quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Entrevista: Protógenes Queiroz

“Os verdadeiros bandidos dessa República estão soltos. E muitos deles acobertados com mandatos políticos ou cargos na alta estrutura de poder do Estado. Quem está na penitenciária da cadeia pública é pobre, negro, desempregado, desassistido; as vítimas da exclusão social que existe no país, originariamente da corrupção do desvio de recurso público.” delegado Protógenes Queiroz.



Sentinela – Antonio Nelson*


Após o alvorecer das comemorações ufanistas da Proclamação da República por parte de alguns cidadãos brasileiros, meu cérebro réptil reativou meus arquivos da entrevista que produzi com o delgado Protógenes Queiroz. Protógenes realizou o bate-papo com jornalista Adelson Carvalho - Rádio Sociedade da Bahia.

Perspicaz, Adelson Carvalho realizou um diálogo contextualizado: O caso Daniel Dantas e sua repercussão; quem é Daniel Dantas? Será que o delegado se sentiu injustiçado pela PF após prender Dantas? Karl Max e a sociedade movida por interesse! Quais são os tipos de ameaças que Protógenes já passou e passa? O presidente Lula conseguiu dar um tom maior na corrupção? Qual foi maior bandido que Protógenes já prendeu? Dantas um é Sociopata? Uma personalidade danosa ao mercado financeiro e aos poderes da República?

E quando o assunto é futebol! Eis a questão: Os times de futebol da Brasil também estão afundados em corrupção?

O flagelo social na Bahia, a possível candidatura de Protógenes para prefeito de Salvador em 2012. A importância de políticas públicas para a educação, saúde e segurança pública são temas que também foram abordados. Qual o bandido que Protógenes ainda não prendeu e gostaria de prender? Além disso, Adelson Carvalho interrogou sobre o valor da família. Confira na íntegra:






Protógenes Queiroz com Adelson Carvalho by antonionelsonlp

*Antonio Nelson labutou na Rádio Sociedade da Bahia. Produção no primeiro semestre de 2011.

Últimos dias: exposições em cartaz no MAM-BA



Por Ana Luiza Rodrigues*



A
s mostras Dez anos de fotografia espanhola contemporânea – Coleção Fundação Coca-Cola e Sob o mesmo Céu da artista baiana Beatriz Franco, iniciam sua última semana de visitação, com encerramento dia 20 de novembro. Contando com a participação de 26 artistas espanhóis que expõem 33 obras, entre fotografias e vídeos e a obra de Beatriz Franco na Capela do museu, as exposições receberam um grande público que visitou e participou das atividades e ações propostas pelo Núcleo de Arte e Educação do MAM-BA.

Aproveitando ainda os desdobramentos que acontecem nesta semana, o público pode conferir as atividades: Diálogos Contemporâneos, com o tema: "Brasil: um retrato em branco e preto. Dialogando com a imagem e o sentido.", dia 19 de novembro, das 16h às 18, no Cinema do MAM-BA, e a ação O museu como espaço multidisciplinar de aprendizagem, com os educadores do Núcleo de Arte e Educação que apresentarão suas realizações e reflexões acerca da arte e educação como mediação cultural e social, dia 18 de novembro das 15h às 18h, na Galeria 3 do museu.

Ações educativas como palestras e oficinas foram desenvolvidas e contaram com a participação dos visitantes. Dialogando com as exposições, artistas e professores como Renato Fonseca, Karla Brunet, Eriel Araújo e Zé de Rocha fizeram parte dos desdobramentos das exposições focando no tema de cada uma delas e explorando diferentes propostas artísticas.

Dez anos de fotografia espanhola contemporânea – Coleção Fundação Coca-Cola

Lorena Martínez de Corral, curadora da exposição, teve por objetivo mostrar a abordagem dos 26 artistas espanhóis frente ao mundo, e as visões que resultam de tal contato. “Não se trata de mostrar características próprias de um país, mas sim de confrontar diferentes interpretações forjadas nos universos próprios de artistas com as interpretações que os espectadores de outro país têm de uma realidade que a cada dia é mais e mais comum”, diz a curadora. Lorena de Corral falou sobre a importância da curadoria e do papel das instituições museais e bienais como incentivadores da produção artística contemporânea, numa palestra realizada no Cinema do MAM-BA.

