segunda-feira, 14 de novembro de 2011

COPA 2014

Saiu no Le Monde Diplomatique Brasil impresso.


A Lei Geral dos interesses particulares



Autoridades brasileiras parecem admitir que a recepção de um megaevento esportivo autoriza também megaviolações de direitos, megaindividamento público e megairregularidades. É preciso questionar a legitimidade desse tipo de relação de vassalagem política, que endossa um bloco de negócios privados gerador de considerável ônus público.


Por Thiago A. P. Hoshino e Leandro-Franklin-Gorsdorf. Leia na íntegra:
Le Monde Diplomatique Brasil.




domingo, 13 de novembro de 2011

Corram com a marcha que a polícia vem aí

TELEANÁLISE


Sentinela - Malu Fontes*


E
nquanto mais um ministro passava a semana pendurado no pau de arara das denúncias de corrupção, desta vez no Ministério do Trabalho, o Brasil acompanhava take a take pela TV os movimentos de uma espécie de Malhação real, em versão para adultos e com ares de suspense policial: a peleja travada entre a Polícia Militar de São Paulo e o grupo de estudantes que invadiu a Reitoria da USP após três alunos terem sido levados para uma delegacia por terem sido flagrados fumando maconha no campus. Esse “era” o embate inicial, um conflito interno travado entre uma penca de alunos e a PM.

No entanto, assim que o conflito se estabeleceu e chegou à opinião pública, o caldo entornou. O roteiro foi ficando cada vez mais complexo e non sense, o número de personagens envolvidos foi aumentando literalmente aos milhares a cada dia e papéis de mocinhos, vítimas, heróis, vilões, bárbaros e bandidos foram sendo atribuídos, seguidos de pedido de clemência ou de invocação a um massacre moral ou físico sumário, por tudo o quanto é gente que hoje pode dar sua opinião, seja diante de uma câmera de TV, numa entrevista a um repórter de veículo impresso ou online, numa rede social ou nos comentários postados sobre a cobertura do assunto nos sites jornalísticos.

VILÃO - É preciso dizer que o roteiro muda completamente de versão e os personagens mudam completamente de atores a depender dos lugares sociais, econômicos, ideológicos, e sabe-se lá o que mais outros, de quem os vê e os adjetiva. Um mesmo ator social pode, nesses roteiros construídos pela opinião pública, como se tem visto na cobertura televisiva e em toda a midiosfera, assumir, em um, o papel de vilão estrategista interessado em privatizar a USP, em outro o de mocinho-salvador da pátria e da honra moral da universidade pública e, em um outro roteiro, o de um picolé de chuchu invertebrado que não tem pulso firme o suficiente para mandar a PM arrebentar com um boa coça os arruaceiros, vagabundos e maconheiros que, ao invés de estudar, querem puxar um fumo à vontade sem serem importunados na universidade.

Esse papel triplo na trama USP versus PM tem sido atribuído a ninguém menos que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Os partidos de esquerda radicais como o PCO (Partido da Causa Operária) ficam com a primeira opção para caracterizar o papel do governador nesse imbróglio, a opinião pública média tende a ficar com a segunda classificação e os conservadores saudosistas da ditadura não pestanejam em categorizá-lo no terceiro papel. Para quem viu o programa do Partido da Causa Operária exibido essa semana no Horário Eleitoral Gratuito na TV deve ter ouvido a explicação da legenda para o que aconteceu: os estudantes que invadiram a reitoria da USP o fizeram como revolucionários que são, em sua luta em favor da sociedade brasileira e contra a sanha estatizadora do tucanato contra as universidades públicas. Que maconha? Não, essa versão jamais chegou aos ouvidos do PCO.

Embora muitos comentaristas que defendem o direito dos uspianos fumarem seu bagulho à vontade no campus sem serem importunados pela Polícia tenham dito que a mídia tradicional massacrou os manifestantes, a verdade é que muitos jornalistas os defenderam em suas colunas. Outros tantos, entre personalidades, especialistas e professores defensores de um tratamento, digamos, ‘diferenciado’ aos universitários por parte da Polícia, também se manifestaram em diversos debates na TV fechada (na aberta os debates inexistem). O nó maior da questão do conflito na USP se deu não em função do episódio inicial, mas no fato de este ter se transformado no estopim de trocentos mil debates que não há como um veículo como a TV explicar claramente a seus telespectadores. Primeiro, apenas uma pequeníssima parte da opinião pública brasileira sabe que a Polícia não entra nos campi universitários públicos por uma conquista e ao mesmo tempo um tabu herdados da ditadura militar.

