quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Urubus: jornalismo de costas para os fatos

Por Rodrigo Vianna*

Hoje, fui tomar café-da-manhã na padaria (um hábito, um tanto dispendioso, entre muitos paulistanos). Sobre a mesa, outro cliente havia esquecido o "Estadão". O jornal estava aberto bem na página da coluna da Dora Kramer. Vocês já leram essa colunista? Raramente leio. Hoje, estava impagável.

O título: "Uma nação de cócoras". Pensei que tivesse algo a ver com dor de barriga. Ou problemas de coluna. De coluna vertebral.

Não. A Dora Kramer parecia apenas mal-humorada com a popularidade de Lula. E inconformada com a pouca disposição dos tucanos para brigarem com Lula. Na quarta à noite, alguém deve ter mostrado pra ela a foto em que até Aécio tenta tirar uma lasquinha da popularidade do presidente (viram a fotod o Aécio com Lula, lá no São Francisco?).

Pois é. Isso foi demais para a colunista.

Senadores Gerson Camata e Eduardo Azeredo agem contra os internautas


Por Aracele Torres*

Hoje o poder público brasileiro deu mais um passo em direção ao cerceamento da liberdade dos internautas. Foi aprovado no Senado um projeto de lei que obriga as lan houses e os cybercafés a manterem um banco de dados com o cadastro de seus usuários.

Neste cadastro deverá conter o nome do usuário, o número do seu documento de identidade, a identificação do computador e o período em que ele foi usado, com data e horário de início e término da conexão.

Os dados devem ficar guardados por um período mínimo de 3 anos, permanecendo sigilosos, podendo ser divulgados apenas por determinação judicial. Quem descumprir a lei poderá receber multa entre R$ 10 mil e R$ 100 mil ou até ter seu estabelecimento fechado pela Justiça.

A íntegra: http://www.cibermundi.blogspot.com/

Entrevista com cantor e compositor Vander Lee


Maísa Carvalho Amaral, Vanessa Correia e Antonio Nelson*

Sentinelas - Lô Borges, Beto Guedes, Flávio Venturini, o que eles significam para você?


Vander Lee -
Esse trio de melodistas fabulosos representa uma geração e uma estética vitoriosa na música de Minas. Lô Borges talvez seja o mais fecundo, mais conhecido. Beto Guedes possui uma textura toda própria. Flávio Venturini, romântico e elegante em suas composições.

Como você enxerga a receptividade do público baiano com baladas românticas na "terra do Axé"?


Vander Lee - Acho natural, assim como o fato de Minas atualmente ser um dos Estados que mais possui carnavais fora de época, junto com a Bahia.A música não possui muitas barreiras...



O seu novo trabalho "Faro" possui uma levada mais pop. Isso é devido ao público jovem que cada vez mais está acompanhando suas músicas? Houve o interesse por esse público?


Vander Lee - Nada foi muito premeditado, as canções foram surgindo, com esse ar mais 'Beatle infanto-juvenil', que me levaram a um ambiente entre Roberto Carlos, Cartola, Tim Maia...Acho que esse disco ainda não tem um público definido, sendo apenas pouco mais radiofônico.


Além das músicas do novo Cd, pretende relembrar antigas canções?


Vander Lee - Sim, o show se divide mais ou menos ao meio, entre canções do novo cd e músicas que o público já conhece.




Muitos músicos têm uma certa dificuldade quanto à divulgação. Foi difícil para você inicialmente?


Vander Lee - Acho que foi e sempre será dificil, mas os meios de comunicacão se multiplicam e a segmentação ainda não se concretizou como se imaginava. A demanda de música é muito grande hoje em dia. As pessoas estão se adaptando aos novos tempos e aprendendo a fazer escolhas melhores, eu acredito.


Qual a sua avaliação quanto à indústria cultural?


Vander Lee - Não possuo muito conhecimento sobre o assunto, mas sinto no momento que o Estado está assumindo a maior parte das ações, em contrapartida ao momento de readequação de mercado (novas tecnologias, questão dos direitos autorais, etc).