“O público local terá esta possibilidade de perceber distintos olhares, comparando a forma como múltiplas percepções encontram meios de responder simbolicamente a diferentes realidades. Esta mostra traz um significativo recorte da produção contemporânea espanhola, e evidencia as aproximações e distanciamentos entre a produção artística brasileira e espanhola, apesar das mais óbvias, e sutis, diferenças entre as duas realidades”, diz Stella Carrozzo, diretora do MAM-BA.

Sob o mesmo céu

Em sua segunda exposição individual na Bahia, a artista Beatriz Franco proporciona uma experiência sensorial que parte da imersão num ambiente criado especialmente para esta exposição, na Capela do MAM-BA, possibilitando ao espectador a construção de uma relação com o espaço.

Em suas obras, Beatriz sintetiza o pensamento de que tudo pertence a um mesmo macrocosmo do qual fazemos parte, conceito já presente na filosofia pré-socrática. Desta maneira, a artista estabelece um diálogo com o ser humano, com a sua presença na natureza, com a sua própria natureza humana, com o tempo e com a palavra. Para o artista visual e curador Ayrson Heráclito – também professor da UFRB – “Sob o mesmo céu” é a tradução visual da qualidade poética da artista, e completa: “Beatriz Franco faz poesia brasileira, cristalina e precisa – na melhor tradição de Cecília e Cabral”.


Serviço
Evento:
Última semana exposições Dez anos de fotografia espanhola contemporânea – Coleção Fundação Coca-Cola e Sob o mesmo céu
Data: em cartaz até 20 de novembro
Horário: Terça a domingo, das 13h às 19h, e sábados, das 13h às 21h.
Local: Casarão, Galeria Subsolo e Galeria 1 e Capela do MAM-BA
End.: Museu de Arte Moderna da Bahia, Av. Contorno, s/n, Solar do Unhão
Informações: 3117 6139

*Ana Luzia Rodrigues é coordenadora do Núcleo de Comunicação do MAM-BA.
* Fotojornalismo: Antonio Nelson. Imagem produzida na visita ao MAM.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Greve no atual cenário político e sindical



Sentinela - André Luís*




Conforme descrevem os dicionários, o conceito de greve traz consigo a palavra interrupção. Ou seja, é uma suspensão voluntária dos serviços prestados com o intuito de manifestar uma insatisfação acerca de uma condição julgada negativa por quem protesta. Sem embargo do conceito, os movimentos grevistas nos últimos anos têm colecionado perdas em razão da sistemática injunção do Capital aliado aos Governos, e ambos movimentando a Justiça, os quais arregimentam forças para oprimir aquele que se insere no movimento grevista, ameaçando-o com perda de gratificações, avaliações periódicas negativas, cortes de ponto, compensação hora a hora e toda a sorte de assédio psicológico e funcional já fartamente relatados na literatura específica.

Malgrado a greve seja um direito assegurado pela Carta Magna, o seu exercício jamais fora praticado de forma pacífica – e nem será – uma vez que o objetivo central do movimento é incomodar pela ausência e destacar a importância da atividade suspensa e dos seus agentes.


Esse quadro de violência a um direito constitucional jamais ocorreria de forma tão célere não fosse a efetiva participação dos sindicatos e centrais sindicais na negociação coletiva lesiva aos direitos dos trabalhadores perante governos e empresas.

A ascensão da esquerda ao poder se constituiu inicialmente numa onda de esperança no reforço das políticas e instituições públicas. Entretanto o que se vê é o velho projeto liberal de entregar o Estado ao mercado. Jamais houvera tamanha decepção! Movimentos de esquerda lapidados nos embates sociais e compostos por trabalhadores continuaram justamente trabalhando pelos privilégios dos detentores do poder econômico. Estando no poder, a esquerda precisou deixar encarregados nos postos estratégicos do movimento sindical, o que responde pela implementação das políticas anti-greve e pelas ações de combate mornas quase sem resultados.

