terça-feira, 26 de junho de 2012

Comentário objETHOS: Um WikiLeaks para a mídia, um livro acende a luz




Pesquisador do objETHOS e professor na UFSC

WikiMediaLeaks. O livro de Martín Becerra e Sebastián Lacunza preenche um espaço que a mídia – e o próprio jornalismo investigativo – , pelos vínculos e limites das empresas com anunciantes, fontes, acionistas, governos e poderes políticos e econômicos, limita em relação à autonomia profissional. Ou, então, não permite liberdade de aprofundamento.

Um WikiLeaks para a mídia, é assim que se pode resumir a transparência proposta pela obra dos dois autores argentinos, publicada agora em 2012 em Buenos Aires pela editora Ediciones B, com 295 páginas. O livro, com o subtítulo de “La relación entre medios e gobiernos de América Latina bajo el prisma de los cables de WikiLeaks”, expõe o interesse público obscurecido por parte da grande mídia, que teria fartas pautas a partir dos 250 mil informações trocadas entre o Departamento de Estado norte-americano e suas embaixadas em todo o planeta. Dentre elas, estão 32 mil informes diplomáticos originados em cidades latino-americanas , especialmente no período de 2004 a 2009.

A relação entre embaixadas e jornalistas; entre embaixadas e governos; entre governos e jornalistas ficam mais transparentes e ajudam a entender que a liberdade de imprensa, uma “cláusula pétrea” defendida pelos empresários da área, pode se desmanchar rapidamente como um gelo, que não resiste ao caloroso assédio das influências particulares. Mas o livro também mostra que, apesar de empresas reagirem contra governos que não se rendem a suas ameaças ou negócios privados, também as embaixadas , em várias ocasiões, como no caso argentino, implicitamente deram razão aos governos…e não à mídia.

Um fator chama especialmente a atenção. Na era dos conglomerados midiáticos, da convergência tecnológica, do jornalismo virtual, das redes sociais e do jornalismo “colaborativo”, a organização capitaneada por Julian Assange preferiu, no primeiro momento, liberar as informações para cinco grandes referências do jornalismo impresso, apesar das edições on line: os jornais
The Guardian, do Reino Unido; El País, da Espanha; The New York Times, dos Estados Unidos; Le Monde, da França; e a revista Der Spiegel, da Alemanha. São periódicos alinhados com uma perspectiva liberal ou centro-esquerda moderada, conforme reafirmam os autores.

Mas também tal perspectiva, que de um lado parece atestar que o vazamento de informações por si só não é jornalismo, disposto por uma entidade ou indivíduo, por outro continua dando relevância aos critérios jornalísticos de reconhecimento da relevância de acontecimentos e de sua apuração e verificação e posterior narração. Por isso, cinco emblemas do jornalismo tradicional, com seu poder de credibilidade, de convencimento e de repercussão foram escolhidos. Ou seja, parece que ainda o velho jornalismo – quando bom jornalismo -, como referência comum que suscita comentários e os reparte em escala ampliada, baseado na legitimidade social que adquiriu, continua valendo para o exercício da profissão e como esperança de que grandes temas de interesse público continuem na agenda social cotidiana.

O livro de Becerra, professor e pesquisador na Universidade Nacional de Quilmes e na Universidade de Buenos Aires; e de Lacunza, jornalista no Ámbito Financiero da capital portenha, ajuda sobremaneira a acender a luz que veículos jornalísticos brasileiros reclamam. E também a entender porque as luzes se apagam muitas vezes quando diversos interesses midiáticos estão em jogo, trazendo um painel sobre dez países latino-americanos, entre eles o México, a Argentina, a Venezuela e o Brasil.

A vassoura-de-bruxa e os coronéis da Bahia



GANDU, BAHIA
ENTREVISTA
DILSON ARAÚJO, 49 anos, autor do documentário O NÓ, ato humano deliberado. Dilson atua na área de pesquisa de História regional cacaueira. É servidor público estadual e designer.
Participação do produtor rural Dorcas Guimarães.