Acredita que atualmente muitos utilizam a música apenas como entretenimento?

Vander Lee - Sim, embora pense que mesmo quando estamos apenas nos divertindo, também estamos fazendo política cultural com nossas escolhas. Não há como separar uma da outra.

*Entrevista realizada por e-mail.


Foto: Ludimila Loureiro.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Imprensa negra na Bahia

Sentinela - Luís Guilherme Pontes Tavares*
Um dos méritos do livro As associações dos homens de cor e a imprensa negra paulista. Movimentos negros, cultura e política no Brasil republicano (1915 a 1945), do professor doutor Antônio Liberac Cardoso Simões Pires, é a fidelidade aos fatos. Trata-se de uma publicação do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros do Tocantins – Neab – da Fundação Universidade Federal do Tocantis lançada em 2006. O professor Liberac, como ele é mais conhecido, informa, por exemplo, que os movimentos negros no Brasil continuam sem a relevância pretendida porque falta união entre os militantes.

O autor, agora professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB – em Cachoeira, encerra o livro com estas recomendações: “Necessitamos entender melhor as relações nacionais e internacionais entre grupos de negros; desenvolver pesquisas comparativas entre os países da diáspora negra nas Américas; procurar de descobrir as relações entre os movimentos negros brasileiros e os norte-americanos na primeira metade do século XX para entender as possíveis influências das experiências das associações de homens de cor nas lutas pelos direitos civis dos negros norte-americanos na segunda metade do século XX”.

O professor Liberac conclui, após as considerações acima, com a seguinte reflexão: “Talvez possamos responder também o porquê de não conseguirmos unificar os movimentos negros na diáspora, em defesa dos negros cubanos que vivem os efeitos sociais das lutas políticas. Enfim, acredito que o entendimento de como se deram os processos históricos envolvendo indivíduos pertencentes a um conjunto de comunidades negras da diáspora africana vai nos ajudar a organizar uma agenda comum contra a descriminação racial nas Américas”.

O livro do professor Liberac foi sugerido pela historiadora Wlamyra Alburquerque, autora de O jogo da dissimulação (São Paulo: Cia. Das Letras, 2009) devido o interesse que demonstramos a respeito da imprensa negra, em especial da imprensa negra na Bahia. Esse interesse tem relação com o nosso compromisso com o estudo da história da imprensa baiana, que vejo aumentar desde 1988. O livro do professor Liberac examina alguns títulos de periódicos da imprensa negra paulista da primeira metade do século XX.

Sobre a imprensa negra baiana, por sua vez, desconhece-se qualquer trabalho a respeito. Sequer há um trabalho famoso sobre a imprensa abolicionista baiana. De modo que enxergo a profunda pobreza bibliográfica sobre o tema, e, porque a diminui, louve-se o esforço do Núcleo de Estudos da História dos Impressos da Bahia – Nehib –, sobretudo pela Coleção Cipriano Barata, iniciada em 2005, de natureza interinstitucional e dedicada a estudos sobre a imprensa baiana, cuja logomarca já figura em seis volumes.1

A propósito da imprensa negra na Bahia há, em gestação, a montagem de evento que será realizado em 2010, como parte da programação dos 80 anos da Associação Bahiana de Imprensa – ABI –. Além do professor Liberac, serão convidados o professor Sílvio Roberto Oliveira, da Uneb, cujos estudos sobre o poeta e jornalista Luiz Gama (1830-1882) tornam mais claras as contribuições desse baiano às letras nacionais; o empresário André Nascimento e os jornalistas Ana Alakija e Luis Augusto Santos (L.A.), que estiveram juntos na condução e realização do jornal Afro-Brasil, que circulou na década de 1980 em Salvador; a professora Ana Célia Silva, da Uneb, que estudou e continua estudando o preconceito entranhado nos livros didáticos brasileiros; o professor Jayme Sodré, colaborador de A Tarde e dedicado às pesquisas sobre a cultura afro-brasileira, dentre outros. Será sentida a ausência de Jonathas Nascimento, morto recentemente, cujo depoimento sobre o Boletim do MNU (Movimento Negro Unificado) seria valioso e, portanto, indispensável.

