quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Drª Bella Palomo ministrará curso em Salvador


Sentinela - Maísa Amaral*

Mais um curso gratuito será disponibilizado pelo núcleo pedagógico da Faculdade de Comunicação da Ufba (Facom). A profª Drª Bella Palomo, da Universidade de Málaga-Espanha vai ministrar o Curso Inovação no Jornalismo, entre os dias 1,2 e 3 de setembro, das 15h às 18h, na própria instituição. Temáticas como Web 2.0 – aplicações da web social na comunicação institucional, Efeitos da crise nas mídias – balanço e soluções, o blog como ferramenta de micropersuasão, e novas tendências no design de portais serão debatidos durante o curso. As inscrições serão feitas no primeiro dia das aulas!


A professora doutora possui especialização em matérias vinculadas ao jornalismo digital, desenho e estrutura do sistema dos meios.

*Maísa Amaral é jornalista DRT - 3178-BA

Prática de leitura e produção de textos

Bacharel em Letras Vernáculas com Francês pela Universidade Católica de Salvador (Ucsal), e curso de Mestrado pela Universidade Estadual da Bahia (Uneb),o professor José Gomes Filho ministrará o curso de aperfeiçoamento na Leitura e Produção de Textos. Num total de 45 horas,de 29/08 sábado a 05/12, das 16:30 às 19:30 h, com limite de 30 vagas, no Edf. Profissional Center, av. ACM, 201, salas 1018/19.

José Gomes oferecerá exercícios nas áreas da Análise do Discurso, Linguagem e Argumentação; Leitura e Interpretação.

Fones:(71) 9607-0786 / 3015-9008

Paulo Henrique Amorim combate corrupção


São Paulo, 12 de junho, 2008

Eu, Paulo Henrique Amorim, cidadão brasileiro, … entro com essa REPRESENTAÇÃO no Ministério Público Federal – São Paulo, por suspeita de MALVERSAÇÃO DE FUNDOS PÚBLICOS e de PREVARICAÇÃO contra o Ministro da Fazenda, contra os diretores da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), contra o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e os diretores do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Anatel para que se promova a CESSAÇÃO DA CONDUTA, a APLICAÇÃO DAS MULTAS cabíveis, e a abertura de AÇÃO CÍVEL PÚBLICA .

I) Notícia que resume os motivos a sustentar essa REPRESENTAÇÃO:

O que é a “BrOi” ?

Daniel Dantas e os empresários Carlos Jereissati e Sergio Andrade – donos da Telemar/Oi – acharam um jeito de tomar dinheiro dos trouxas – o maior deles é o BNDES, subordinado ao Ministro do Desenvolvimento – e comprar a Brasil Telecom.

Com isso, vão ficar com o monopólio (70%) da telefonia fixa do Brasil, fora São Paulo, que é explorado pela Telefónica.

Depois de manipular as ações na Bolsa com notícias falsas sobre a criação da empresa, e antes que a regulamentação – porque o Plano Geral de Outorgas não permite a criação da “BrOi” -, Dantas conseguiu:

1) Que os fundos de pensão que controlavam a Brasil Telecom – Previ (dos trabalhadores do banco do Brasil), Petros (dos trabalhadores da Petrobrás) e Funcef (dos trabalhadores da Caixa Econômica) – retirassem da Justiça as ações que moveram contra Dantas por “gestão temerária”;

2) Que o Citibank, sócio da Brasil Telecom, retirasse da Justiça de Nova York as ações que movia contra Dantas por “gestão temerária”.

3) Que a própria Brasil Telecom retirasse as ações que tinha com o Opportuniy;
4) Que o BNDES se comprometesse a dar a Jereissati e a Andrade a grana para que os dois comprassem – sem botar um tusta do próprio bolso – a Brasil Telecom; comprassem a parte dos outros sócios na “Telemar/Oi”; e pagassem um cala-a-boca a Dantas, para que ele saísse de fininho da Brasil da Telecom e da Oi – onde ainda tinha participação minoritária. Dantas receberá um cala-a-boca de R$ 1 bilhão, coisa pouca… Parte virá da Brasil Telecom, parte da Telemar/Oi. Ou melhor, virá TUDO do BNDES.

