quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Amanhã sem você


Adeus
amamos tanto, tantas vezes
cada vez que nos amamos
e de tanto amar, paramos o tempo
o tempo alado que foi passando

Adeus
só restam lembranças que vão ficar
e ficará o adeus em nosso olhar

amanhã eu sei
você vai embora
o amanhecer será tristonho
será o fim de nosso sonho
que será sem fim até agora
(FIM ATÉ AGORA)...
(Flávio Albray, Petronius Bandeira, Beto Becerra, Lucas de Ouro e Lalado).

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Edir sucede Sarney na fita

TELEANÁLISE

Sentinela - Malu Fontes*
maluzes@gmail.com

Os protagonistas dos escândalos no Senado tiveram razões de sobra para começar a semana louvando o chefe mor da Igreja Universal do Reino de Deus, o ‘bispo’ Edir Macedo, caído em desgraça no circuito noticioso por acusações feitas pelo Ministério Público de São Paulo de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Como no Brasil os escândalos não têm desfechos, para empalidecerem precisam sempre de um outro. Calhou, portanto, de ser justamente o bilionário bispo Macedo a entrar em cena com um novo escândalo para dar algum sossego aos bigodes tinturados de José Sarney nas principais manchetes dos jornais e telejornais.

Não sem alvoroço e barulho, a Rede Globo, a Band, os jornais O Globo e a Folha de S. Paulo fizeram a cobertura das acusações contra Macedo. Os dados não são frágeis e a imprensa sistematicamente atacada por processos da IURD teve material de sobra para contar em detalhes o que supostamente há de podre sob os tapetes vermelhos dos templos universais. A Globo não perdeu a oportunidade de re-exibir o vídeo em que Macedo, informal e numa partidinha de futebol em Salvador ensina ironicamente a como tirar dinheiro falso dos desesperados com problemas terrenos. No vídeo exibido, o bispo tripudia até mesmo do cajado de Moisés que teria feito uma rocha brotar água pura. Quem conhece a briga contínua e histórica entre a Universal e Globo/Folha/Band sabe que exibir e narrar acusações contra Macedo, ainda por cima ancoradas em dados do Ministério Público, equivale a manifestações orgásticas dessas organizações.

DIABO - As acusações apresentadas pelo Ministério Público paulista à Justiça baseiam-se em dados da Receita Federal e do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão do Ministério da Fazenda que combate a lavagem de dinheiro. Com base em tais informações, o MP calcula que somente a movimentação financeira suspeita feita pelo bispo e mais nove executivos do seu grupo soma R$ 4 bilhões de 2003 a 2008. Diz-se que o diabo mora é nas sutilezas. E foi nas sutilezas que, sofisticadamente e de modo indireto a Globo deu de modo desfavorável o espaço que o jornalismo sempre deve dar aos acusados, o tempo para a defesa.

A defesa de Macedo apareceu no Jornal Nacional na voz do advogado do bispo e da turma da IURD, Artur Lavigne. Um dos maiores criminalistas do Brasil e também conhecido por ser o pai de Paula Lavigne, ex-mulher de Caetano e hoje um dos nomes mais poderosos do show business brasileiro, Lavigne surgiu no JN titubeante, reticente e quase gaguejante, com assertividade zero em suas declarações. No contexto, sua fala soou quase um eco da fala dos senadores do Conselho de Ética do Senado. Disse que, certamente, como já aconteceu outras vezes, as acusações contra seus clientes são recorrentes e irão dar no que sempre deram. Em nada, em arquivamento. E tudo foi repetido com esmero no Jornal da Globo e em outros espaços das Organizações Globo. A Band fez uma cobertura tão contundente quanto. Já Sílvio Santos e seu SBT bem que merecem uma prece dos fiéis da IURD pela superficialidade que caracterizou sua cobertura do episódio.