Antonio Nelson - Quais as motivações em tratar do assunto? Quando será a exibição em Salvador?
Dilson Araújo - Ao iniciar a pesquisa, percebi que o tema sempre esteve rodeado de mitos e especulações de toda a natureza e que o imaginário popular é habitado por uma versão bem diferente daquela registrada nos documentos oficiais. Daí a necessidade de promover o registro histórico do fato, que é o objetivo principal do documentário.
Em Salvador o filme será exibido durante o Salão do Chocolate, que acontece no início de julho (de 06 a 08 de julho) no Centro de Convenções da Bahia.
A.N - Está comprovado que a vassoura-de-bruxa na região cacaueira, no sul da Bahia, foi um ato criminoso? Quais as conseqüências?
D.A – Sim, realmente foi um ato criminoso, devidamente apurado no inquérito policial 2-169/2006, conduzido pela Polícia Federal, que no seu relatório final conclui que a doença não foi somente introduzida, mas também foi disseminada através da ação humana. Um fato que reafirma a conclusão da Polícia Federal é a constatação de ramos infectados com a doença amarrados criminosamente a cacaueiros em diversos pontos da região, ocorrência registrada em diversos documentos, inclusive alguns da CEPLAC. 
Esse ato estúpido e covarde reduziu a produção de cacau em mais de 80%, quebrou a economia de quase cem municípios e desempregou 250.000 trabalhadores. As conseqüências dessa catástrofe repercutem desde 1989, sem que o Estado brasileiro adote providencias eficazes para minimizar os danos.
A.N – Quem são os responsáveis?
D.A – Em 2006 o administrador de empresas Luiz Henrique Franco Timóteo assumiu a autoria do crime e apontou como co-autores alguns servidores da CEPLAC. A denúncia foi publicada na revista Veja (jun de 2006) e a apuração feita pela Polícia Federal, apesar de encontrar a materialidade do crime, não aponta culpados e não indicia ninguém. Na mesma época também foi instaurada pelo Ministério da Agricultura uma sindicância administrativa. Este procedimento, além de encontrar a materialidade da infração administrativa, ainda aponta indícios de participação de servidores da CEPLAC e pede a abertura de processo administrativo. Em 2011 o procedimento foi arquivado e não existem notícias sobre a abertura do processo administrativo.
A.N – Quais perdas para o homem do campo teve?
D.A – Os danos são incalculáveis e muitos irreparáveis. Os maiores prejudicados foram os pequenos e miniprodutores, que representavam mais de 90% do setor, além dos trabalhadores rurais que foram expulsos do campo, perderam suas moradias e foram jogados nas periferias das cidades da região, onde a possibilidade de inserção no mercado de trabalho era remota. Isso ocasionou uma desagregação social de grandes proporções, aumentando a criminalidade, a prostituição e a exclusão social. Não é a toa que Itabuna, hoje, é uma das cidades mais violentas do Brasil.
Por outro lado, além dos danos sociais e econômicos, há de se levar em consideração os danos ambientais, pois com as propriedades inviabilizadas, o produtor de cacau, em estado de necessidade, foi obrigado a derrubar árvores da mata atlântica para suprir suas necessidades básicas como alimentação, vestuário e saúde. Assim ocorreu a “pecuarização” de grandes áreas de cacau-cabruca e a exposição das nascentes.
A.N - Qual o pronunciamento da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC)?
D.A – Através de diversos documentos a CEPLAC reconhece que a introdução da doença ocorreu através da ação humana. Além disso, também reconhece através de notas técnicas o fracasso do Programa de Recuperação da Lavoura que por ela foi formulado.
É bom registrar que após a descoberta dos primeiros focos da doença em 1989, nos municípios de Camacan e Uruçuca, não houve nenhuma ação significativa para combater a doença e isso era um dever constitucional do Estado. Apenas em 1995 é que o Governo brasileiro, através da CEPLAC, oferece ao produtor o Programa de Recuperação e os induz a contrair financiamentos para recuperar as suas plantações. Ocorre que a tecnologia imposta pela CEPLAC não gerou os resultados anunciados e terminou potencializando a crise trazida pela vassoura-de-bruxa.
A.N – Você é produtor rural de Ibirataia, onde tem uma fazenda de cacau. Quais os principais prejuízos materiais e morais causados pelo fato?
Dorcas Guimarães - A queda de produção foi o maior prejuízo e desencadeou uma série de outros prejuízos. A inadimplência trazida com a queda da receita nos forçou a liquidar parte do patrimônio e ainda tivemos nossos nomes inscritos em cadastros como o SPC e SERASA. Contudo, a dor de não poder suprir as necessidades da nossa família, especialmente dos nossos filhos, nos trouxe sérios prejuízos de ordem psicológica.
A.N – Você também era conhecido com coronel do cacau?
D.G -  Acredito que não, pois sempre fui enquadrado como médio produtor e essa história de “coronel” fica bem nos romances de Jorge Amado, pois na realidade mais de 90% dos cacauicultores eram pequenos e miniprodutores.
A.N. Quais são as suas expectativas?
D.G. A tecnologia para convivência com a doença já existe e isso é animador. Penso que o grande gargalo é a descapitalização do produtor, decorrente da introdução da doença e do fracasso do Programa de Recuperação. Assim, espero que o Governo Federal faça valer o bom-senso e busque reparar uma situação que foi causada pela ausência do próprio Estado.
A.N. – Quantos anos de produtor rural? Você tem medo do futuro?
Tenho 54 anos e sou cacauicultor desde os 17 anos de idade, quando herdei do meu pai uma propriedade em Ibirataia.
As incertezas quanto ao futuro são muitas, principalmente diante da postura adotada pelo Governo brasileiro, que tenta tapar o sol com a peneira, escondendo um ato de terrorismo biológico que foi praticado contra uma população civil e que expôs essas pessoas a um sofrimento cruel e desumano.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