Convém lembrar, nessa notícia, que um filho do Presidente da República é sócio da Telemar/Oi numa empresa chamada “Gamecorp”. Ela produz conteúdo para celulares da Oi, jogos, e recentemente entrou no ramo de televisão, com a TV Bandeirantes.
Paulo Henrique Amorim se candidatou a comprar a Brasil Telecom, através de sua empresa PHA Comunicação S/C Ltda, CNPJ 01681373/0001/-38, nas seguintes condições: a PHA daria R$ 1 a mais do que dessem os empresários Carlos Jereissati e Sergio Andrade, DO PRÓPRIO BOLSO.

O BNDES ignorou a proposta.

Um presidente de fundo disse ao respeitado jornalista Rubens Glasberg que fez acordo com Dantas como, na favela, se faz acordo com o chefe do tráfico para poder viver em paz.
O BNDES é suspeito de praticar malversação de fundos públicos, uma vez que o BNDES é o único que vai entrar com dinheiro nessa história.

Quando o BNDES explica a operação, diz que não vai dar dinheiro para que os sócios da Telemar/Oi comprem a Brasil Telecom. Mas, sim, usar dinheiro que já existia no caixa do BNDES para promover a “recomposição acionária” dentro da Telemar/Oi.

Promover a “recomposição acionária” significa dar dinheiro.

O dinheiro do BNDES vem do Tesouro Nacional e do FAT, dinheiro dos trabalhadores brasileiros.

Como não há “geração espontânea” de dinheiro, é do Tesouro Nacional e do FAT que Carlos Jereissati, Sergio Andrade e Daniel Dantas receberão o dinheiro.

O BNDES justifica a criação da “BrOi” com o argumento de que é preciso criar uma super-tele de capital nacional, para enfrentar os estrangeiros e competir no mercado internacional.
Quem disse que a Brasil Telecom e a Telemar/Oi não podem enfrentar os estrangeiros ?
Qual é o problema “enfrentar os estrangeiros” ?

(Veja anexas as 52 perguntas que Rubens Glasberg fez sobre a “BrOi”.)
Por que as duas empresas não criam uma subsidiária com o fim precípuo de competir no mercado internacional. – e só lá ?

Com o dinheiro do BNDES – quer dizer, do Tesouro Nacional e do FAT – , a Telemar/Oi vai pagar um “cala-a-boca” a Daniel Dantas, embora a Telemar/Oi não seja parte de nenhuma pendência judicial com Dantas.

Por que o BNDES vai ajudar a “recompor” das finanças de Daniel Dantas, via Telemar/Oi ?
Qual a lógica disso ?
Como explicar isso ao Tribunal de Contas da União ?

Malversação de fundos públicos é do que se pode acusar, também, o Banco do Brasil, que é sócio da Telemar/Oi.

Prevaricação é o crime da Comissão de Valores Mobiliários, subordinada ao Ministro da Fazenda, e da Anatel.

A Anatel vai modificar a Plano Geral de Outorgas – PGO – apenas para criar a “BrOi”.
Muda-se a lei “sob encomenda”, para que dois empresários tenham o monopólio da telefonia fixa do país !!! Sem entrar com um tusta !!!

A Comissão de Valores Mobiliários calou-se diante dos seguintes fatos:

1) Da manipulação das ações da Brasil Telecom e da Telemar/Oi na Bolsa com as notícias que os empresários e Daniel Dantas plantavam na mídia.
Primeiro, os empresários e seus empregados negavam a operação da “BrOi”.
Depois, as empresas diziam que os acionistas é que tinham que falar.
Os acionistas negavam a operação.
E a CVM não dizia um “ai”.

2) A CVM se calou também diante da óbvia operação “Zé com Zé” que houve entre a Brasil Telecom, os fundos Previ, Petros e Funcef, o fundo AG Angra e Sergio Andrade.
A operação funcionou assim:

Os fundos de pensão – Previ, Petros e Funcef – mandaram Daniel Dantas embora da Brasil Telecom e colocaram no lugar um dos sócios do fundo Angra, o Sr. Ricardo K.

O Angra, na Brasil Telecom, defende os interesses dos fundos de pensão.

Acontece que o Angra tem um fundo – o “AG Angra” – em sociedade com a “AG” – Andrade Gutierrez.

O dinheiro do “AG Angra” vem dos fundos de pensão, que são os donos da Brasil Telecom.

A Andrade Gutierrez não botou um tusta no AG Angra.

Tenho informação – a confirmar – que a remuneração pela gestão (“management fee”) que os fundos pagam ao AG Angra é de R$ 1 milhão por mês.

R$ 1 milhão por mês ? Por que ? Se o AG Angra, aparentemente, ainda não aplicou em nenhum investimento em infra-estrutura.

Gerir o quê ?

