Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e assessor do CNPq, da CAPES e da FAPESP.
Considerado um dos principais nomes do estudo sobre a cibercultura, Trivinho falou ao Brasilianas.org por duas horas sobre as transformações da comunicação nas redes sociais e a defasagem do jornalismo para lidar com a nova ordem que se impõe. Para o professor, o que acontece é um “destronamento do jornalismo como instrumento de mediação simbólica da sociedade”, ao mesmo tempo que o real é reportado sem a necessidade da edição, perdendo-se, assim, o monopólio do jornalismo especializado.
Na conversa, Trivinho ainda explica o conceito de “glocalização”, em oposição à globalização. Para ele, o termo “glocal” pode explicar melhor o cenário estabelecido pela conexão da Internet, pois significa aquilo que une o global da rede no local de acesso. Por fim, Trivinho fala sobre como o modo de produção do saber na cibercultura tornou-se incompatível com os cânones da Ciência. Confira abaixo as principais partes da entrevista. A íntegra está disponível, em PDF, abaixo do post, ou pode ser acessada por aqui.
Redes Sociais

No campo político, as redes sociais são uma espécie de epicentro articulatório de indivíduos que, a priori, são isolados, para fazer renascer alguma forma de movimentação na sociedade. E na sociedade pode ser dentro ou fora da rede. Essa forma de fazer política pode ser, muitas vezes, tão forte e envolvente que é capaz de se mobilizar e se fazer projeção contra o próprio aparato repressivo (cavalos, gás lacrimogêneo etc.).

Elas tem uma clara função econômica. São articuladoras de novas formas de empreendedorismo, que não estão vinculadas a certos padrões capitalistas. O fato de não haver, em alguns casos, contratação de mão de obra assalariada implica na recusa de certos pressupostos capitalistas, porque onde há emprego de mão de obra assalariada, há, evidentemente, produção de riqueza não repartida. Essa produção da mais-valia, que se reparte, na maior grandeza, para aquele que detém as condições de contratação, e a menor grandeza para aquele que apenas vende sua força de trabalho, sua competência cognitiva, sua habilidade profissional, a recusa e a ausência não configura, portanto, a existência daquele fio condutor que sempre animou o capitalismo, que foi a exploração de um ser humano por outro.

A outra dimensão que as redes sociais trazem, essa sim mais sutíl e bastante curiosa, é o fato de que diversas mega corporações, que portanto trabalham suas marcas ao nível transnacional - e que muitas vezes são redes sociais, Facebook, por exemplo - e que se valem do trabalho articulado de milhões, bilhões de pessoas ao redor do mundo, consideradas como capital humano, e que aderem a essa marca sem gastar um tostão. E justamente por isso valoram, semana a semana, mês a mês, ano a ano, a marca. É a exploração que não passa como exploração. É a exploração flexivel, sutil, imperceptível, obliterada de uma marca, que se gerencia como marca, que acolhe os consumidores - eles não precisam comprar nada no mercado.

Jornalismo

O jornalismo está agora em outro contexto, cujas regras não foram dadas por ele, e diante de um fato que se coloca bastante curioso: o jornalismo, além dos fatos que ele aborda e que ele persegue, está às voltas com o “sobrefato”, que é agora o caso das redes sociais. O jornalismo, que sempre dependeu de determinadas movimentações maquinais, tecnocráticas, uma parafernalha de hardwares (satélites, televisores), agora tem a Internet. Mas o jornalismo não depende só da parte da parafernalha da Internet, ele depende de uma movimentação interessante e que é da sociedade, dentro do ciberespaço e do qual o jornalismo e sua produção simbólica depende. Assim, o jornalismo está defasado em relação ao seu próprio contexto de inserção, exclusivamente relacionado ao modo de produção em tempo real. Ele precisa se adequar, espargindo as suas redes para fontes que agora não estão, senão, no universo das redes sociais.

E mesmo o jornalismo de rede precisa descobrir novas formas de articulação noticiosa, que necessariamente não se faz por contrato de trabalho, às vezes se dá por voluntariedade. Aí já estamos caindo na segunda forma de jornalismo, que é como nós podemos considerar o jornalismo de um modo mais aberto, ou seja, lato sensu. Jornalismo pode ser considerado como um modo de reportar o real e o social, o modo de reportar a vida. Com uma linguagem específica? Sim, mas não precisa ser única. E reportar falo em recriar, pois muitas vezes o fato nem existe. Às vezes é um factóide, criado pela própria notícia, e a notícia passa a ser o próprio fato. E as pessoas vão ler a notícia como sendo o próprio fato. É preciso deslocar a definição. E se jornalismo for reportar o real para outrem - a literatura faz isso, a poesia faz isso, o teatro faz isso -, então ele é uma modalidade de recriação desse real, para outrem, a partir de uma linguagem muito específica.

O jornalismo foi abolido como mediação simbólica, como escritura e re-escritura; as redes sociais fazem isso. O que ocorre é um destronamento do jornalismo como instrumento de mediação simbólica da sociedade e, ao mesmo tempo, uma forma de reportar o real, que tinha sua força, primeiro na inexistência de edição e, segundo, na colocação a público, de forma para compartilhamento, no momento em que o fato estava praticamente acontecendo.
Trivinho: jornalismo foi abolido como mediação simbólica / Foto: IstoÉ

Quebra do monopólio de informações


É uma forma de dizer “recusamos o monopólio da informação”, “recusamos a possibilidade de edição, que já opera uma auto-censura, e faz os produtos irem à população a partir de uma mediação reconstrutora, que pode ser uma maquiagem a respeito do que, de fato, aconteceu. O fato é bruto, sem mediação, exceto aquela das maquinárias e da vontade típica das próprias redes sociais. Essa quebra de monopólio não pode ser desconsiderada como um fato que já é conhecido, que vem acontecendo há pelo menos desde a criação dos computadores pessoais, nos anos 1970, 1980. Essa quebra de monopólio tem um fato novo: o fato agora é reportado por aqueles que o fazem ou que estão muito próximos dele, e que, muitas vezes, não tem ligação com as empresas jornalísticas mediadoras e simbólicas da sociedade.