ENTREVISTA / GAVIN MACFADYEN “Julian Assange está bem, com bom humor”


Em entrevista à Pública, Gavin MacFadyen fala das manifestações de apoio que o fundador do Wikileaks tem recebido e do que viu e ouviu na embaixada do Equador em Londres


Observatorio da Imprensa

Por Natalia Viana em 22/06/2012 na edição 699
Reproduzido da Agência Pública, 21/6/2012

“Eu fiquei chocado”, conta por telefone o jornalista americano Gavin MacFadyen, amigo de Julian Assange, diretor do Centro de Jornalismo Investigativo da City University, em Londres (CIJ) e conselheiro da Pública. “Julian não contou para ninguém que iria pedir asilo, para não nos colocar em dificuldades.” Segundo o jornalista, que dirigiu alguns dos mais famosos programas de jornalismo investigativo da televisão britânica, Assange recebeu uma carta de apoio à sua luta pela não extradição do cineasta Michael Moore e outras manifestações de nomes de peso, como os jornalistas Philip Knightley e John Pilger.

Uma delegação de movimentos sociais da Aliança Bolivariana das Américas (Alba) – da qual o brasileiro MST faz parte – entregou um documento na quinta-feira (20/6) pedindo que o presidente equatoriano Rafael Correa dê asilo a Assange. João Pedro Stedile, líder do MST, explicou durante o encontro: “Assange lidera a batalha contra os americanos e o monopólio da informação. Então, nós pedimos, em nome dos movimentos sociais, que o Equador possa recebê-lo”.
Para MacFadyen, porém, mesmo se o Equador conceder asilo diplomático, “Julian vai ficar por lá [na embaixada] durante muito tempo”. Leia a entrevista.
Você esteve ontem [20/6] na embaixada no Equador em Londres. Como está a situação? Tensa?

Gavin MacFadyen
– A atmosfera é muito boa, até de maneira surpreendente. Julian está bem, com bom humor. E os funcionários da embaixada são muito solícitos, mais do que eu esperava. O quarto onde Julian está dormindo é um escritório muito pequeno. Ele dorme em um colchão inflável, desses de acampamento, no meio de algumas mesas. Mas durante o dia ele está com a sua equipe o tempo todo, trabalhando normalmente.

Por que o Equador?