Esquisito.

O Angra está na Brasil Telecom, e no AG Angra.

Os fundos estão na Brasil Telecom, no AG Angra, e vão ser sócios de Sergio Andrade na “BrOi”.

O Angra tem que defender os fundos na Brasil Telecom.

O Angra tem que defender a Andrade Gutierrez no AG Angra.

O Angra tem que vender a Brasil Telecom por um bom preço, para os fundos ficarem felizes.

E tem que vender a Brasil Telecom à Telemar/Oi por um preço baixo, para o Sergio Andrade ficar feliz.

E tem que vender por qualquer preço – e rápido - para os sócios do Sr. K no Angra ficarem felizes.

Porque, depois da “BrOi”, o sr. K voltará ao Angra.

Isso configura “conflito de interesse” ou um gigantesco “encontro bem remunerado de interesses”.

Como se diz na Bolsa, é um “Zé com Zé”.

E todos os “Zé” saem bem dessa: o Angra, o Sr. K, o Sr. Andrade, e os fundos.

Quem sai bem mesmo é Daniel Dantas, que recebe um cala-a-boca de quase US$ 1 bilhão para sair da Telemar e da BrT e não processar mais ninguém.

E quem perde com isso ?

O BNDES, que entra com o dinheiro – e mais ninguém.

Perdem os fundos, porque o dinheiro deles – dos trabalhadores do Banco do Brasil, da Petrobrás e da Caixa Econômica – é administrado por “administradores” que pensam, antes, no bolso deles (“administradores”).

Perdem os fundos, porque o dinheiro deles é administrado por gente que tem “conflitos de interesse”.

Qual conflito de interesse ?

.O conflito entre os interesses dos fundos e os interesses dos “administradores”, como o Sr K.

“Administradores”, como foi, no passado, Daniel Dantas.

. Quem perde também – e acima de tudo – é o consumidor, porque a “BrOi” ficará com 70% do mercado de telefonia fixa do país.

E o que a CVM fez diante desse “Zé com Zé”, em que o Tesouro Nacional, o FAT e o consumidor é que pagam o pato ?

Nada.

5) A CVM não interpelou a Telemar/Oi para saber por que vai pagar um “cala-a-boca” a Daniel Dantas por conta da suspensão de pendências judiciais, se a Telemar/Oi não é parte dessas ações ?

A Telemar/Oi é uma empresa de capital aberto e os acionistas minoritários deveriam saber por que pagar por um acordo que não lhes diz respeito ?

6) A CVM não deu seqüência às representações de “gestão temerária” que a Brasil Telecom fez contra Daniel Dantas, quando gestor da Brasil Telecom.

Por acaso a CVM também fez um acordo de “apagar a pedra” com os processos judiciais que corriam contra Dantas ?

II) Seguem anexos os seguintes documentos:

1) Comunicado conjunto das empresas Brasil Telecom e Telemar/Oi sobre como será a operação;

2) Noticia da Assembléia de acionistas da Brasil Telecom que faz cessar as ações contra Daniel Dantas na Justiça;

3) Comunicados das empresas Brasil Telecom e Telemar/Oi à CVM que tratam da “recomposição acionária” da Telemar/Oi e não explicam de onde vem o dinheiro da “recomposição acionária” e como vão pagar o cala-a-boca de Daniel Dantas;

4) Editorial “O Silêncio Ensurdecedor”, de autoria de Rubens Glasberg, na Teletime News;

5) As 52 perguntas que Glasberg formulou sobre a “BrOi” e que jamais mereceram resposta de qualquer dos envolvidos na operação.

6) Resumo das ações da Brasil Telecom contra Daniel Dantas na CVM;

7) Resumo das ações da Brasil Telecom contra Daniel Dantas na Corte de Nova York;

8) Resumo das ações do Citibank contra Daniel Dantas na Corte de Nova York.

Atenciosamente, o cidadão desta pobre República,

Paulo Henrique Amorim
Acesse: http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=16500

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O fedor dos bacanas e a derrota da plateia

Sentinela - Luiz Eladio Humbert*

Despreparados, preguiçosos e incompetentes, os bacanas brasileiros transformaram o país numa imensa cloaca tropical, cada vez mais podre e fedorenta, uma espécie de rinha lamacenta de lutas deploráveis entre seres putrefatos, onde um rato ataca o semelhante, e nós, platéia desprezível, com a passividade mórbida de sonâmbulos da indiferença e da covardia, consentimos que o meliante que preside a suprema corte seja desmoralizado publicamente com acusações de improbidade pelos seus pares e nada, absolutamente nada aconteça; permitimos que a gangue de ratos parlamentares do congresso nacional repita diariamente o descalabro da suprema corte, com acusações recíprocas de gatunagem e nada aconteça. E agora assistimos feito panacas a senhora impunidade estimulando os ricos donos das maiores redes concessionárias do serviço público de televisão a se acusarem mutuamente dos piores crimes contra a segurança nacional, porque honra nós não temos mais. E nada vai acontecer, porque também não temos vergonha.