Se nós considerarmos que jornalismo é produção simbólica de reportar o real, então temos que considerar fora do cânone acadêmico, universitário, técnico, que o que está acontecendo é um fato para o qual o jornalismo ainda não nasceu, ainda nem se deu conta. E mostra o quanto ele está defasado; ele está vendo a proliferação de fontes e não sabe o que faz com elas. O quanto ele está aturdido em relação a isso que comparece como modo de produção simbólica espontânea, de redes sociais comprometidas não somente politicamente, mas com o fato de que é necessário produzir sobre o social, sobre a vida, algo que seja mais autêntico, mais próximo do que são os fatos, do que o próprio jornalismo tem feito.

Produção do saber na Internet

A Internet traz um modo de produção do saber que não é, de alguma forma, compatível com aquele do cânone da ciência. O modo de produção do saber das redes sociais, e mesmo antes da web, com os modens, é o fato de que há quebra da linearidade, há uma emergência da aleatoriedade; o fato de você ter, no Huffington Post, repetitividade de certas expressões, e as pessoas não estão nem aí, esse é o modo aleatório de produção do saber. Você pode encontrar isso em vários lugares a mesma matéria, ou em meios diferentes, duplicadas em parte e continuadas a partir de um desenvolvimento diferenciado do que foi feito no outro dia. E aí você tem acesso a uma versão e depois você saber que existe uma outra versão mais desenvolvida, e alguém pergunta: “mas você leu essa matéria?”, e você responde: “li, mas estava relacionada à versão prévia”.

Esse tipo de produção do saber - e ao mesmo tempo comprometido com uma visualidade, com apresentação despreocupada em relação à questão da logicidade, em relação a não-repetitividade e aos cânones da lógica, da ontologia - é o que acaba, no fundo, colocando para nós que estamos nos relacionando com um fenômeno, cujos horizontes são tão abertos, e nós nem começamos a explorar, e em relação ao qual nós sequer temos elementos epistemológicos herdados para poder abordar. E eu falo de cátedra, pois eu pesquiso essas questões da cibercultura, que é um nome que considero importante para ser cobertura para a fase digital do capitalismo tardio. Quer dizer, eu tomo cibercultura como categoria de época.

O Híbrido e o Glocal

O híbrido é uma categoria terceira, que se opera a partir da junção irreversível entre duas constitutivas. E essa terceira não se reduz nem a uma, nem a outra. Por exemplo, o glocal, que não é nem global, nem local, é uma terceira coisa. Quando se diz aldeia global, em Marshall McLuhan, é algo presencial e circunscrito, e, ao mesmo tempo, global. Existe aí um paradoxo, uma anti-tese.

Quando você liga o seu celular, alguém liga e você atende, ou quando você abre seu tablet e está conectado, e mesmo quando você liga a televisão, você está na terceira grandeza, no contexto glocal. Significa que você não está nem no local, você está conectado em rede, e você não está nem na rede, porque o seu corpo está no local. Você está no híbrido, no meio. E nós não vivemos no meio.

O que você tem é uma mídia que glocaliza. Ela une a dimensão do global, com notícia que vem de todos os lugares, que perpassa o seu ponto de rede, e que chega no seu tablet, no seu rádio, televisão; mas que uma vez que chega até você, porque somos mercado, chega se entrelaçando com o local, e dele não se separa. De modo tal que o que vem da China, do cinturão Norte da África, de Wall Street, nos Estados Unidos, é mais íntimo para nós, quando chega em nossa tela, do que o que acontece na esquina. Então, há um fenômeno muito curioso, que é o de distanciamento do que é próximo e uma aproximação com o que é distante.

O ciberespaço

Estamos às voltas com uma fenomenologia diferenciada. A fenomenologia do ciberespaço, das redes, e também rádio, televisão, enfim tudo o que se refere ao glocal traz consigo uma série de desafios que são inexplicados. E o horizonte é profundo, inesgotável, não vai terminar tão cedo. E nós precisamos dar conta, de alguma forma, disso. E a área de comunicação é uma área privilegiada, porque é com os fenômenos da comunicação que tudo isso tem mudado no social, mas, ao mesmo tempo, a comunicação tem instrumentos que herdou (metodológicos e epistemológicos) da sociologia, da antropologia, da ciência política, da história, da filosofia, e, ainda assim, não está preparada para poder abarcar, com profundidade e maior extensão, o fenômeno.

Crise de paradigma e Modernidade

A comunicação é partícipe e, ao mesmo tempo, receptáculo dessa crise de paradigma, que começa em meados do século XX, com o final da Segunda Guerra e a liberação de grandes forças tecnológicas, científicas e econômicas. Liberação em termos de aceleração completa. Estamos vivendo, agora, o estressamento dessa onda de longa duração. Ninguém aguenta mais tanta aceleração, tanta vida articulada pela lógica da velocidade. Para tudo temos que correr, qualquer produção. E nós somos julgados e avaliados em função da produtividade que fazemos em menos tempo. O jornalismo diário, e o semanal também, é uma loucura, porque você precisa dar conta do tacape do tempo. Então, a partir dessa época [meados do século XX], ocorreu o que os historiadores teóricos vem tratando como Ocaso da Modernidade e a emergência de alguma coisa que se pode chamar de “pós”: pós-industrial, pós-moderno, e até falaram em pós-capitalismo.

Aí começa uma sensação, desde o senso comum até a Ciência, passando por outras formas de produção simbólica na sociedade, e a principal delas é a jornalística, de que nós já não sabíamos mais nomear quê tipo de civilização era aquela que estavamos vivendo. E essa quebra de paradigma vinha justamente pelo fato de que já não se podia mais acreditar nas metanarrativas, nas utopias ou grandes visões de mundo, porque foram elas que nos levaram à hecatombe. Foi o liberalismo pelo capitalismo, foi o nazismo pelo Terceiro Reich, foi o comunismo stalinista, pela burocracia soviética, que nos levaram a um beco sem saída: a Segunda Guerra, que aplicou, para destruição, todos os recursos do século XVIII, ou desenvolvidos, a partir dele, para emancipar o gênero humano do obscurantismo, da miséria. A Razão, a Ciência e a Técnica foram barganhadas para a destruição massificada, inclusive depois daquela bomba, vieram outras ogivas, no ápice da Guerra Fria, capazes de destruir o planeta. Alguma coisa tinha que parar esse filme, que era o conto da carochinha do progresso tecnológico. A modernidade acabou se realizando pela sua sombra. Não foi a modernidade prevista, da liberdade, da distribuição da riqueza.