G.MF.
– Nada disso aconteceu de uma hora para outra, eu acredito que muitas coisas devem ter pesado na escolha. Mas Julian recebeu uma oferta de residência no Equador há dois anos, e o mensageiro disse que se ele estivesse em dificuldade poderia ir para a embaixada. Na entrevista que Correa deu a Julian para o programa O mundo amanhã, ficou claro que ambos compartilhavam críticas à política externa americana, eles até riram juntos ao falar disso.

Mas foi uma decisão que te surpreendeu? Foi repentina?

G.MF.
– Olha, obviamente deve ter havido discussões anteriores, não é algo que se faz assim de uma hora para outra. Mas nós, os amigos mais próximos, não sabíamos de nada. Julian preferiu não contar a ninguém porque qualquer um que soubesse que ele planejava pedir asilo político seria obrigado por lei a entregá-lo às autoridades. Se alguém soubesse, poderia ser responsabilizado legalmente, então ele decidiu não avisar a ninguém – nem aos que deram dinheiro para a sua fiança – para protegê-los.

A imprensa tem noticiado que aqueles que pagaram sua fiança, como Michael Moore, o jornalista Philip Knightey e a socialite Jemima Khan, ficaram surpresos e decepcionados com o ato. Eles podem perder seu dinheiro.

G.MF.
– Olha, eu falei com muitos deles. Todos ficaram surpresos, mas, no momento em que entrou na embaixada, Julian mandou uma carta a todos eles se explicando. Eu também fiquei chocado quando soube disso, como todo mundo. Mas se você pensa um pouco, percebe que houve uma reflexão séria que antecedeu esta decisão. Tanto que todos os apoiadores deles que pagaram a fiança, pelo menos os com que falei, mandaram cartas de apoio depois de receberem a carta de Julian. O jornalista Philip Knightley mandou um email, e o Michael Moore enviou uma carta de apoio.
Mas diversos jornais têm afirmado que os apoiadores estão se afastando de Julian.
G.MF. – Isso não é verdade. Michael Moore enviou uma carta oferecendo seu apoio e dizendo que entendia por que Julian tinha tomado esta decisão. Eu li essa a carta. A questão é: se há perigo de Julian ser entregue aos EUA, então a decisão que ele tomou foi correta.

Gavin, você é americano. Você acredita que existe este risco?
G.MF. – Eu acho que há um perigo potencial. E eu vou te dizer por que. Há um júri secreto que está se reunindo no estado da Virgínia há mais de um ano, e todas as decisões tomadas pelo júri são secretas. O governo dos EUA admitem que ele existe, mas não fala o que está sendo decidido ali. Basicamente eles estão testando uma acusação formal que deve ser feita contra o Julian. Estão buscando um tribunal que concorde em emitir um pedido de extradição. É esse o propósito do júri secreto. Advogados costumam dizer que um júri deste tipo, que existe nos EUA, consegue incriminar até um sanduíche de presunto. E o pior é que há muito segredo sobre o que está acontecendo, ninguém sabe o que se passa. É sinistro. Outra coisa: quatro membros do Comitê Nacional Republicano pediram a morte de Assange, dizendo que ele deveria ser caçado e assassinado. Eu nunca ouvi falar em algo assim em toda minha vida. E o próprio [Barack] Obama, em um evento público, disse que Assange violou as leis, que ele é culpado. Como alguém pode ser considerado culpado antes de ter havido qualquer julgamento?

Mas daí a buscar de fato a extradição…
G.MF. – Veja, os Estados Unidos são a única potência mundial que admite sequestrar pessoas. Eles têm uma política de assassinar pessoas no exterior quando são consideradas inimigas. Afinal, eles fazem sequestros, rendições extraordinárias quando é o caso. E todos sabem que os EUA gostariam de vê-lo preso. Algumas das acusações que estão cogitando fazer contra ele são a prisão perpétua ou pena capital. Estão cogitando acusá-lo de espionagem, ou de assessorar o inimigo – já se chegou a dizer que ele teria auxiliado a Al Qaeda, por exemplo, com os vazamentos no Afeganistão, o que é uma loucura completa.