Para aquém ou além das denúncias contra Macedo, no Senado, a crise aparentemente arrefeceu, mas está longe de acabar. As chantagens pesadas nos bastidores entre PMDB e PSDB continuam e, graças a elas, dificilmente Sarney larga o osso. No último round, como sempre, o brasileiro viu pela TV o quanto ele é tomado por seus representantes como um asno imbecil. Sempre que um inescrupuloso do Senado é forçado a entrar em cena por, no jogo das chantagens, ser jogado às câmeras e manchetes, vem uma sentença de idiotice contra o eleitor. A semana começou com o prêmio peroba pulando das mãos de Arthur Virgílio (PSDB-AM), pego de calças curtas sucessivas vezes enquanto apontava o dedo justiceiro para Sarney e companhia, para as de Sérgio Guerra (PSDB-PE).

CÂNCER – Guerra foi acusado de viajar para os Estados Unidos acompanhado da filha numa temporada generosa e financiada com dinheiro do Senado. Como se fosse a coisa mais natural do mundo, com um jeito meio gatão de meia idade de olhar oblíquo, o senador não titubeou. Disse que não fez nada de errado. Foi aos EUA tratar de um câncer no estômago, um problema de saúde, portanto, e que é um direito seu não só buscar tratamento como levar acompanhante. Traduzindo para o real, o que fica é a clareza de que o brasileiro elege representantes que se sentem no direito de, diante de um problema de saúde, bater asas para fora do país às custas do poder público.

Enquanto isso, quem paga a fatura dos privilégios das autoridades fica sujeito a penar horas em filas hospitalares para comumente ficar sem atendimento. Uma cena reveladora do quanto o governo perdeu a vergonha da saúde que não oferece à população é uma peça publicitária institucional do Governo da Bahia em que um habitante do município de Paripiranga, sem dentes, aparece sorrindo e elogiando o governo pela chegada da luz elétrica. É o país dos banguelas dizendo, mesmo quando não quer dizer exatamente isso, que não ter dentes é tão natural que os desdentados são garotos propaganda orgulhosos do sucesso de uma gestão.


*Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora da Facom-UFBA.

domingo, 16 de agosto de 2009

Curso de extensão gratuito

Sentinela– Maísa Amaral*


A equipe do Sentinelas recomenda a todos os interessados para participar do Curso de Extensão: A Ética Jornalística na Sociedade da Informação, que será ministrado pelo Prof. Dr. Francisco José Castilhos Karam, da Universidade Federal de Santa Catarina, nos dias 25, 26 e 27 de agosto, das 15 às 18h, na Faculdade de Comunicação da Ufba (Facom), em Salvador-BA. O evento está sendo realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Facom e será gratuito. Interessados devem fazer a inscrição no primeiro dia do curso. Temas como Linguagem, Valor, Verdade, Discurso, Ética, Deontologia, Profissão e Jornalismo serão debatidos. Os participantes que tiverem 100% de frequência receberão certificado.


O Prof. Dr. Francisco José Castilhos Karam possui graduação em Comunicação Social-Habilitação em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1974), Mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (1993), Doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1999) e Pós-Doutorado pela Universidade Nacional de Quilmes/Argentina (2008). Atualmente é Professor Associado II da Universidade Federal de Santa Catarina. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Teoria e Ética do Jornalismo, atuando principalmente nos seguintes temas: jornalismo, profissão, ética, reportagem e ensino.


*Maísa Amaral é Jornalista DRT- 3178-BA e colaboradora do Sentinelas.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Amarelo de fome, Verde de medo



Sentinela – Luiz Eladio Humbert*

luiz.humbert.lalado@gmail.com

Hoje morreu um homem
na Praça da República

aposentado

nome
idade
endereço ignorado
tudo anotado
no formulário
da polícia.

cobriram o corpo
com jornal

hoje morreu um homem
na Praça da República
como morreria a pátria soberana
se fosse viva
e fosse povo
ou se não fosse
fantasia.