As ciências, cada qual no seu ramo, desenvolviam-se em função de uma narrativa de emancipação, todas elas cooperavam para trazer luz, para que o ser humano pudesse, através do conhecimento, da superação das doenças, da superação da miséria, das superstições, a luz da ciência, a luz da Razão, para que a humanidade pudesse prosperar em conjunto. As ciências trabalhavam em função de uma metanarrativa; ou era o marxismo, ou era o liberalismo, ou o humanismo. De repente, perdemos os referenciais primeiros. Cada ciência começou a operar por conta própria, começou a olhar para dentro de si, e a se desenvolver segundo um método, que é desenvolver-se em congressos específicos. Uma não se comunica com a outra, e a idéia de interdisciplinaridade começou a ser bastante artificial.

Comunicação como modus vivendi

A comunicação é muito mais do que um campo de trabalho, um campo de saber e é muito mais do que o conjunto dos aparatos da sociedade, muito mais do que a nossa intencionalidade de chegar ao outro e dizer alguma coisa. Ela é, hoje, prótese invisível do inconsciente. Ela é hoje modus vivendi. Muniz Sodré, professor da UFRJ, em um livro chamado Antropológica do Espelho, diz que comunicação é bios, gera hábitos. Então, ela faz parte e se beneficiou da quebra de paradigma, porque ela, a comunicação, desde os anos 1940, 1950, com a cibernética, acabou por se colocar como uma nova utopia. Ela se serviu do vazio deixado pelas utopias políticas e filosóficas, econômicas e religiosas, e ela se colocou como o novo religare, uma nova forma de articular a vida das pessoas. Hoje é preciso ter pela atendente bancária que haja um treinamento, de recursos humanos, para ela aprender a ter inteligencia emocional na situação de estresse e, ao mesmo tempo, sorrir. Porque isso é comunicação da marca, é comunicação da empresa. A comunicação se prevaleceu da crise de paradigma.

Íntegra da entrevista em PDF: Nassif

terça-feira, 26 de junho de 2012

Comentário objETHOS: Um WikiLeaks para a mídia, um livro acende a luz




Pesquisador do objETHOS e professor na UFSC

WikiMediaLeaks. O livro de Martín Becerra e Sebastián Lacunza preenche um espaço que a mídia – e o próprio jornalismo investigativo – , pelos vínculos e limites das empresas com anunciantes, fontes, acionistas, governos e poderes políticos e econômicos, limita em relação à autonomia profissional. Ou, então, não permite liberdade de aprofundamento.

Um WikiLeaks para a mídia, é assim que se pode resumir a transparência proposta pela obra dos dois autores argentinos, publicada agora em 2012 em Buenos Aires pela editora Ediciones B, com 295 páginas. O livro, com o subtítulo de “La relación entre medios e gobiernos de América Latina bajo el prisma de los cables de WikiLeaks”, expõe o interesse público obscurecido por parte da grande mídia, que teria fartas pautas a partir dos 250 mil informações trocadas entre o Departamento de Estado norte-americano e suas embaixadas em todo o planeta. Dentre elas, estão 32 mil informes diplomáticos originados em cidades latino-americanas , especialmente no período de 2004 a 2009.

A relação entre embaixadas e jornalistas; entre embaixadas e governos; entre governos e jornalistas ficam mais transparentes e ajudam a entender que a liberdade de imprensa, uma “cláusula pétrea” defendida pelos empresários da área, pode se desmanchar rapidamente como um gelo, que não resiste ao caloroso assédio das influências particulares. Mas o livro também mostra que, apesar de empresas reagirem contra governos que não se rendem a suas ameaças ou negócios privados, também as embaixadas , em várias ocasiões, como no caso argentino, implicitamente deram razão aos governos…e não à mídia.

Um fator chama especialmente a atenção. Na era dos conglomerados midiáticos, da convergência tecnológica, do jornalismo virtual, das redes sociais e do jornalismo “colaborativo”, a organização capitaneada por Julian Assange preferiu, no primeiro momento, liberar as informações para cinco grandes referências do jornalismo impresso, apesar das edições on line: os jornais
The Guardian, do Reino Unido; El País, da Espanha; The New York Times, dos Estados Unidos; Le Monde, da França; e a revista Der Spiegel, da Alemanha. São periódicos alinhados com uma perspectiva liberal ou centro-esquerda moderada, conforme reafirmam os autores.

Mas também tal perspectiva, que de um lado parece atestar que o vazamento de informações por si só não é jornalismo, disposto por uma entidade ou indivíduo, por outro continua dando relevância aos critérios jornalísticos de reconhecimento da relevância de acontecimentos e de sua apuração e verificação e posterior narração. Por isso, cinco emblemas do jornalismo tradicional, com seu poder de credibilidade, de convencimento e de repercussão foram escolhidos. Ou seja, parece que ainda o velho jornalismo – quando bom jornalismo -, como referência comum que suscita comentários e os reparte em escala ampliada, baseado na legitimidade social que adquiriu, continua valendo para o exercício da profissão e como esperança de que grandes temas de interesse público continuem na agenda social cotidiana.

O livro de Becerra, professor e pesquisador na Universidade Nacional de Quilmes e na Universidade de Buenos Aires; e de Lacunza, jornalista no Ámbito Financiero da capital portenha, ajuda sobremaneira a acender a luz que veículos jornalísticos brasileiros reclamam. E também a entender porque as luzes se apagam muitas vezes quando diversos interesses midiáticos estão em jogo, trazendo um painel sobre dez países latino-americanos, entre eles o México, a Argentina, a Venezuela e o Brasil.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

A aposta da agência Pública em um novo modelo de jornalismo



No Brasil ainda são poucos os jornalistas que se arriscam a explorar novos caminhos para a profissão. Nos Estados Unidos eles são até bem numerosos, mas aqui o projeto Pública é um dos raros a tentar um novo modelo de exercício do jornalismo. Natalia Viana, uma repórter com dez  anos de experiência, com mestrado na Inglaterra e colaborações com publicações estrangeiras, é junto com Marina Amaral e outros dez colaboradores uma das responsáveis pelo projeto Pública, que conta com financiamento da Fundação Ford e da Open Society, duas instituições estrangeiras que apoiam novas iniciativas na imprensa. Natalia explica como opera a agência Pública.

Como você compararia o projeto Pública com o ProPublica, dos Estados Unidos? Existem outros projetos similares em curso noutros países, como o Notify, o Wikinews, Spot Us, NewsMill e Locast, só para citar alguns. Quais os grandes diferenciais do Pública em relação a esses projetos?