CRACOLÂNDIA - Como, na época da ditadura e em parte do tempo que a precedeu a Polícia entrava na Universidade não para policiar, mas para prender, censurar e reprimir professores e alunos considerados subversivos, com a redemocratização, um dos direitos conquistados pelas universidades públicas foi o de se proteger da Polícia, mantendo-a longe. No entanto, as coisas no Brasil mudaram um tantinho desde o fim da ditadura, a violência urbana explodiu e como a universidade não é uma bolha em relação às cidades onde estão instaladas, a criminalidade também chegou aos campi com assassinatos, estupros, roubos e tráfico. Diante dessa mudança de cenário, boa parte de estudantes e professores hoje já se deram conta que esse conto da carochinha de Polícia só da porta para fora não irá muito longe. Foi o que aconteceu na USP. Um estudante foi assassinado durante um assalto e desde então a USP (que é estadual, mantida pelo Governo de São Paulo), fez um acordo para a PM atuar dentro do Campus.

Era uma questão de tempo: os policiais viram estudantes fumando maconha no campus da USP, maconha ainda é uma droga ilícita, não fizeram vista grossa e o resto é o que se viu na imprensa. O que começou com umas tragadas evoluiu para a rejeição já existente contra o reitor, para as relações entre o PSDB e os partidos de esquerda e chegou à campanha eleitoral, quando o candidato do PT ao governo de São Paulo, o atual ministro da Educação, Fernando Haddad, insinuou que a Polícia havia exagerado ao invadir a reitoria ocupada pelos estudantes. Afirmou que a USP não é a cracolândia (para ser invadida daquele jeito). Mesmo que o caso da USP comporte uma série de questões peculiares, a universidade pública que bote as barbas de molho, pois, do jeito que a coisa anda em termos de segurança pública no país, é bom que os estudantes abracem mais fortemente a causa e as marchas da legalização da maconha, pois, sim, a Polícia vem aí e nunca vai ter modos de mordomo francês.


*Malu Fontes
é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA.
maluzes@gmail.com

sábado, 12 de novembro de 2011

Delegado Protógenes Queiroz candidato a prefeito de Salvador?

Sentinela - Antonio Nelson*

O descaso da administração pública de Salvador com a orla e a contracultura baiana também foram assuntos em destaque:
Entrevista: delegado Protógenes com Adelson Carvalho by antonionelsonlp

*Produção: Antonio Nelson. Entrevista no período em que labutei na Rádio Sociedade da Bahia, realizada no primeiro semestre de 2011.
*Saiba mais:


Antonio Nelson - No último seminário da Petrobrás, o qual contou com sua participação, cujo tema foi “A Ética nas Organizações Empresariais”, o senhor mencionou que as empresas agem pior do que Stálin e Hitler. Poderia explicar melhor essa afirmativa?

Francisco Karam - Eu acredito que tenha me expressado mal, por dizer que agem pior do que Stálin e Hitler, mas elas são muito autoritárias e eventualmente racistas no seguinte aspecto: recortes da realidade. Confira na íntegra: “A Ética nas Organizações Empresariais”.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Paixão literária

Os ladrões e o galo

Uma casa foi invadida por ladrões. Seu butim se reduziu a um galo que levaram ao deixar o local. Iam sacrificá-lo quando a ave lhes pediu o seguinte:
- Deixem-me ir embora; já não faço o bem aos homens quando os acordo à noite para irem ao trabalho?
E os ladrões responderam:
- Uma razão a mais para te matar. Acordando-os, nos impede de roubar.
O virtuoso vê o bem onde o celerado vê um obstáculo.



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O desabafo de Ruy Espinheira na Bienal do Livro da Bahia

Sentinela - Antonio Nelson
Num passeio pela X Bienal do Livro da Bahia 2011, encontro Ruy Espinheira! Ruy já tinha agenda marcada para assistir o Café Literário, realizado na Bienal. Após cumprimentos, ofereci o convite para me conceder entrevista. Bastante receptivo e incisivo nas declarações, percebi que Ruy estava entregue à atemporalidade. Tive que recordá-lo da sua agenda.

Ruy Espinheira Filho - Nasceu em Salvador/Bahia, é escritor, poeta, jornalista, doutor honoris causa pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, UESB (1999), professor aposentado, lecinou Letras Vernáculas na UFBA (Universidade Federal da Bahia), membro da Academia de Letras de Jequié e da Bahia. Mestre em Ciências Sociais. É também colunista do jornal A Tarde*.
Antonio Nelson – O que lhe inquieta agora?