Para não serem acusados de traidores dos trabalhadores os sindicatos aliados aos governos disparam uma greve, entretanto discursam de forma moderada, desviam os ataques aos patrões, não mobilizam os trabalhadores, muitas vezes, ao contrário, desmobilizam e mesmo diante de decisões coletivas em assembleias pelo embate direto ao governo tratam de aliviar o peso das pedras lançadas, alterando datas de assembleias, calendários de mobilização, inviabilizando a participação da base nas discussões, viagens, reuniões ampliadas, e uma série de outras medidas.

Nesse contexto nascem movimentos alternativos, os quais se classificam como ‘verdadeira esquerda’, por possuírem ações voltadas de forma contundente para os interesses do trabalhador, sem mescla a interesses patronais. Há um exemplo inconteste dessa mescla patronal nos movimentos sociais: os dirigentes sindicais subordinados ao poder sempre trarão assuntos que provoquem dissidências entre a categoria, para que ela se desgaste por si só, além de colocarem em votação assuntos que não pertinem ao movimento grevista, mas tão somente aos patrões, como o estabelecimento de serviços essenciais.

Ora, os mestres da greve sabem perfeitamente que se deve deflagrar uma greve – suspensão total dos serviços, interrupção de atendimentos – para provocar tensão de um lado; do outro, os interessados que se movimentem no estabelecimento de limites ao exercício da greve.

É dessa tensão que ocorre a lapidação do direito e o acesso ao objetivo colimado. O que aconteceria se nesse mecanismo fosse inserido um elemento do patronato no lado dos trabalhadores? É nesse ponto que entram os movimentos apelidados de ‘radicais’ – pecha, na maioria das vezes, difamatória – os quais buscam defender, às vezes de forma passional, o direito dos trabalhadores.

Esses movimentos estão crescendo, como uma gestação de uma nova ‘esquerda’. Terá, entretanto, outro nome, porque o que está nascendo é algo que vai renovar o cenário político brasileiro.


*André Luís – É da equipe do Sentinelas, Servidor do TRT 5ª Região, integrante do Coletivo Renova Sindjufe.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

COPA 2014

Saiu no Le Monde Diplomatique Brasil impresso.


A Lei Geral dos interesses particulares



Autoridades brasileiras parecem admitir que a recepção de um megaevento esportivo autoriza também megaviolações de direitos, megaindividamento público e megairregularidades. É preciso questionar a legitimidade desse tipo de relação de vassalagem política, que endossa um bloco de negócios privados gerador de considerável ônus público.


Por Thiago A. P. Hoshino e Leandro-Franklin-Gorsdorf. Leia na íntegra:
Le Monde Diplomatique Brasil.




domingo, 13 de novembro de 2011

Corram com a marcha que a polícia vem aí

TELEANÁLISE


Sentinela - Malu Fontes*


E
nquanto mais um ministro passava a semana pendurado no pau de arara das denúncias de corrupção, desta vez no Ministério do Trabalho, o Brasil acompanhava take a take pela TV os movimentos de uma espécie de Malhação real, em versão para adultos e com ares de suspense policial: a peleja travada entre a Polícia Militar de São Paulo e o grupo de estudantes que invadiu a Reitoria da USP após três alunos terem sido levados para uma delegacia por terem sido flagrados fumando maconha no campus. Esse “era” o embate inicial, um conflito interno travado entre uma penca de alunos e a PM.

No entanto, assim que o conflito se estabeleceu e chegou à opinião pública, o caldo entornou. O roteiro foi ficando cada vez mais complexo e non sense, o número de personagens envolvidos foi aumentando literalmente aos milhares a cada dia e papéis de mocinhos, vítimas, heróis, vilões, bárbaros e bandidos foram sendo atribuídos, seguidos de pedido de clemência ou de invocação a um massacre moral ou físico sumário, por tudo o quanto é gente que hoje pode dar sua opinião, seja diante de uma câmera de TV, numa entrevista a um repórter de veículo impresso ou online, numa rede social ou nos comentários postados sobre a cobertura do assunto nos sites jornalísticos.