Natália Viana – A Pública tem uma ligação direta com o modelo da ProPublica; ela é inspirada nos centros de jornalismo investigativo sem fins lucrativos que surgiram nos Estados Unidos e hoje em dia começam a aparecer em diversos países. O ProPublica não é o primeiro deste tipo de organização nos EUA, longe disso. Desde o fim da década de 1970, organizações sem fins lucrativos para jornalismo investigativo, pautado pelo interesse público, existem nos EUA. Um dos mais antigos é o Center for Investigative Reporting, com o qual temos parcerias em alguns projetos. O ProPublica era até recentemente o mais “rico” destes centros, com um orçamento de cerca de 10 milhões de dólares por ano.  Muitos desses centros são parceiros da Pública, como o Center for Public Integrity, o Bureau of Investigative Journalism, o CIPER-Chile, 100 reporters e Florida Center for Investigative Reporting. A Pública participa, em nível internacional, do Global Investigative Network, uma rede de organizações similares do mundo todo.

A Pública vem dessa tradição, mas voltada para o contexto brasileiro. Ela é obviamente uma organização muito menor que a ProPublica — estamos ainda no nosos primeiro ano de existência — mas tem uma missão semelhante: a de produzir reportagens de fôlego, pautadas pelo interesse público, visando ao fortalecimento do direito à informação, à qualificação do debate democrático e à promoção dos direitos humanos. Seus principais pilares são o interesse público e o jornalismo independente.

Os outros projetos que você citou são muito diferentes. O Spot.us é um site de crowdfunding; o Wikinews é um site de jornalismo colaborativo; o News Mill é um site de opinião; e o Locast é um site que permite formatos de mídia interativos para as pessoas montarem  suas histórias. O que eles têm a ver com a Pública? O fato de serem iniciativas jornalísticas novas, baseadas na internet, que exploram os limites de modelo, formato, organização da produção e financiamento do jornalismo. Eu encaixaria o WikiLeaks no mesmo rol de iniciativas. Nesse sentido, a Pública busca tanto uma experimentação de modelo (sem fins lucrativos ou comerciais), de formato (com vídeo, uso de mídias sociais e reportagens longas e aprofundadas, por exemplo, raras de serem encontradas na web) e de organização do trabalho através de modelos de parcerias com repórteres, organizações e veículos.  

Qual a audiência procurada para o projeto Pública?

N.V. – A Pública não é um site e, portanto, não tem um público-alvo. Somos uma ONG cuja missão é produzir e fomentar o jornalismo de qualidade. Sempre dizemos que o nosso site (www.apublica.org) é um veículo-meio e não um veículo-fim. Colocamos toda nossa produção ali para que seja “roubada” por outros veículos (temos até uma seção que se chama “Roube nossas historias”). Tudo é feito em creative commons para que seja utilizado livremente por outros veículos, desde que citada a fonte e com link para o nosso site. Nosso objetivo é que o maior número possível de jornalistas e veículos utilize nosso material. A ideia é espalhar nossas histórias. Acreditamos que a informação de qualidade deve ser livremente disseminada, já que é essencial para qualificar o debate democrático sobre os grandes temas nacionais.

Qual a relevância que vocês atribuem à curadoria informativa no projeto do Pública?

N.V. – Total. Nossas pautas são definidas de acordo com temas que consideramos de alta relevância pública para o momento e para o futuro próximo no Brasil. Por isso definimos três eixos investigativos que orientam nosso trabalho nesses primeiros anos: "Tortura e Ditadura", sobre a violência do Estado sobre o cidadão (publicamos reportagens sobre a ditadura, como "Mr. Dops", e tortura); "Amazônia", tema diretamente ligado ao modelo de desenvolvimento que o país elegeu,  com uma série de reportagens sobre uma líder ameaçada de morte por madeireiros no sul da Amazônia e outras, de reportagens a jornalismo de dados; e, por fim, os "Megaeventos", oportunidade e risco para o país e para a população com a proximidade da Copa e Olimpíadas. Nesse terceiro eixo desenvolvemos desde o início do ano uma experiência de jornalismo cidadão - o Blog Copa Pública - e produzimos reportagens investigativas sobre o mundo do futebol.

Qual a importância que o modelo de sustentabilidade financeira do projeto Publica atribui ao chamado
micro-funding? E qual a estratégia que desenvolvem para viabilizá-lo?
N.V. – Não tenho certeza do que você quer dizer com micro-funding. Se quer dizer pequenos projetos apoiados de maneira individual (digamos, com valor até R$ 10 mil), nós achamos muito importante, mas tivemos poucas experiências do tipo. Recentemente fechamos uma parceria nesse sentido com a Rede Brasil Atual, que está co-financiando quatro microbolsas de reportagem selecionadas por meio do Concurso de Microbolsas que lançamos no nosso site. Fizemos uma chamada de projetos de reportagem, recebemos 70 projetos e premiamos quatro. Como havia outros muito bons que não foram contemplados, a Rede Brasl Atual entrou com uma parceria para financiar outros projetos.   

O modelo de sustentabilidade financeira é hoje o grande dilema de quase todas as novas iniciativas voltadas para o desenvolvimento do jornalismo na web. Existe algum modelo que vocês tomam como benchmark?
N.V. – A sustentabilidade financeira é o grande dilema do mundo hoje – não só no jornalismo e nem só na web! O jornalismo entra dentro de um caldeirão de novas iniciativas integradas à chamada cultura digital, e que questiona inclusive a organização econômica com novos modelos. Não é à toa que a Pública está sediada na Casa da Cultura Digital, em São Paulo. Não há, na web, um modelo que consideramos mais bem-sucedido neste sentido. Veja: o Facebook acabou de abrir o seu IPO; o Twitter busca uma maneira de arrecadar dinheiro com propaganda; o Youtube recentemente se encharcou de anúncios. Há três anos, nada disso teria sido previsível. Essa é a maior riqueza deste momento: não há modelos. Temos que inventá-los.     

Uma das propostas do Pública é desenvolver o jornalismo investigativo, mas existem duas vertentes possíveis: a de consumo imediato para atendimento de questões da agenda noticiosa diária; e investigações de maior profundidade e complexidade que demandam mais tempo e dinheiro. Qual das duas é prioritária para o Publica?