A cobertura da batalha judicial de Assange mudou muito de tom desde o vazamento dos documentos diplomáticos. Hoje em dia grande parte da cobertura é bastante negativa. Qual a sua visão sobre isso?
G.MF. – Os veículos que decidiram ser hostis a Assange continuam sendo. Hoje [21/6] de manhã, por exemplo, alguns veículos reportavam que ele estavam com a barba por fazer. É terrível. Há grandes e importantes exceções, mas grande parte da mídia tem sido hostil à figura do Julian. Os jornais falam pouco dos documentos, não analisam seriamente o papel do WikiLeaks, o jornalismo do WikiLeaks, eles sugerem que Assange é um homem horrível, que tem maus hábitos, uma bobajada.
Não há uma sensação de que ele deveria ir encarar a justiça sueca de uma vez?
G.MF. – Sim, há um sentimento de que ele deveria ir à Suécia, mas muitas pessoas não se sentiram confortáveis com o fato de que ele deter muitos documentos secretos. Muitos jornalistas acham que ele é um anarquista, um homem louco, uma pessoa difícil de lidar. Mas uma parte disso é porque ele fez a grande imprensa a fazer coisas que ela não queria fazer.

Como por exemplo?
G.MF. – Como, por exemplo, sentarem todos na mesma mesa e colaborarem. O Guardian e o New York Times em particular, queriam exclusividade sobre os documentos, eles acharam que Julian era um nerd que eles iam conseguir dobrar, mas mudaram quando perceberam que ele é inteligente, e que manteve a mesma linha desde o começo. Eles não o convenceram, e ficaram muito bravos, todo mundo começou a acusar todo mundo... Em alguns casos, é uma questão de inveja mesmo. É um cara que não é um jornalista conhecido e respeitado, e de repente dá mais furos em alguns dias do que toda a imprensa ocidental em um ano. Eles odiaram isso. Além disso, Julian não segue as regras e normas deles, ele tem seu jeito de fazer as coisas.
Você considera Julian Assange um jornalista?
G.MF. – Claro, por qualquer critério que você quiser medir. Há algumas semanas ele recebeu o maior prêmio de jornalismo na Austrália, e é membro da associação australiana de jornalistas há muitos anos. Não há a menor dúvida que alguém que recebe documentos, que publica informações, que defende a liberdade de informação, que escreve sobre elas e produz material jornalístico é um jornalista. Mas essa é uma falsa discussão. Porque o problema é que quem diz que ele não é jornalista está retirando a proteção que a Constituição americana dá aos jornalistas. E isso é muito perigoso não só para o Julian, mas para todos os jornalistas.
Se o Equador der asilo político a Julian, o que acontece?
G.MF. – Está claro que se ele colocar o pé para fora da embaixada ele será preso, então vai ficar por lá durante muito tempo. Eu acredito que casos assim levam algum tempo para ser esquecidos, depois pode haver um acordo baseado em algum aspecto técnico, mas no final os britânicos vão concordar em deixá-lo ir se ganharem algo com isso. Depende de o Equador decidir se estão dispostos a pagar um preço por isso.

Você acredita que Rafael Correa vai garantir asilo a Julian?
G.MF. – Eu não sei. Espero que sim. O que ficou claro durante a minha visita à embaixada é que o pessoal lá tem sido muito amigável, caloroso e generoso. Eles estão tratando o Julian muito bem, então há uma postura obviamente amigável. Mas é claro que eles terão que procurar todo o auxílio jurídico necessário. Alguns jornais estão dizendo que deve sair uma resposta hoje [quinta, 21], mas eu acho impossível. O governo do Equador já disse que terá que conversar com o Reino Unido, a Suécia e os Estados Unidos – o que é uma prova de como eles estão conscientes de que o governo americano tem interesse em extraditá-lo.

O governo de Obama iria até o fim na busca da extradição? O próprio governo é acusado de vazar documentos para a imprensa...
G.MF. – Olha, o governo de Obama é ainda pior do que o governo Bush neste aspecto. Ele processou mais whistleblowers (informantes) do que qualquer presidente americano, e endureceu as regras internas do governo para quem vaza informações. Até o New York Times criticou duramente Obama por isso. E é claro, o caso de Bradley Manning é responsabilidade do governo Obama. É um caso terrível, se você pensar. Um jovem rapaz que já está sofrendo uma punição não usual e brutal, pela administração Obama. O que eles estão fazendo com Manning é tão sério que um membro do alto escalão do Departamento de Estado pediu demissão em protesto.