No primeiro semestre deste ano, no Centro Universitário da Bahia-FIB/Estácio, a imprensa negra da Bahia foi o tema da disciplina Tópicos Especiais em Jornalismo e a oportunidade se constituiu em ensaio do que poderá ser o evento do próximo ano na ABI. A iniciativa teve o duplo propósito de introduzir na turma a discussão sobre a imprensa negra e animá-la – e aos demais alunos concluintes – a eleger o tema como objeto do Trabalho de Conclusão de Curso – TCC.
O desafio está lançado.

* Luís Guilherme é Jornalista, produtor editorial e professor universitário. lulapt@svn.com.br


1 Apontamentos para a história da imprensa na Bahia (Salvador: Academia de Letras da Bahia; Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, 2005); A primeira gazeta da Bahia: Idade d'Ouro do Brazil, de Maria Beatriz Nizza da Silva (2. ed. Salvador: Academia de Letras da Bahia; Assembléia Legislativa do Estado da Bahia; Editora da Universidade Federal da Bahia, 2005); ARTHUR AREZIO DA FONSECA, de LUIS GUILHERME PONTES (Salvador: Egba, 2005); Anais da imprensa da Bahia, de João Nepomuceno Torres e Alfredo de Carvalho (Salvador: Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, 2006); Apontamentos para a história da imprensa da Bahia (2. ed. Salvador: Egba, 2007) e Memória da imprensa contemporânea da Bahia, organizado por Sérgio Mattos (Salvador: Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, 2008).

Parlamentares colecionam processos

Deputados

Fernando de Fabinho (DEM-BA)

Inquérito 2656 - crimes eleitorais (transporte em dia de eleição)

Inquérito2684 - crime de responsabilidade

Geraldo Simões (PT-BA)

Ação Penal 471- captação ilícita de votos ou corrupção eleitoral

Inquérito 2707 - emprego irregular de verbas públicas.

Inquérito 2759 - crime de responsabilidade.

Inquérito 2719 - responde por crimes de responsabilidade.

João Carlos Bacelar (PR-BA)

Inquérito 2793 – crime de desacato

Joseph Bandeira (PT-BA)

Ação penal 486 - peculato

Maurício Trindade (PR-BA)

Ação Penal 510 - tráfico de influência

Paulo Magalhães (DEM-BA)

Inquérito 2311 - lesões corporais (com parecer da PGR pelo arquivamento)

Roberto Britto (PP-BA)

Ação Penal 512 – Captação ilícita de votos ou corrupção eleitoral

Tonha Magalhães (PR-BA)

Inquérito 2677 - crimes da Lei de LicitaçõesInquérito 2805 – crimes de responsabilidade – autuada em 23/03/2009

Uldurico Pinto (PMN-BA)

Inquérito 2706 - formação de quadrilha e crimes praticados por funcionários públicos contra a administração em geral. O procedimento corre em segredo de Justiça.

Fonte: www.congressoemfoco.com.br

Sob os lhos e pés do prefeito



Sentinela - Antonio Nelson*

O título refere-se à Ladeira da Montanha, localizada embaixo da prefeitura da cidade do Salvador/BA, de onde o prefeito reeleito, João Henrique (PMDB), e seu secretariado administram a cidade. O fotógrafo Leo Carvalho, estudante de jornalismo da Faculdade Social (FSBA), realizou um ensaio fotográfico sobre os contrastes sociais na capital baiana. Durante a semana, publicaremos o ensaio, feito exclusivamente para o Sentinelas da Liberdade.

Para refletir, segue abaixo o poema do poeta pernambucano Manoel Bandeira (1886-1968):


O Bicho

Vi ontem um bicho
Na imundice do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa;
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

Rio, 27 de dezembro de 1947
Os artigos assinados não representam necessáriamente a opinião do Sentinelas da Liberdade. São da inteira responsabilidade dos signatários. Sentinelas da Liberdade é uma tribuna livre, acessível a todos os interessados.