N.V. – O termo jornalismo investigativo é polêmico. Para nós, o jornalismo investigativo é aquele que se aprofunda num tema de maior complexidade e o estuda a fundo. Aqui no Brasil, é a boa e velha reportagem – e por isso somos uma “agencia de reportagem e jornalismo investigativo”. Não é à toa que as duas coordenadoras da Pública aprenderam jornalismo com Sérgio de Souza  – fundador e editor de dezenas de publicações baseadas em reportagem desde sua participação no dream team  da Realidade – e a sua turma. Somos de uma linhagem de jornalistas que acreditam na reportagem, e acreditam no repórter. 

Não fazemos notícia. Há uma frase do jornalista americano T. D. Allman que gosto muito, e resume o que  sentimos com relação ao jornalismo investigativo: “Jornalismo genuinamente objetivo é aquele que não apenas apura os fatos, mas compreende o significado dos acontecimentos. É impactante não apenas hoje, mas resiste à passagem do tempo. É validado não apenas por 'fontes confiáveis', mas pelo desenrolar da história. E dez, vinte, quinze anos depois ainda serve como espelho verdadeiro e inteligente do que aconteceu”.

Fazer jornalismo sério na web, levando em conta o público, coloca vocês numa rota de colisão com a chamada grande imprensa. Este conflito pode alterar a estratégia editorial e a sustentabilidade financeira do projeto?

N.V. – Não acredito que haja uma rota de colisão. A Pública não é um veículo, e portanto não vem buscar o espaço que um veículo ocupa. Ela pretende ser uma agência, um produtor e distribuidor de conteúdo em creative commons. Queremos que a mídia tradicional utilize também o nosso material. [Creative Commons é um projeto global, presente em mais de 40 países, que cria um novo modelo de gestão dos direitos autorais. Ele permite que autores e criadores de conteúdo, como músicos, cineastas, escritores, fotógrafos, blogueiros, jornalistas e outros, possam permitir alguns usos dos seus trabalhos por parte da sociedade.] 

Há uma forte tendência entre os projetos de jornalismo na web de explorar a vertente local, hiperlocal e comunitária. Como vocês veem esta alternativa?

N.V. – Pessoalmente acho excelente. No contexto brasileiro, de uma grande concentração da mídia, acho realmente fantástico. E pode ser bem feito sem grandes recursos. Há um enorme campo para o que chamamos de jornalismo cidadão. Além das reportagens aprofundadas que produzimos a partir deste ano (que é o primeiro ano de funcionamento da organização com estrutura, financiamento da Ford Foundation e da Open Society Foundation), temos esse blog que é uma experiência de jornalismo cidadão: o Copa Publica, cujo objetivo é acompanhar como as organizações populares estão se preparando para debater tudo o que envolve a Copa do Mundo de 2014. Um evento que vai mexer com o Brasil de uma maneira poderosa, não só estruturalmente como simbolicamente. E já está.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O direito à informação e o corporativismo no Senado



O juiz substituto Ruiteberg Nunes Pereira, do Juizado Cível de Brasília, acaba de dar uma lição de respeito ao direito à informação por parte do cidadão comum. Ao negar um pedido de indenização feito por uma funcionária pública do Senado Federal que teve seu salário divulgado pelo site Congresso em Foco, o juiz criou um precedente que pode anular 43 outros pedidos semelhantes feitos por servidores do Congresso Nacional.
O que impressiona no episódio não é tanto a decisão do magistrado, mas a ousadia dos funcionários do Senado que se acham no direito de impedir a divulgação de salários pagos com os nossos impostos. O pedido de indenização por danos morais no valor de 21,8 mil reais é irrelevante em termos individuais porque significa pouco no orçamento de servidores cujos salários oscilam em torno dos 15 mil reais mensais, em média.
Caso a decisão do juiz Ruiteberg Pereira seja revertida por instâncias superiores ou por outros juízes, isto significará a inevitável morte do site Congresso em Foco, uma das raras fontes de informação sobre o mundo e o submundo do Congresso Nacional.
Caso todos os pedidos se indenização sejam aprovados, isto somaria mais de 1  milhão de reais — e aí o site criado em 2004 pelos jornalistas Sylvio Costa e Eduardo Sardinha não teria condições de sobreviver ao garrote financeiro imposto por um grupo de servidores, que coloca seus interesses pessoais acima da transparência no exercício de funções remuneradas com dinheiro público.
corporativismo dos funcionários que tiveram seus salários expostos à opinião pública ficou evidente no fato de a ação ter sido patrocinada pelo Sindilegis, o sindicato dos funcionários do Poder Legislativo federal.  O processo judicial aberto pelo grupo de servidores do Senado foi uma resposta à informação publicada pelo Congresso em Foco de que o Tribunal de Contas da União (TCU) havia detectado que 464 deles haviam recebido pagamentos mensais de até 42 mil reais, em 2009, numa violação da lei que estabelece que nenhum servidor funcionário publico pode ganhar mais do que os R$ 24.500,00 pagos a um ministro do STF.
A ação do Sindilegis em nome de 44 funcionários não contesta as afirmações do TCU e se limita a alegar que a divulgação do fato causou constrangimentos morais aos servidores. E aqui está o fato grave, porque invoca o duvidoso argumento do constrangimento moral para tentar impedir a divulgação de um fato delituoso em que as verdadeiras vítimas somos nós, os contribuintes.
O episódio revela até que ponto alguns funcionários do Senado Federal passaram a encarar suas funções como um privilégio acima de qualquer suspeita, tanto que consideram a prestação pública de contas uma modalidade de constrangimento moral.  Trata-se de uma grave distorção do exercício da função pública, porque ignora que o cidadão comum, entre eles os leitores do Congresso em Foco, têm o direito de exibir transparência  nos gastos públicos.
O juiz Ruiteberg Nunes Pereira cumpriu a sua missão ao negar um pedido de indenização e indicar que todos os 44 processos deveriam ser aglutinados num só e rejeitados em bloco. Esta é uma decisão que ainda não foi tomada e portanto o caso continua em aberto. Cabe agora a nós fazer a nossa parte, como beneficiários do direito à transparência nos gastos públicos, e impedir que a questão acabe em pizza. Não se trata apenas de rejeitar o pedido de indenização,  mas principalmente de impedir que os pagamentos exorbitantes continuem a ser feitos sob o manto protetor do silêncio dos senhores deputados federais e senadores.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

PM de Salvador: Greve ou ameaça?