Ruy Espinheira –
Objetivamente, me entristece a cidade do Salvador estar entregue ao abandono pela administração pública. Falta espaço cultural. "Hoje a cultura está no entretenimento e no rebolado”. As artes plásticas e a literatura não são valorizadas. Aconteceu um empobrecimento nas últimas duas décadas. Nós estamos no pior momento cultural na Bahia. Nas décadas de 1960 e 70 foi melhor. “Nossos administradores não se importam, a não ser que possam manipular os interesses próprios. A indústria do entretenimento e da pornografia é valorizada. Que cultura atualmente a Bahia exporta? São raros exemplos com qualidade que exportam nossa cultura".

A.N – Quais são os exemplos?

R.E –
Prefiro não citar nomes. Serei injusto. Posso esquecer alguns. Mas basta ficar atento. Eu tinha expectativa de mudança com a posse do governador Jaques Wagner. A mudança precisa acontecer pela educação. E é fenômeno nacional. A Bahia não é mais uma cidade crítica. Se aceita tudo. Tudo é nivelado por baixo.

A.N – Como você avalia a qualidade de conteúdo dos meios de comunicação de massa da Bahia?

R.E –
O que tem de melhor não têm. Os meios ocupam com o que há de pior. Além disso, nossos políticos não valorizam a adoção de livros como fazem os gaúchos. Atualmente a Bahia está com a pior cultura do nordeste. Na imprensa não têm um suplemento de arte e literatura, uma crítica das obras culturais na cinematografia. “PT e cultura vivem mundos diferentes. Com Lula melhorou. Com o PSDB seria pior. FHC foi ruim para o país. Ele trabalha para São Paulo. Ser de esquerda ou direita é um risco. São extremos. A militância é fanática. Quem pensa que vai manipular intelectuais por ideologia está enganado. A arte não se vende”. Os meios de comunicação de massa deixam a desejar. Nacionalmente, o que restou do JB? Fui professor de jornalismo por mais de 20 anos na UFBA.


A.N – Quais as suas expectativas para as eleições municipais de 2012?

R.E – As arrumações e ambições políticas assolam a política da Bahia.
A.N – Quanto à possível candidatura de Mário Kertész?

R.E –
“Mário Kertész é cria de ACM. Ultimamente partido político não muda nada. Pra mim são todos iguais. São gêmeos. Prefiro não entender porque o PT se aliou ao Carlismo. Quem é o vice de Wagner? E o César Borges na chapa do Senado, está em nome de quem? Nacionalmente, vejamos a aliança com Sarney, Collor e Lula no Palácio do Planalto. Se você se alia aos canalhas... Como você convida pessoas que você lutou contra? Qual mudança haverá?

A.N – Copa do Mundo 2014?
R.E – "A Copa é uma patacoada. Não sou ingênuo de pensar que a Copa não trará prejuízos de superfaturamento. Os casos de corrupção no Brasil hoje só são bilhões. Com certeza a corrupção está imperando na Copa". Vejamos os hospitais no Estado. E a construção com bilhões na ponte Salvador-Itaparica. O Brasil é uma nação rica. Mas tem que construir pirâmides para mostrar para o mundo. As vias que levam do aeroporto até a Fonte Nova possivelmente vão resolver. Mas em Lauro de Freitas haverá um gargalo, um horror. Eu moro em Buscaville! "O povo vai pagar o prejuízo. A vida do baiano não vai melhorar".

*
Saiba mais sobre "A Ética nas Organizações Empresariais" com o jornalista e professor Francisco Karam.

Sarney, o prejuízo pro Brasil

Entrevista: Palmério Dória com Adelson Carvalho

Sentinela - Antonio Nelson

Acordo inquieto! Razão e emoção em constante ebulição.

Vossa Excelência, senador José Sarney foi reeleito presidente do Senado. Compartilhei minha angústia na redação da Rádio Sociedade da Bahia. Era 02 de fevereiro de 2011. Eu atuava no jornalismo e na programação da rádio simultaneamente. Após o fato, dialoguei com o jornalista e apresentador Adelson Carvalho, do programa Sociedade Alerta. Não contive o ímpeto pelo interesse público; e convicto da perspicácia do amigo Adelson Carvalho, manifestei meu desejo em realizar entrevista exclusiva com o jornalista Palmério Dória - autor do livro: Honoráveis Bandidos. De praxe, a sinergia construída entre eu e Adelson Carvalho materializou o bate-papo com Palmério Dória.Confira na íntegra o audio:


































PALMÉRIO DÓREA by antonionelsonlp

*Antonio Nelson labutou na Rádio Sociedade da Bahia, e produziu a entrevista em 01/02/11.

*Saiba mais! O Jornalista e Professor Francisco Karam me responde sobre:

“A Ética nas Organizações Empresariais”









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