VILÃO - É preciso dizer que o roteiro muda completamente de versão e os personagens mudam completamente de atores a depender dos lugares sociais, econômicos, ideológicos, e sabe-se lá o que mais outros, de quem os vê e os adjetiva. Um mesmo ator social pode, nesses roteiros construídos pela opinião pública, como se tem visto na cobertura televisiva e em toda a midiosfera, assumir, em um, o papel de vilão estrategista interessado em privatizar a USP, em outro o de mocinho-salvador da pátria e da honra moral da universidade pública e, em um outro roteiro, o de um picolé de chuchu invertebrado que não tem pulso firme o suficiente para mandar a PM arrebentar com um boa coça os arruaceiros, vagabundos e maconheiros que, ao invés de estudar, querem puxar um fumo à vontade sem serem importunados na universidade.

Esse papel triplo na trama USP versus PM tem sido atribuído a ninguém menos que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Os partidos de esquerda radicais como o PCO (Partido da Causa Operária) ficam com a primeira opção para caracterizar o papel do governador nesse imbróglio, a opinião pública média tende a ficar com a segunda classificação e os conservadores saudosistas da ditadura não pestanejam em categorizá-lo no terceiro papel. Para quem viu o programa do Partido da Causa Operária exibido essa semana no Horário Eleitoral Gratuito na TV deve ter ouvido a explicação da legenda para o que aconteceu: os estudantes que invadiram a reitoria da USP o fizeram como revolucionários que são, em sua luta em favor da sociedade brasileira e contra a sanha estatizadora do tucanato contra as universidades públicas. Que maconha? Não, essa versão jamais chegou aos ouvidos do PCO.

Embora muitos comentaristas que defendem o direito dos uspianos fumarem seu bagulho à vontade no campus sem serem importunados pela Polícia tenham dito que a mídia tradicional massacrou os manifestantes, a verdade é que muitos jornalistas os defenderam em suas colunas. Outros tantos, entre personalidades, especialistas e professores defensores de um tratamento, digamos, ‘diferenciado’ aos universitários por parte da Polícia, também se manifestaram em diversos debates na TV fechada (na aberta os debates inexistem). O nó maior da questão do conflito na USP se deu não em função do episódio inicial, mas no fato de este ter se transformado no estopim de trocentos mil debates que não há como um veículo como a TV explicar claramente a seus telespectadores. Primeiro, apenas uma pequeníssima parte da opinião pública brasileira sabe que a Polícia não entra nos campi universitários públicos por uma conquista e ao mesmo tempo um tabu herdados da ditadura militar.

CRACOLÂNDIA - Como, na época da ditadura e em parte do tempo que a precedeu a Polícia entrava na Universidade não para policiar, mas para prender, censurar e reprimir professores e alunos considerados subversivos, com a redemocratização, um dos direitos conquistados pelas universidades públicas foi o de se proteger da Polícia, mantendo-a longe. No entanto, as coisas no Brasil mudaram um tantinho desde o fim da ditadura, a violência urbana explodiu e como a universidade não é uma bolha em relação às cidades onde estão instaladas, a criminalidade também chegou aos campi com assassinatos, estupros, roubos e tráfico. Diante dessa mudança de cenário, boa parte de estudantes e professores hoje já se deram conta que esse conto da carochinha de Polícia só da porta para fora não irá muito longe. Foi o que aconteceu na USP. Um estudante foi assassinado durante um assalto e desde então a USP (que é estadual, mantida pelo Governo de São Paulo), fez um acordo para a PM atuar dentro do Campus.

Era uma questão de tempo: os policiais viram estudantes fumando maconha no campus da USP, maconha ainda é uma droga ilícita, não fizeram vista grossa e o resto é o que se viu na imprensa. O que começou com umas tragadas evoluiu para a rejeição já existente contra o reitor, para as relações entre o PSDB e os partidos de esquerda e chegou à campanha eleitoral, quando o candidato do PT ao governo de São Paulo, o atual ministro da Educação, Fernando Haddad, insinuou que a Polícia havia exagerado ao invadir a reitoria ocupada pelos estudantes. Afirmou que a USP não é a cracolândia (para ser invadida daquele jeito). Mesmo que o caso da USP comporte uma série de questões peculiares, a universidade pública que bote as barbas de molho, pois, do jeito que a coisa anda em termos de segurança pública no país, é bom que os estudantes abracem mais fortemente a causa e as marchas da legalização da maconha, pois, sim, a Polícia vem aí e nunca vai ter modos de mordomo francês.


*Malu Fontes
é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA.
maluzes@gmail.com

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