Por Daniela Souza*


Manifestar-se nos momentos de tensão é realmente perigoso. É fato que o policial merece e deveria receber mais, aliás, como todos nós: professores, jornalistas, porteiros, domésticas etc. E é fato que é importante abrir um diálogo com alguém que quer dialogar. Nesse sentido, o nosso governador não se mostrou muito hábil.

Por outro lado, os policiais não podem ameaçar o Estado de Direito e a sociedade. Negociação não é ameaça... Ninguém negocia na base da ameaçado, nem policial e nem governante.

Não temos muito trato com a democracia, algo relativamente novo para nós. Acho que estamos sofrendo por isso. Qual o limite da reivindicação? Qual a postura que o governador deve tomar?

Ceder ao clamor é atender a necessidade real ou ceder agora é reder-se ao grupo armado?

A greve dos PMs é uma ameaça à democracia ou é a luta justa por melhores condições de trabalho?

Não sei. O que sei é que nós estamos presos em nossas casas. Pelas informações que recebo, sei que alguns trabalhadores considerados honestos estão envolvidos em ações pouco honrosas (policiais também).

O que sei por fato é que essa briga é fruto de uma desigualdade profunda entre os brasileiros, baianos ou não.

O que sei por fato é que a corrupção, o corporativismo e a troca de favores (produzidos e gestados por nós) impedem um país com mais justiça social, sustentável e com melhor distribuição de renda e riqueza.

Mas vamos deixar isso para lá, porque o importante é solucionar a greve a qualquer preço. E depois que a greve passar, tudo será quarta-feira de cinzas.



*Daniela Souza é Jornalista e Professora.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

“Não existe neutralidade na imprensa”


Saiu no Altamiro Borges

Por Samir Oliveira, no sítio Sul21:


O diretor de redação do jornal francês Le Monde Diplomatique, Ignácio Ramonet, acredita que a mídia deveria se posicionar claramente sobre a linha ideológica e política que segue. Doutor em Sociologia e professor de Teoria da Comunicação, o jornalista, que comanda um periódico abertamente de esquerda, diz que não existe a tão aclamada neutralidade da imprensa.

“Um jornal que diz que é objetivo é um jornal alinhado à direita e que tenta esconder seu ponto de vista”, explica. Ramonet entende que os veículos de comunicação deveriam deixar claras as posições políticas e ideológicas que defendem. “Não tenho nada contra um jornal ser de direita, acho interessante que existam. Mas que fique claro que representa o ponto de vista dos empresários, da burguesia e da classe conservadora”, aponta.

O jornalista esteve em Porto Alegre na semana passada para participar das atividades do Fórum Social Temático e mesmo com uma apertada agenda encontrou tempo para conversar durante meia hora com a reportagem do Sul21. Nesta entrevista, ele analisa também o papel das esquerdas na crise capitalista que assola a Europa e contrapõe a situação no velho continente ao momento vivido pela América Latina. “A América Latina está construindo o Estado de bem-estar social, enquanto na Europa ele está sendo destruído”, compara.

O senhor escreveu o livro A tirania da comunicação. Quais os propósitos por trás da atuação jornalística dos grandes veículos e comunicação?

O jornalismo está vivendo várias crises. A primeira delas é a dominação pelos grandes grupos globais. Esses grupos são multimídia, detêm televisões, imprensa escrita, rádios e sites. E se comportam como atores da globalização, o que faz com que não tenham a mesma relação direta com os leitores. A segunda crise jornalística foi criada pela internet. Em muitos países, a imprensa escrita está desaparecendo, sendo substituída pelos meios digitais. E aí vem também uma crise econômica, porque o modelo de sustentação da imprensa escrita não funciona mais. Caíram a publicidade e as tiragens. Na íntegra: Altamiro Broges

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

1 ano: Conversa Fiada com Paulo Henrique Amorim


"Agora os jornalistas são todos especialistas. Lá em São Paulo são todos especialistas. Eles são especialistas em dizer coisas aos banqueiros em que os banqueiros já sabem".
PHA


E
scute a entrevista exclusiva do jornalista Paulo Henrique Amorim ao Programa Conversa Fiada, apresentado por Gil Dillon na Rádio Sociedade da Bahia.
PHA respondeu ao Gil sobre família, Rio de Janeiro, infância, sexo, o primeiro beijo, como nasceu o "Olá, tudo bem"; Rede Globo, o prazer de ser repórter, Tom Jobim, mercado de trabalho, jornalistas de mercado, Daniel Dantas,
diploma de jornalista, Wikileaks, revista Veja etc. Confira tudo abaixo na íntegra:




















Conversa Fiada, 24 de dezembro de 2010.

Produção e Foto:
Antonio Nelson.

Jornalismo "investigativo"



"Eu fico um pouco irritado com essa expressão jornalismo investigativo. Por que eu acho que na verdade isso é um pleonasmo". PHA.

Opportunity se defende da "privataria"


Saiu no Nassif

Por wilson yoshio.blogspot

Do Congresso Em Foco

Opportunity se manifesta sobre “privataria tucana”

Em nota, assessoria do grupo de Daniel Dantas rebate as denúncias do livro de Amaury Ribeiro Jr.

por Rudolfo Lago | 20/12/2011 16:11

Nota do Opportunity, de Daniel Dantas, rebate denúncias do livro "A Privataria Tucana" - Antonio Cruz/ABr

Em nota enviada ao Congresso em Foco, a assessoria do grupo Opportunity, que pertence ao empresário Daniel Dantas, se manifestou sobre o conteúdo da entrevista exclusiva que este site fez com o jornalista Amaury Ribeiro Jr., autor de A privataria tucana. O livro de Amaury reúne documentos – a maioria recolhidos pela CPI do Banestado – que tratam do processo de privatização de empresas estatais ocorrido no governo Fernando Henrique Cardoso e de operações em paraísos fiscais que Amaury relaciona a esse processo.

Na nota, o Opportunity nega que tenha sido beneficiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no leilão da Telebrás. De acordo com o grupo, essa denúncia resulta de “diálogos incompletos pinçados das fitas do BNDES”, numa referência ao caso das conversas gravadas em 1998 de pessoas ligadas ao banco e ao processo de privatização, que ficou conhecido como escândalo dos grampos do BNDES. O Opportunity acrescenta que a carta de fiança obtida pelo banco às vésperas da privatização não foi fundamental para a participação no leilão de privatização. “Além do Banco do Brasil, o Opportunity tinha cartas de fiança do Citibank, do Unibanco e do Banco Francês Brasileiro, mais que suficientes para pagar as aquisições que pretendia fazer. Ou seja, o Opportunity não precisava da carta de fiança do Banco do Brasil”, afirma a nota.