Marighela, Lamarca e seus bravos companheiros patriotas foram cruelmente assassinados pelos covardes mandantes e comandantes da ditadura militar, porque aqueles valentes queriam impedir que o Brasil se transformasse nesse esgoto que hoje ele é. Eles lutaram pela justa distribuição de renda, pela manutenção da estabilidade no emprego, por salário digno e pelas demais conquistas e direitos dos trabalhadores. Ofereceram suas vidas pela causa da seriedade no trato da coisa pública, pela soberania política e econômica do país e por isso eles foram assassinados.

Diante de tudo isso que está acontecendo, diante da bandidagem e da permissividade institucionalizada, nós do Grampo recomendamos a leitura atenta do artigo abaixo, “Duas formas de ver a vida”. (http://www.gramporock.blogspot.com/)


*Luiz Eladio Humbert (Lalado) poeta, escritor e letrista do GRAMPO:
http://www.gramporock.blogspot.com/

Amanhã sem você


Adeus
amamos tanto, tantas vezes
cada vez que nos amamos
e de tanto amar, paramos o tempo
o tempo alado que foi passando

Adeus
só restam lembranças que vão ficar
e ficará o adeus em nosso olhar

amanhã eu sei
você vai embora
o amanhecer será tristonho
será o fim de nosso sonho
que será sem fim até agora
(FIM ATÉ AGORA)...
(Flávio Albray, Petronius Bandeira, Beto Becerra, Lucas de Ouro e Lalado).

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Edir sucede Sarney na fita

TELEANÁLISE

Sentinela - Malu Fontes*
maluzes@gmail.com

Os protagonistas dos escândalos no Senado tiveram razões de sobra para começar a semana louvando o chefe mor da Igreja Universal do Reino de Deus, o ‘bispo’ Edir Macedo, caído em desgraça no circuito noticioso por acusações feitas pelo Ministério Público de São Paulo de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Como no Brasil os escândalos não têm desfechos, para empalidecerem precisam sempre de um outro. Calhou, portanto, de ser justamente o bilionário bispo Macedo a entrar em cena com um novo escândalo para dar algum sossego aos bigodes tinturados de José Sarney nas principais manchetes dos jornais e telejornais.

Não sem alvoroço e barulho, a Rede Globo, a Band, os jornais O Globo e a Folha de S. Paulo fizeram a cobertura das acusações contra Macedo. Os dados não são frágeis e a imprensa sistematicamente atacada por processos da IURD teve material de sobra para contar em detalhes o que supostamente há de podre sob os tapetes vermelhos dos templos universais. A Globo não perdeu a oportunidade de re-exibir o vídeo em que Macedo, informal e numa partidinha de futebol em Salvador ensina ironicamente a como tirar dinheiro falso dos desesperados com problemas terrenos. No vídeo exibido, o bispo tripudia até mesmo do cajado de Moisés que teria feito uma rocha brotar água pura. Quem conhece a briga contínua e histórica entre a Universal e Globo/Folha/Band sabe que exibir e narrar acusações contra Macedo, ainda por cima ancoradas em dados do Ministério Público, equivale a manifestações orgásticas dessas organizações.

DIABO - As acusações apresentadas pelo Ministério Público paulista à Justiça baseiam-se em dados da Receita Federal e do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão do Ministério da Fazenda que combate a lavagem de dinheiro. Com base em tais informações, o MP calcula que somente a movimentação financeira suspeita feita pelo bispo e mais nove executivos do seu grupo soma R$ 4 bilhões de 2003 a 2008. Diz-se que o diabo mora é nas sutilezas. E foi nas sutilezas que, sofisticadamente e de modo indireto a Globo deu de modo desfavorável o espaço que o jornalismo sempre deve dar aos acusados, o tempo para a defesa.