Nando Cordel e Quarteto Olinda em nome do São João na Praça do Arsenal

Foto: Félix Jorge


Por Antonio Nelson
O cantor e compositor pernambucano Nando Cordel celebrará o São João do Recife nesta sexta-feira 22, às
23:40h na Praça do Arsenal. Nando compõe músicas com múltiplos gêneros e já passou pela Bélgica, Alemanha, França, Colômbia, Canadá, Espanha, e Estados Unidos.
No mesmo palco, o Quarteto Olinda fará show liderado por Claúdio Rabeca, que foi discípulo de Mestre Salustiano. O Quarteto se destacou com turnê na Bélgica, em nove cidades (Quarteto Olinda em Sintiniklaas). 

Haverá apresentações de Edmilson Pífano, Reinivaldo Pinheiro e Salatiel Camarão.
Confira! 

19:00h Edmilson Pífano
20:00h Reinivaldo Pinheiro
21:10h Quarteto Olinda
22:20h Salatiel Camarão
23:40h Nando Cordel

O pernambucano Luiz Gonzaga é homenageado no Pelourinho

 
Foto: Bruno Ricci


Decoração temática, shows gratuitos, segurança e muita música de qualidade compõem o São João do Pelô em 2012

Neste ano, o São João no Centro Histórico da capital baiana vai encantar o público local e turista. O forró, que já começou no Pelô desde o início do mês, terá, entre os dias 21 e 24 de junho, endereço certo nos seis palcos localizados no Pelourinho. Ao todo, serão mais de 60 atrações durante os próximos quatro dias de festa. 

O evento, realizado pelo Governo do Estado da Bahia através das Secretarias de Cultura e de Turismo, conta com o apoio do Centro de Culturas Populares e Identitárias. A festa acontece da Praça Municipal até a Ladeira do Taboão, envolvendo os largos do Pelourinho num verdadeiro arrasta-pé do bom.
O arraiá acontece no Terreiro de Jesus, Cruzeiro de São Francisco, Largo do Pelourinho e Largos Pedro Archanjo, Tereza Batista e Quincas Berro D’Água. No Terreiro de Jesus, o forró começa sempre às 18h, e contará com artistas consagrados como Zelito Miranda, Estakazero, Adelmário Coelho, Targino Godim, Cangaia de Jegue e Val Macambira, entre outros. Já no Largo do Pelourinho, os shows vão começar a partir das 20h30. Marcarão presença nesse palco, por exemplo, o Bando Virado no Moi de Coentro e A Volante do Sargento Bezerra.
Mas no Pelourinho, o forró não para! Pedro Archanjo, Tereza Batista e Quincas Berro D’água durante o São João terão duas atrações a cada noite. O público poderá curtir xote, xaxado e baião com artistas como a Banda Flor do Cangaço, Flor Serena, Celo Costa e Pé de Fulô, começando sempre às 21h.
Na Praça Municipal, a animação fica por conta das quadrilhas de São João. O concurso de quadrilhas, existente desde 2008, começou nesta quarta-feira (20) às 18h. Nos dias 23 e 24, começará mais cedo, às 16h. Shows também animarão o público após as apresentações dos grupos, começando sempre às 23h.
Mais um palco no Cruzeiro de São Francisco animará a festa. Também com duas atrações por noite, o arrasta-pé aos pés de um bonecão de mamulengo representando o rei do baião, Luis Gonzaga, começará às 20h, fazendo todo o povo dançar ao som de artistas como Forró no Kilo e Zé Honório e Banda Visgo de Jaca.
A homenagem a Luiz Gonzaga, que completaria em 2012 seu centenário, caso estivesse vivo, é a marca desse São João. O rei do baião está presente em toda a decoração que dá o ar de festa ao Pelourinho. Representações do artista, bem como imagens de toda a discografia de Gonzaga enfeitam pórticos e portais no Centro Histórico.  Ele estará presente também no repertório dos artistas, que não deixarão de cantar clássicos como “Asa Branca” e “Assum Preto”.
Quem estiver por Salvador no São João, o Pelourinho é a melhor opção de sentir o clima de interior, estando na capital. Os casarões e ruas de pedra trazem a sensação de se estar numa vila, o que torna o Centro Histórico ideal pra quem quer curtir o verdadeiro São João, sem sair da cidade.