O texto menciona também a sociedade entre a irmã de Daniel Dantas, Verônica Dantas Rodenburg, e a filha de José Serra, Verônica Serra. Segundo a nota, Verônica Dantas foi indicada para ser conselheira da empresa JVN Decidir, não sócia.

Leia a íntegra da nota do Opportunity


Dicas sobre Dantas para o livro do Amaury, 20a. edição


Do site Conversa Afiada - PHA

Lá no Sindicato dos Bancarios, o Amaury meteu o dedo noutra ferida: a CPI vai entrar na participação do PiG na Privataria.

Não é isso ?

Aí vai:

Dica 1 – Por que a mídia está ignorando a Privataria? Porque ela participou do jogo, ativamente. Hoje, poucas pessoas têm essa lembrança, mas vale destacar alguns dados:

* Grupo Globo – Disputou a privatização da Telesp fixa, Telerj/Telesc Celular e Telesp Celular (perdeu para a Telefônica) e venceu o leilão das celulares Tele Celular Sul (Paraná e Santa Catarina) e Tele Nordeste Celular (CE, RN, PB, PE, PI e AL). O consórcio vencedor tinha o grupo Vicunha, Bradesco e Telecom Italia. Vendeu suas participações para a Telecom Italia. Hoje as operações são da TIM. Foi sócia da Telecom Italia no Globo.com e depois vendeu o controle da Net Serviços para a Embratel, depois de negociar com praticamente todas as empresas de telecomunicações atuantes no Brasil.

* Grupo RBS – Disputou a privatização ao lado da Telefônica e foi vencedor da disputa pelo consórcio que levou a operação da Telesp fixa. Depois acabou saindo porque se sentiu enganada pela tele espanhola, já que o projeto original era levar a Tele Centro Sul (que depois mudou de nome para Brasil telecom e hoje é parte da Oi). Antes de disputar a privatização em 1998, a RBS já havia sido sócia da Telefônica na CRT, a empresa de telecomunicações do Rio Grande do Sul que foi privatizada alguns anos antes. Além disso, a RBS vendeu o Terra para a Telefônica.

* Grupo OESP – Participou do consórcio que levou a operadora de celular competitiva na cidade de São Paulo (banda B) ao lado de empresas como a Bell South e Banco Safra. Posteriormente, não aguentou os investimentos e acabou vendendo sua participação.

* Grupo Folha – Não disputou o leilão da Telebrás. Mas chegou a negociar com alguns investidores a sua entrada no mercado de TV a cabo. Alguns anos após a privatização, tornou-se sócia da Portugal Telecom (acionista da Telesp Celular, hoje Vivo) no portal UOL.

* Band – Entrou no mercado de TV a cabo em 1998 e foi sócia da Telemar e do Opportunity no portal iG.

* Abril – Não disputou a privatização, mas vendeu por cerca de R$ 1 bilhão a operação de TV por assinatura TVA para a Telefônica em 2006. Antes disso, foi sócia da Folha no UOL até a entrada da Portugal telecom, quando as relações azedaram.


* SBT – Entrou no mercado de TV a cabo ao lado da Band e Diários Associados.

* Diários Associados – Entrou no mercado de TV a cabo ao lado de Band e SBT.

Dica 2 – Opportunity Silicon Valley LLC e as ligações Daniel Dantas/Verônica Serra. Pouca gente sabe, mas nos idos tempos da bolha de Internet de 2000, Daniel Dantas e seu Opportunity tentaram ser o Facebook da época. Investiram em várias start-ups e “agrupavam” estes investimentos em uma picaretagem chamada “Opportunity Silicomn Valley LLC”, que nada mais era do que uma empresa destinada a atrair investidores para essas empresinhas. Entre elas estavam a Decidir.com, da Verônica Serra, o iG, Radix, NO. e outras desimportantes. Quem tiver curiosidade, é só buscar no supre-mencionado web.archives.org o site www.opportunitysv.com em que tudo isso está registrado, já que o site não existe mais. O link direto é:

http://web.archive.org/web/20010410175102/http://www.opportunitysv.com/index.html

Assinado,

Stanley Burburinho II, o implacável. Confira na íntegra: Conversa Afiada.
Link

Assembleia está distribuindo milhões a ex-deputados em auxílio moradia retroativo


Saiu no Acerto de Contas

Em ato secreto


Por Pierre Lucena

A Assembleia Legislativa de Pernambuco decidiu, em ato secreto da Mesa Diretora, pagar auxílio-moradia a diversos deputados e ex-deputados, inclusive que moram em Recife. E a lista está repleta de atuais figurões da política pernambucana.

O valor pode chegar a mais de R$ 1 milhão por deputado (ou ex-deputado).

O ato de pagar auxílio-moradia a deputados residentes em Recife já poderia ser considerado um escárnio, mas o fato toma ares de escândalo quando entenderem a escabrosa história que irei relatar. Na íntegra:

Acerto de Contas.


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Por Milene Maia - Sanbone Pagode Orquestra

"A edução é a solução para o povo perceber o quanto o Brasil é rico culturalmente".

Maestro Hugo Sanbone

Os melhores momentos da Sabone Pagode Orquestra no XVII Festival de Música Instrumental da Bahia, de 16 a 18 de dezembro, no Teatro Vila Velha - Passeio Público.



Milene Maia está no corpo discente de Cinema e Audiovisual na UFBA (Universidade Federal da Bahia).

A ficção de Merval Pereira e seu ghost writer


Saiu no Nassif

Em italico sublinhado, minhas observações

Política

A ficção do Amaury

Merval Pereira, O Globo

O livro “Privataria tucana”, da Geração Editorial, de autoria de Amaury Ribeiro Jr, é um sucesso de propaganda política do chamado marketing viral, utilizando-se dos novos meios de comunicação e dos blogueiros chapa-branca para criar um clima de mistério em torno de suas denúncias supostamente bombásticas, baseadas em “documentos, muitos documentos”, como definiu um desses blogueiros em uma entrevista com o autor do livro.