Do livro: AMARELO DE FOME, VERDE DE MEDO – 500 E TANTOS ANOS DE COLÔNIA
Autor: Luiz Humbert (lalado) é poeta e letrista do GRAMPO:
www.gramporock.blogspot.com

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A crise do consumo

Sentinela - Antonio Freire*
professorfreire2008@gmail.com


Escrevi para os Sentinelas um texto sobre a crise de consumo, acho que surtiu efeito, pois estamos ouvindo menos falar da tal da crise, afinal, o que tem vendido de carros é brincadeira, e ainda fiquei sabendo que nunca após as inaugurações de lojas das Casas Bahia se vendeu tanto quanto em Salvador.Mas porque será que empresas que apresentam um atendimento tão ruim (não é o caso da loja citada), continuam no mercado, fazendo propagandas de baixa qualidade, achando que ainda vivemos no tempo das feiras livres, nas quais os donos das "bancas" tinham que ganhar os clientes no grito? Será que nós, consumidores merecemos tanta "porcaria" em nossos intervalos comerciais?Desta vez eu quero chamar a atenção dos consumidores (não me incluo nesta lista, pois se eu for mal atendido eu não compro), desta classe de "gastadores" que mesmo sendo mal atendidos, mesmo assistindo comerciais ridículos, de baixa qualidade, de baixo nível e de péssimo gosto, ainda continuam comprando.

Quando vamos aprender a exigir que nosso dinheiro seja valorizado, quando vamos aprender a reclamar com os pés, e simplesmente sair das lojas sem comprar. Temos uma empresa de treinamento de vendas, e faço mais trabalhos para fora de Salvador do que aqui, isso por uma simples razão: Os consumidores são pacíficos, apáticos, acomodados, alegam rodar o dia todo para economizar umas moedinhas e se esquecem de valorizar o tempo, de valorizar a sua condição de pessoa humana e não se incomoda de ser mal atendido.


Consumidor tem que se respeitar e tem que se dar o respeito, pois é quem compra e quem paga, é quem paga o salário do empresário, do gerente e do vendedor. Quando vamos aprender a exigir um bom atendimento? A crise do consumo, aí não posso pensar de outra forma, existe porque estamos comprando mais que deveríamos, os empresários estão mal acostumados a nos atenderem mal e deixarmos barato.Consumidor tem que reclamar mais com os pés e menos com a boca, e estas são as duas formas que temos de reclamar, vamos reclamar menos com a boca, que termina por estressar quem está próximo e não adianta nada. Vejo muito um cliente reclamar, xingar, espernear, e compra, caramba, não entendo isso. Vamos reclamar com os pés, sair da loja sem comprar, até que aprendam a respeitar nosso direito de ser bem atendido. Certa feita fiz as compras da quinzena em um supermercado destes, e na hora de pagar o caixa me fez duas grosserias, uma porque pedi um empacotador e ela simplesmente torceu a boca, a outra quando disse que só passaria o cartão quando as compras estivessem embaladas, ela disse que tinha mais clientes para atender, ou seja, eu já paguei, eu me "lenhe", resultado, deixei todas as compras lá no caixa e fui embora.


Perdi tempo, mas lavei minha alma. Não vamos parar de ver comerciais, deveríamos também, para ver se as agências de propaganda aprendem a fazer comerciais de melhor qualidade, mas esse é outro assunto.a crise existe, mas deveria ser de verdade, deveria ser nossa mesmo, a crise da consciência, a nossa consciência do grau de importância que temos no sustento estas empresas que não nos respeitam.Vamos parar de comprar onde somos mal atendidos.

*Antonio Freire da Silva Neto – Bacharel em Marketing, epecialista em gestão empresarial, educação superior e consultor de marketing.

Amarelo de fome, Verde de medo

(Mateus – 3, 10.)

Sentinela – Luiz Eladio Humbert*
luiz.humbert.lalado@gmail.com

Soldados
são homens
desarmados

homens fardados
matando pelo poder
para os senhores dos fardados

não são soldados

são ávores letais
transplantadas da terra
para torrões de lama

são lixo que flutua
rio abaixo

diante da lama e do lixo
o povo desunido
se cala
de fome e de medo

e engole lama e lixo

mas o silêncio
da fome e do medo
não haverá de estancar o tempo
que muda o homem
da água ao sal

como o suor ao vento

e o sal
é o sinal dos tempos

já o machado está posto
à raiz das ávores.

Do livro: AMARELO DE FOME, VERDE DE MEDO
Autor:
Luiz Eladio Humbert
(Lalado) é poeta, escritor e letrista do GRAMPO: http://www.gramporock.blogspot.com/
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