A defesa de Macedo apareceu no Jornal Nacional na voz do advogado do bispo e da turma da IURD, Artur Lavigne. Um dos maiores criminalistas do Brasil e também conhecido por ser o pai de Paula Lavigne, ex-mulher de Caetano e hoje um dos nomes mais poderosos do show business brasileiro, Lavigne surgiu no JN titubeante, reticente e quase gaguejante, com assertividade zero em suas declarações. No contexto, sua fala soou quase um eco da fala dos senadores do Conselho de Ética do Senado. Disse que, certamente, como já aconteceu outras vezes, as acusações contra seus clientes são recorrentes e irão dar no que sempre deram. Em nada, em arquivamento. E tudo foi repetido com esmero no Jornal da Globo e em outros espaços das Organizações Globo. A Band fez uma cobertura tão contundente quanto. Já Sílvio Santos e seu SBT bem que merecem uma prece dos fiéis da IURD pela superficialidade que caracterizou sua cobertura do episódio.

Para aquém ou além das denúncias contra Macedo, no Senado, a crise aparentemente arrefeceu, mas está longe de acabar. As chantagens pesadas nos bastidores entre PMDB e PSDB continuam e, graças a elas, dificilmente Sarney larga o osso. No último round, como sempre, o brasileiro viu pela TV o quanto ele é tomado por seus representantes como um asno imbecil. Sempre que um inescrupuloso do Senado é forçado a entrar em cena por, no jogo das chantagens, ser jogado às câmeras e manchetes, vem uma sentença de idiotice contra o eleitor. A semana começou com o prêmio peroba pulando das mãos de Arthur Virgílio (PSDB-AM), pego de calças curtas sucessivas vezes enquanto apontava o dedo justiceiro para Sarney e companhia, para as de Sérgio Guerra (PSDB-PE).

CÂNCER – Guerra foi acusado de viajar para os Estados Unidos acompanhado da filha numa temporada generosa e financiada com dinheiro do Senado. Como se fosse a coisa mais natural do mundo, com um jeito meio gatão de meia idade de olhar oblíquo, o senador não titubeou. Disse que não fez nada de errado. Foi aos EUA tratar de um câncer no estômago, um problema de saúde, portanto, e que é um direito seu não só buscar tratamento como levar acompanhante. Traduzindo para o real, o que fica é a clareza de que o brasileiro elege representantes que se sentem no direito de, diante de um problema de saúde, bater asas para fora do país às custas do poder público.

Enquanto isso, quem paga a fatura dos privilégios das autoridades fica sujeito a penar horas em filas hospitalares para comumente ficar sem atendimento. Uma cena reveladora do quanto o governo perdeu a vergonha da saúde que não oferece à população é uma peça publicitária institucional do Governo da Bahia em que um habitante do município de Paripiranga, sem dentes, aparece sorrindo e elogiando o governo pela chegada da luz elétrica. É o país dos banguelas dizendo, mesmo quando não quer dizer exatamente isso, que não ter dentes é tão natural que os desdentados são garotos propaganda orgulhosos do sucesso de uma gestão.


*Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA.

domingo, 16 de agosto de 2009

Curso de extensão gratuito

Sentinela– Maísa Amaral*


A equipe do Sentinelas recomenda a todos os interessados para participar do Curso de Extensão: A Ética Jornalística na Sociedade da Informação, que será ministrado pelo Prof. Dr. Francisco José Castilhos Karam, da Universidade Federal de Santa Catarina, nos dias 25, 26 e 27 de agosto, das 15 às 18h, na Faculdade de Comunicação da Ufba (Facom), em Salvador-BA. O evento está sendo realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Facom e será gratuito. Interessados devem fazer a inscrição no primeiro dia do curso. Temas como Linguagem, Valor, Verdade, Discurso, Ética, Deontologia, Profissão e Jornalismo serão debatidos. Os participantes que tiverem 100% de frequência receberão certificado.


O Prof. Dr. Francisco José Castilhos Karam possui graduação em Comunicação Social-Habilitação em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1974), Mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (1993), Doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1999) e Pós-Doutorado pela Universidade Nacional de Quilmes/Argentina (2008). Atualmente é Professor Associado II da Universidade Federal de Santa Catarina. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Teoria e Ética do Jornalismo, atuando principalmente nos seguintes temas: jornalismo, profissão, ética, reportagem e ensino.


*Maísa Amaral é Jornalista DRT- 3178-BA e colaboradora do Sentinelas.
Os artigos assinados não representam necessáriamente a opinião do Sentinelas da Liberdade. São da inteira responsabilidade dos signatários. Sentinelas da Liberdade é uma tribuna livre, acessível a todos os interessados.