Disseminou-se a idéia de que a chamada “imprensa tradicional” não deu destaque ao livro, ao contrário do mundo da internet, para proteger o ex-candidato tucano à presidência José Serra, que é o centro das denúncias.

Estariam os “jornalões” usando dois pesos e duas medidas em relação a Amaury Jr, pois enquanto acatam denúncias de bandidos contra o governo petista, alegam que ele está sendo processado e, portanto, não teria credibilidade?

É justamente o contrário. A chamada “grande imprensa”, por ter mais responsabilidade que os blogueiros ditos independentes, mas que, na maioria, são sustentados pela verba oficial e fazem propaganda política, demorou mais a entrar no assunto, ou simplesmente não entrará, por que precisava analisar com tranqüilidade o livro para verificar se ele realmente acrescenta dados novos às denúncias sobre as privatizações, e se tem provas.

Como assim? Qual a responsabilidade na denúncia de que foram entregues centenas de milhares de dólares em um envelope no Palácio do Planalto? E a do "consultor" Ruben Quícoli, que dizia que com propina seria possível levantar R$ 10 bi no BNDES para uma fabriqueta? E a denúncia de que Dilma encomendaria dossiês para o Ministério da Justiça, ou a ficha falsa de Dilma? Merval deveria ter mais responsabilidade ao escrever, ainda mais criando para si esse papel de jornalista sério em veículo sério. Não é do estilo do Merval essas manifestações de indignação. Corto um dedo se o ghost writer dessa tertúlia não é o próprio Serra.

Outros livros, como "O Chefe", de Ivo Patarra, com acusações gravíssimas contra o governo de Lula, também não tiveram repercussão na "grande imprensa" e, por motivos óbvios, foram ignorados pela blogosfera chapa-branca.

Desde que Pedro Collor denunciou as falcatruas de seu irmão presidente, há um padrão no comportamento da “grande imprensa”: as denúncias dos que participaram das falcatruas, sejam elas quais forem, têm a credibilidade do relato por dentro do crime. Confira na íntegra:

Luís Nassif

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Mestro Zeca Freitas prestou homenagem ao Mestre Salustiano

Sentinela – Antonio Nelson


Os ritmos da melodia baiana com o swing afro, o samba, o maracatu e a fusão eletrônica estiveram presentes no repertório do maestro Zeca Freitas e sua Orquestra de Todos os Santos. Zeca e Orquestra prestaram reverência ao reger no tom do póstumo ícone pernambucano Mestre Salustiano. A homenagem aconteceu no último domingo (18), no XVII Festival de Música Instrumental da Bahia, no Teatro Vila Velha – Passeio Público.

A captação dos “santos”, das diversas regiões do país, ou seja, explorar, reinventar, misturar, corromper etc. o maxixe, o maracatu, o frevo, o samba, funcky carioca e outros gêneros estão em constante ebulição nas paresentações de Zeca e Orquestra.

Contudo, para Zeca, a Orquestra tenta produzir o som da modernidade: ka-ópticos, tecno-ilógicos, multimidiáticos, globali(le)sados e instantâneos. O “OTS” tem a sensibilidade de captar plagas – santos – mundiais, com o intuito de compartilhar sons universais.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Entrevista: Protógenes Queiroz

“Os verdadeiros bandidos dessa República estão soltos. E muitos deles acobertados com mandatos políticos ou cargos na alta estrutura de poder do Estado. Quem está na penitenciária da cadeia pública é pobre, negro, desempregado, desassistido; as vítimas da exclusão social que existe no país, originariamente da corrupção do desvio de recurso público.” delegado Protógenes Queiroz.



Sentinela – Antonio Nelson*


Após o alvorecer das comemorações ufanistas da Proclamação da República por parte de alguns cidadãos brasileiros, meu cérebro réptil reativou meus arquivos da entrevista que produzi com o delgado Protógenes Queiroz. Protógenes realizou o bate-papo com jornalista Adelson Carvalho - Rádio Sociedade da Bahia.

Perspicaz, Adelson Carvalho realizou um diálogo contextualizado: O caso Daniel Dantas e sua repercussão; quem é Daniel Dantas? Será que o delegado se sentiu injustiçado pela PF após prender Dantas? Karl Max e a sociedade movida por interesse! Quais são os tipos de ameaças que Protógenes já passou e passa? O presidente Lula conseguiu dar um tom maior na corrupção? Qual foi maior bandido que Protógenes já prendeu? Dantas um é Sociopata? Uma personalidade danosa ao mercado financeiro e aos poderes da República?

E quando o assunto é futebol! Eis a questão: Os times de futebol da Brasil também estão afundados em corrupção?

O flagelo social na Bahia, a possível candidatura de Protógenes para prefeito de Salvador em 2012. A importância de políticas públicas para a educação, saúde e segurança pública são temas que também foram abordados. Qual o bandido que Protógenes ainda não prendeu e gostaria de prender? Além disso, Adelson Carvalho interrogou sobre o valor da família. Confira na íntegra:






Protógenes Queiroz com Adelson Carvalho by antonionelsonlp

*Antonio Nelson labutou na Rádio Sociedade da Bahia. Produção no primeiro semestre de 2011.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Vereadores de Salvador mudam de Partido

Sentinela - Antonio Nelson*


Andréa Mendonça - DEM para PV.


Alcindo da Anunciação (Corregedor) - PSL para PT.

Jorge Jambeiro - PSDB para PP.

Laudelino Lau - PSB para PP.

Orlando Palhinha (3º secretário) - PSB para PP.

Paulo Magalhães Jr. (1º vice-presidente) - DEM para PSC.



*Confira no site do TSE: Fidelidade partidária.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Wikileaks: Waack, três vezes informante dos Estados Unidos

Saiu no Conversa Afiada - Paulo Henrique Amorim





O jornalista William Waack, da Rede Globo, se tornou um dos assuntos mais discutidos no Twitter nesta quinta-feira graças a supostos documentos da Wikileaks que o apontariam como informante do governo americano. Apesar de vagas e desencontradas, algumas informações são verdadeiras. O Informe JB entrou em contato com a jornalista Natalia Viana, responsável pela Wikileaks no Brasil, que confirmou a história. Waack é citado não apenas uma, mas três vezes como informante da Casa Branca. Dois dos documentos que o citam são considerados “confidenciais”.

Quais são os seres estranhos da sua cidade?



Seres estranhos - Lenine/Chão by antonionelsonlp
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