Fonte: Pelourinho Cultural

Serenata das Rosas, Alceu Valença, Silvério Pessoa e Quinteto Violado são as principais atrações do São João do Recife

PROGRAMAÇÃO – Ao redor do Sítio Trindade, a partir das 18h, grupo Serenata das Rosas saem pelas ruas convidando o público para o arraial do Sítio Trindade na sexta (22), sábado (23) e domingo (24). No salão principal da festa, o cearense Santanna, conhecido como “O cantador” é a principal atração nesta sexta-feira (22). A banda Perkata de Couro também se apresenta durante a noite, com repertório composto por músicas próprias e clássicos de Dominguinhos, Azulão, Trio Nordestino, Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga. A programação ainda tem Walter Lins, Manoelzinho do Acordeon e o Trio Macambira, a partir das 20h.

No sábado (23), às 22h30, o cantor e compositor Silvério Pessoa faz um show misturando músicas de vários CDs, com ênfase nas composições autorais. A seleção reúne músicas como “Vovó Alaíde”, “Cipó de Goiabeira” e “Rei José”, esta última fez parte da trilha da novela “Cordel Encantado”. Silvério também mostra seu lado intérprete cantando “Coração Bobo”, de Alceu Valença, “Cabo Tenório”, de Jackson do Pandeiro, e “De Juazeiro a Crato", do repertório de Luiz Gonzaga.

Por volta da meia-noite, Alceu Valença sobe ao palco com espetáculo que explicita a influência de Luiz Gonzaga na sua criação musical. Do repertório de Gonzagão, Alceu recria canções que o marcaram desde a infância, entre elas, “Juazeiro”, “Sabiá”, “Sala de Reboco” e “Xote das Meninas”. Do seu repertório autoral, “Pelas Ruas Que Andei”, “Cavalo de Pau”, e “Como Dois Animais”, além de forrós e baiões que reforçam sua condição de renovador do gênero, como “Vou Pra Campinas” e “Forró Lunar”.

No domingo (24), a principal atração é o Quinteto Violado, com 40 anos de carreira. No show, o grupo interpretará músicas de Luiz Gonzaga. Um momento marcante deverá ser a apresentação do clássico “Asa Branca”, com arranjo do próprio Quinteto, que foi considerado pelo próprio Luiz o mais bonito já feito.

SERVIÇO

Sítio Trindade - polo junino do São João do Recife 2012
Shows no palco principal, Sala de Reboco, apresentações de quadrilhas e de teatro no palhoção: acesso gratuito
Brinquedos infláveis:
R$ 3,00 / passeio no pônei: R$ 2,00
Endereço:
Estrada do Arraial, 3259, Casa Amarela, Recife.
Telefone:
81 3355.3410/ 3355.3411

Programação

Sexta-feira (22/06)


18h - Serenata das Rosas
20h - Walter Lins
21h10 - Perkata de Couro
22h20 - Manoelzinho do Acordeon
23h40 - Santanna O cantador
01h20 - Trio Macambira

Sábado (23/06)

18h - Serenata das Rosas
19h - Ivan Ferraz
20h20 - Douglas Paixão
21h20 - Luizinho Calixto
22h30 - Silvério Pessoa
00h10 - Alceu Valença
02h00 - Aécio dos 8 Baixos

Domingo (24/06)

18h - Serenata das Rosas
18h30 - Silveirinha do Forró
19h40 - Tangaras
20h50 - Tito Lívio
22h30 - Quinteto Violado


Fonte: Prefeitura do Recife.
Os artigos assinados não representam necessáriamente a opinião do Sentinelas da Liberdade. São da inteira responsabilidade dos signatários. Sentinelas da Liberdade é uma tribuna livre, acessível a todos os interessados.